Ainda Moretti
Ainda numa onda de Nanni Moretti
"Os maus temem as tuas garras, Os bons alegram-se com a tua graça. Algo assim gostaria de ouvir sobre o meu verso." B. Brecht
Ainda numa onda de Nanni Moretti
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Publicada por Irene Sá à(s) 10:31 p.m. 5 comentários
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Confesso! Não me apetece escrever um conto sobre um gigante e um anão que são muito amigos e depois se perdem um do outro.
Queria antes ver o filme do Nanni Moretti (viver em Barcelona lembra-me constantemente os filmes dele - hei-de escrever sobre isto!), aquele musical sobre o pasteleriro trotskista na Itália dos anos cinquenta.
Publicada por Irene Sá à(s) 9:28 p.m. 0 comentários
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Ara que estic trist
Agora que estou triste
intente recordar
tento recordar
per les carreteres
pelas ruas
de la meua soledat
da minha solidão
I em torna aquella olor
E vem-me aquele odor
de pólvora cremant
de pólvora queimada
i el roig de les fogueres
E o vermelho das fogueiras
de les nits de Sant Joan!
das noites de São João
La festa als carrers
A festa nas ruas
la pluja d´estels
A chuva de estrelas
el 25 d´abril
O 25 de Abril
amb un nus als sentiments
e um nó nos sentimentos
L´esperança als ulls
A esperança nos olhos
les banderes al vent
As bandeiras ao vento
i les ganes de viure
E a vontade de viver
de la meua gent
da minha gente
Lluitar, crear
Lutar, criar
construir poder popular!
Construir o poder popular!
Ara que he tornat
Agora que voltei
refaig els caminars
refaço os caminhos
pels carrers i les places
pelas ruas e pelas praças
del lloc on em vaig criar
do lugar onde nasci
I em torna a despertar
E volta a despertar
aquell vell campanar
Aquele velho sino
i el soroll de les traques
e o ruído das salvas
muixerangues i gegants
Muixerangues* e gigantes
Les velles cançons
As velhas canções
les noves emocions
As novas emoções
els 25 d´abril
Os 25 de Abril
construint les il·lusions!
Construindo as ilusões
La vida dins dels punys
A vida nos punhos
la lluita dins la pell
A luta na pele
i les ganes de viure
E a vontade de viver
de la meua gent
Da minha gente
Lluitar, crear
Lutar, criar
construir poder popular!
Construir o poder popular!
Publicada por Irene Sá à(s) 12:46 a.m. 4 comentários
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Nas últimas semanas a minha paciência, destreza e conhecimentos do mundo informático tem sido postos à prova.
Num piscar de olhos entraram-me pelo computador a dentro nove vírus.
Os malditos banquetearam-se com meu dispositivo de som e transformaram-me numa surda cibernética. Vi-me profundamente limitada e resolvi dar luta.
Fui obrigada a formatar o disco e foi como se me tivessem feito uma lobotomia.
Para além de ter de correr meio mundo à procura dos programas que tinha instalados descobri que a drive dos cds deve ter servido de pista de dança para o festim dos quatrocentos e tal problemas detectados e que, misteriosamente, a placa de rede do computador despareceu (ou está muito bem escondinha dentro do paralelepípedo de 32 x 26 x 2 cm).
Neste preciso momento estou a realizar uma acrobacia fantástica: estou na escola a tentar passar os programas que estão nos cds para a pendrive num computador. Depois vou tentar instalá-los na minha desgraçada máquina. Tudo isto tentando escapar à vigilância do senhor delegado do ministério que ciranda pelos corredores desta escola. Não que esteja a fazer nada de ilegal ou perigoso, mas nos dias que correm se estas criaturas vislumbram uma professora a postar um cartaz como este que aqui mostro com os recursos da escola é bem capaz de levar um processo disciplinar. Felizmente o senhor está distraído a ver a página do jornal A Bola.
No entretanto, e porque não sei quando voltarei a ter uma oportunidade de me ligar ao mundo como rapariga vermelha, deixo este cartaz do Ricardo Levins Morales sobre a defesa da educação pública.
Publicada por Irene Sá à(s) 7:07 p.m. 0 comentários
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Do painel das Descobertas . Mão Aberta - Intervenção na Estação de Metro de Santa Lucia em Santiago do ChilePublicada por Irene Sá à(s) 1:22 p.m. 0 comentários
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Publicada por Irene Sá à(s) 12:04 a.m. 2 comentários
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Publicada por Irene Sá à(s) 1:09 a.m. 1 comentários
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Faço projectos, planos, planificações;
Sou membro de assembleias, conselhos, reuniões;
Escrevo actas, relatórios e relações;
Faço inventários, requerimentos e requisições;
Escrevo actas, faço contactos e comunicações;
Consulto ordens de serviço, circulares, normativos e legislações;
Preencho impressos, grelhas, fichas e observações;
Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos, planificações;
Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e encadernações;
Participo em actividades, eventos, festividades e acções;
Faço balanços, balancetes e tiro conclusões;
Apresento, relato, critico e envolvo-me em auto-avaliações;
Defino estratégias, critérios, objectivos e consecuções;
Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas redacções;
Informo-me, investigo, estudo, frequento formações;
Redijo ordens, participações e autorizações;
Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;
E mais actas, planos, projectos e avaliações;
E reuniões e reuniões e mais reuniões!...
E depois ouço,
alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores,
observadores, secretários de estado, a ministra
e, como se não bastasse, outros professores,
e a ministra!...
Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;
Assino, rubrico, sumario, sintetizo, informo;
Averiguo, estudo, consulto, concluo,
Coisas curriculares, disciplinares, departamentais,
Educativas, pedagógicas, comportamentais,
De comunidade, de grupo, de turma, individuais,
Particulares, sigilosas, públicas, gerais,
Internas, externas, locais, nacionais,
Anuais, mensais, semanais, diárias e ainda querem mais?
- Que eu dê aulas!?...
ao que consta, de Ana Manaça Correia
Publicada por Irene Sá à(s) 2:40 p.m. 4 comentários
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Publicada por Irene Sá à(s) 10:08 p.m. 1 comentários
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Publicada por Irene Sá à(s) 12:27 p.m. 0 comentários
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Sim, é certo, com um mês de atraso (na altura própria estava empenhada em edificar a mais linda das festas), mas ainda assim não me esqueci.
Sim, é certo, anarquistas, mas ainda assim um exemplo de dignidade e princípios.
Sim, é certo, foi há 80 anos e um mês, mas ainda assim uma história actual, mais uma, manchada de sangue, como outras que continuamos a assistir.
Vale a pena manter a memória viva - para que cada vez menos a história se repita.
"Nessa época havia na cidade de Boston um clube conhecido pelo Ateneu, e a esse clube pertenciam nomes ligados com o passado da cidade, com os dias há muito passados de Emerson e Thoreau. homens tais como o reitor da Universidade, que tinha presidido ao julgamento final de Sacco e Vanzetti eram poderosamente influentes nesse clube - um clube onde nunca penetrara um estrangeiro, um americano de primeira geração, um judeu ou um negro. Na manhã que se seguiu à execução, no dia 23 de Agosto de 1927, descobriu-se dentro de todas as revistas que se encontravam na sala de leitura do clube uma folha de papel. E em cada uma dessas folhas de papel liam-se as seguintes palavras: "Hoje, Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, sonhadores da fraternidade humana, que esperavam ser possível encontrá-la na América, foram submetidos a uma morte cruel pelos descendentes daqueles que á muito se refugiaram nesta terra de esperança e liberdade."
Publicada por Irene Sá à(s) 9:17 p.m. 0 comentários
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Nos 103 anos do seu nascimento Mais dois poemas dO POETA
LA GRAN ALEGRÍA
La sombra que indagué ya no me pertenece.
Yo tengo la alegría duradera del mástil,
la herencia de los bosques, el viento del camino
y un día decidido bajo la luz terrestre.
No escribo para que otros libros me aprisionen
ni para encarnizados aprendices de lirio,
sino para sencillos habitantes que piden
agua y luna, elementos del orden inmutable,
escuelas, pan y vino, guitarras y herramientas.
Escribo para el pueblo, aunque no pueda
leer mi poesía con sus ojos rurales.
Vendrá el instante en que una línea, el aire
que removió mi vida, llegará a sus orejas,
y entonces el labriego levantará los ojos,
el minero sonreirá rompiendo piedras,
el palanquero se limpiará la frente,
el pescador verá mejor el brillo
de un pez que palpitando le quemará las manos,
el mecánico, limpio, recién lavado, lleno
de aroma de jabón mirará mis poemas,
y ellos dirán talvez: "Fue un camarada".
Eso es bastante, ésa es la corona que quiero.
Quiero que a la salida de fábricas y minas
esté mi poesía adherida a la tierra,
al aire, a la victoria del hombre maltratado.
Quiero que un joven halle en la dureza
que construí, con lentitud y con metales,
como una caja, abriéndola, cara a cara, la vida,
y hundiendo el alma toque las ráfagas que hicieron
mi alegría, en la altura tempestuosa.
(Canto General)
Publicada por Irene Sá à(s) 1:02 a.m. 0 comentários
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Publicada por Irene Sá à(s) 7:53 p.m. 1 comentários
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Do figurativo ao abstracto.
Do abstracto ao figurativo.
Análise e síntese.
Síntese e nova análise.
"Cumprimentamos o homem valente
que se lançou no abismo
a fim de ressuscitar entre os mortos
sob uma forma nova (...)
6, 5, 4, 3, 2, 1, até 0,
no outro extremo uma linha nova
0, 1, 2, 3, 4, 5, ..."
Das caras com rosto
aos rostos sem cara.
Todo o trabalho feito em condições de liberdade é criativo
dizia Marx
por isso, se formos livres nas ideias,
somos/seremos capazes de inventar e inventar e inventar...
Capazes de interpretar e interpretar e interpretar...
Capazes de criar e criar e criar...
E de construir e construir e construir...
...
Já aí vem a cavalaria vermelha
Publicada por Irene Sá à(s) 1:52 a.m. 0 comentários
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É uma vergonha! A televisão pública, 33 anos depois do 25 de Abril, procura calar a voz mais consequente do panorama político português.
É uma vergonha não só porque atenta contra a liberdade de informar e o direito de ser informado mas, sobretudo, porque já deviam saber que contra a força da razão não há mordaça que resista.
Os tempos modernos não começam de uma vez por todas.
Meu avô já vivia numa época nova.
Meu neto talvez ainda viva na antiga.
A carne nova come-se com velhos garfos.
Época nova não a fizeram os automóveis
Nem os tanques
Nem os aviões sobre os telhados
Nem os bombardeiros.
As novas antenas continuaram a difundir as velhas asneiras.
A sabedoria continuou a passar de boca em boca.
Bertolt Brecht
Publicada por Irene Sá à(s) 1:58 p.m. 5 comentários
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A melhor explicação sobre o significado de greve:
“Eu vou te contar: no princípio, em Cuba, estávamos sem defesa e sem resistência; este julgava-se branco, aquele era negro e havia bastantes desentendimentos entre nós: estávamos espalhados como areia e os patrões andavam sobre essa areia. Mas logo que reconhecemos que éramos todos iguais, logo que nos juntámos para la huelga…
- O que é que é essa palavra: la huelga?
- Vocês dizem antes a greve.
- Eu também não sei o que isso quer dizer.
Manuel mostrou-lhe a sua mão aberta:
- Olha para este dedo como é magro, e este aqui muito fraco, e este outro não tem melhor aparência, e este infeliz, também não é muito forte, e este último sozinho e entregue a si próprio.
Ele cerrou o punho:
- E agora, será suficientemente forte, suficientemente maciço, suficientemente unido? Diremos que sim, não é verdade? Pois bem a greve, é isto: um NÃO de mil vozes que fazem apenas uma e que se abate sobre a mesa do patrão com o peso de um rochedo.
Não, digo-te: não, e é não. Nada de trabalho, nada de zafra, nem uma erva cortada se tu não nos pagas o preço justo da coragem e da dor dos nossos braços.
E o patrão, o que é que ele pode fazer, o patrão? Chamar a polícia. É isso. Porque esses dois são cúmplices como a pele e a camisa. E carreguem sobre estes rufias. Não somos rufias, somos trabalhadores, proletários, é assim que se diz, e ficamos em filas teimosos debaixo da tempestade; há quem tombe, mas o resto aguenta-se, apesar da fome, da polícia, da prisão, e entretanto a cana espera e apodrece no pé, a Central espera com os dentes dos seus moinhos desocupados, o patrão espera com os seus cálculos e tudo o que ele tinha descontado para encher os seus bolsos e finalmente, ele é obrigado a negociar: então o quê, diz ele, não podemos conversar?
Certo, podemos conversar. Ganhámos a batalha. E porquê? Porque estamos soldados numa única linha como os ombros das montanhas e quando a vontade do homem se torna grande e dura como as montanhas não há força na terra ou no inferno para a abanar e destruir.”
Tradução livre de “Gouverneurs de lá rosée’ Jacques Roumain. Les éditeurs français réunis, 1946
Existe também uma edição portuguesa sob o título “Os governadores do orvalho”, publicada pela Caminho, na colecção “Uma terra sem amos”, em 1979, cuja tradução é de José Saramago.
Publicada por Irene Sá à(s) 11:17 p.m. 0 comentários
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Hoje comemorei um Abril que está para vir. Um Abril, ou um Maio, ou um Junho, ou um Março, que vai chegar e tomar este do 25 como um sonho que se cumpre, vai tomar este do 25 como o momento em que olhámos para a luz que nos entrava pela caverna e desejámos a liberdade. Um Abril, um Maio, um Junho ou um Março em que deixaremos, para sempre, a caverna
Esqueçamos por agora o idealismo platónico (que pretendia tomar a ideia como princípio do conhecimento) e detenhamo-nos apenas na metáfora.
ALEGORIA DA CAVERNA (in A REPÚBLICA, início do Livro VII)- PLATÃO
Publicada por Irene Sá à(s) 11:55 p.m. 1 comentários
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