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sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Utilidade

Arranquem-me o coração. Encham-no de pólvora e vidros e façam-no explodir no gabinete de um dos culpados por o fazer sangrar.

Pode ser que assim sirva para alguma coisa.

terça-feira, janeiro 24, 2012

Maldito sopro

Sopraram-me ao ouvido, um sopro inteligível que dizia:
Nunca vais conseguir, nunca, nunca.
Pensei que não devia confiar naquele sopro desconhecido, vindo sei lá de onde.
Em todo o caso devia preparar-me e convencer-me de que não é necessário conseguir.
Não preciso de conseguir.
Basta-me ter olhos, mãos e amigos.
Mas isto é pouco, ou não?

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Barnco, azul claro e cor-de-rosa

E se de repente ficasse tudo branco, azul claro e cor-de-rosa?
O chão da rua branco, os carros azuis e as árvores cor-de-rosa.
Todas as cadeiras brancas e as paredes também. Todas as nossas roupas azuis.
E a comida cor-de-rosa. E a bandeira azul-clara e cor-de-rosa.
E os guindastes nas construções todos brancos.
As letras nos jornais azuis claras. Todos os objectos azuis claros também.
E os fatos dos ministros todos cor-de-rosa.
As lombadas dos livros brancas.
Os navios todos eles brancos.
O mar continuaria azul, e os lábios em diversos tons de cor-de-rosa.
A pele de toda a gente azul e os olhos cor-de-rosa.
As armas dos militares brancas e as fardas deles cor-de-rosa.
A guerra continuaria a fazer sentido?

quinta-feira, dezembro 01, 2011

fora

Arrastem-me para fora do mundo, pode ser pelos cabelos, não me importo. Até me posso ferir, quem sabe partir um dente. Posso ficar com um hematoma na perna. Ficarei arranhada, eu sei. Mas arrastem-me para fora do mundo.
Juro que não me arrependerei. Quero mergulhar na tranquilidade. Eu sei que lá fora as luzes são fugazes, ténues e frias. Eu sei que o céu é às ondas e que por vezes essas ondas nos levam. Também sei que as nuvens são espessas e que temos de ter cuidado com as trepadeiras cheias de espinhos e artimanhas. Não se preocupem, eu conheço um caminho de escadas longas que me levam a um sítio onde poderei encostar-me a uma árvore e contemplar tudo o que vocês ficarão por cá a fazer.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Questão filosófica de grande relevo

Dizem que tempo é dinheiro.
E que as dimensões do espaço encontram-se com a do tempo no infinito.
Então, espaço é dinheiro.

Quando falamos no binómio capital/trabalho
podemos associar o espaço ao capital e o tempo ao trabalho, não?
Se assim é, e porque cada vez o trabalho parece valer menos, não deveríamos passar antes a dizer:
Espaço é dinheiro?

quinta-feira, julho 01, 2010

Relatos de Barcelona (com grandes atrasos na publicação)

72) Hj acordei às 5H00 a pensar que já que não posso ver o sol pôr-se no mar (como no nosso Portugalito) que o fosse ver nascer no mediterrâneo;

73) Pergunto-me porque aceito dizer árvore no masculino (el árbol) e não me entra q leite seja feminino (la leche);

74) Pergunto-me tb porque é q havendo... ...tantas casas partilhadas em BCN não exista uma espécie de Cons. de Repúblicas como em Coimbra.

75) Finalmente tive a experiência catalã transcendental de que me falavam: fui a uma calçotada (uma espécie de churrasco de alhos porros que é mais valorada quanto mais sujos ficarmos);
76) Ando com a estranha sensação que depois do apogeu vem a decadência;
77) Continuo à procura do homem com meia cabeça que vi no verão passado.

78) Há que divulgar a catalães e espanhóis que marmelada (melmelada/mermelada) não é o doce de qualquer fruto, mas apenas do fruto chamado marmelo (de que eles nunca ouviram falar);

79) Os catalães gostam de coisas verdes e compridas;

80) Vivo com um cão solidário que uiva quando eu tusso;

81...) Nunca pensei vir a dizer que estou cansada de comida colombiana.

82) A rua adjacente à minha cheira a incenso;
83) Continuo com tosse;
84) Pergunto-me porque é que a coisa mais feia de Barcelona (a Sagrada Família) é a mais famosa;
85) A palavra que mais ouvi hoje foi Messi.

86) Nunca na minha vida pensei que me viesse a embebedar (com anis) numa comemoração do Dia de Ibiza;

87) O povo desta terra adora ir à montanha no fim-de-semana, cansam-se muito e ficam todos contentes;

88) Acho que me vou dedicar a importar assadores de chouriços e a vendê-los por aqui.

89) Já posso referir-me ao passado em catalão (embora pareça futuro);

90) Quase não se encontram orégãos no supermercado;

91) Aproxima-se o 25 de Abril e preparo-me para lavar-me em lágrimas (é como passar o natal fora de casa).

92)Acabo de entrar para a história da culinária portuguesa: inventei o 1002º prato de bacalhau - Pastel de bacalhau com natas à Brás;
93) Ou algo me escapa ou está tudo louco por aqui - até parece que o fascista maçon do Garzón ia rectificar as asneiradas resultantes deste estado ter passado ..."harmoniosamente" do fascismo da bota cardada à pseudo-democracia burguesa e não o deixaram.

94)Os catalães não ficam atrás dos portugueses no seu gosto por ver obras - aqui fazem janelas nos tapumes para aue as pessoas possam vê-las e possam exercer a sua engenharia civil amadora;

95) Já sei vários tempos verbais em catalão;

96) Agora passo duas vezes por semana ao pé da pila gigante de Barcelona.

97) O meu pior dia em Barcelona - percebi que estou a mais quando me disseram que se não sabia o hino catalão este não é o meu lugar.

98) Em 4 meses gastei: 4 canetas, 3 lápis, 5 frascos de cola, 10 folhas A4 de papel aguarela e 12 folhas A3 de papel de desenho;

99) Os meus professores estão a transformar-me num bicho (que nem tenho tempo para cortar as unhas);

100) Esta coisa das lojas fecharem às 13h30 e reabrirem às 17h00 dá-me cabo de todos os planos.

101) Comemorar o Dia da Vitória com russos provoca ressacas terríveis;
102) Descobri recentemente que da minha varanda tenho vista para o mar (mediterrâneo, está claro);
103) o facto de aqui dizerem esquerdaS e não esquerda leva-me a crer que os da dita (esquerda) andam um bocado perdidos.

104) aqui fazem-se referendos sobre o futuro das avenidas mas é proibido colar cartazes;

105) Tenho pesadelos com a porteira do prédio de olhos arregalados e a gritar 'DÉU!!!;

106) Se me aparece à frente mais um tipo dos MSF, da UNICEF, da Greenpeace, da Cruz Vermelha ou doutra cena caritár...ia qualquer a chatear-me à porta do metro sou capaz de cometer um crime.

107) Depois de um ano regressei a uma escola secundária - que calmos são os pequenos por aqui!;
108) As comemorações das vitórias do Barça são curtas e muito estrondosas;
109) Aqui as pessoas discutem a qualidade dos kebabs;
110) Estou com o síndrome de imigrante (oiço alguém falar português e sinto imediata simpatia).

111) As montanhas catalãs cansam mais que os montes portugueses;

112) Discutir política enquanto se faz campismo selvagem provoca a sensação
de clandestinidade;

113) Gosto do calor de Barcelona.

114) Em Barcelona há quiosques (como os dos jornais) especializados em vender petardos;
115) Os hospitais aqui, comparados com os de Lisboa, parecem hoteis de 5 estrelas;
116) O pão com tomate (pa amb tomàquet) está para a gastronomia assim com o clip está para o design (as melhores e mais simples invenções humanas)

117) Os pássaros aqui estão loucos - há gaivotas em bandos no meu bairro (Gràcia) e os pomboas passeiam-se alegremente pela praia;

118) Por razões que não chego a entender, venera-se por aqui uma bebida que não sabe a nada - a orxata.

119) No que mais pensei ontem (noite de Santo António) foi na falta que me fazia um caldo verde com chouriço;
120) Ainda os santos populares - começo a assustar-me à medida que se aproxima o São João. Esta gente adora os petardos. Porque não comemoram com fogueiras e marchas?
121) O catalão tem pronomes estranhos que nem os próprios catalães sabem explicar quando e porquê os utilizam.

122) Aqui pelo bairro comemoram a derrota de Espanha com... petardos, claro está!

123) Coisa bizarra- eu a torcer pela Coreia do Norte e a gente daqui a torcer por Portugal;

124) A sociedade divide-se, subtilmente, entre os que ouvem o hino do K'naan e os que ouvem o da Shakira.

125) A tradução literal de "leque de possibilidades" ou coisa do género para castelhano é ridícula: "abanico de posibilidades";
126) A história da urbanização de Barcelona pode ser viciante;
127) Confirmo que existem piriquitos gigantes na cidade.

128) A Bateria antiaérea de Barcelona é o melhor sítio para nos defendermos da... loucura dos barceloneses na noite de S. João;

129) Descobrir que crimes e desgraças em castelhano se dizem sucessos é algo revelador;

130) Em Barcelona vim fazer amigos para toda a vida;

131) FINS ARA

domingo, maio 16, 2010

Incómodos

Se uma crise incomoda muita gente,
Uma crise só para alguns incomoda muito mais.

Se uma crise só para alguns incomoda muita gente,
Que paguem sempre os mesmos incomoda muito mais.

Se serem sempre os mesmos a pagar incomoda muita gente,
Que os capitalistas ganhem com isso incomoda muito mais.

Mas se muita gente disser basta,
Acaba-se já esta brincadeira.

quinta-feira, março 11, 2010

Actualização dos Relatos de Barcelona

55) Em Barcelona vendem-se mais cuecas do Barça que em Lisboa cuecas do Benfica, do Sporting e Belenenses juntos;
56) Em catalão cuecas diz-se calças (calces). Assim, um catalão sem calças é mais indecente que um português no mesmo estado;
57) Aqui os vendedores de guarda-chuvas não gritam "olh'ó automático p'á chuva!";
58) O que mais me emociona aqui é ouvir os músicos no metro tocarem Victor Jara e Carlos Puebla; 59) Passados 2 meses finalmente percebi alguns sons que escutava no metro: hanlház = enllaç = enlace;
60) Fui a outra manifestação, muito participada, quase silenciosa (há que exportar palavras de ordem) e rapidamente dispersada (aqui não há um Carvalho da Silva que fale durante 3 horas);
61) Festejar em catalão significa cortejar, portanto se disserem a um catalão que festejaram com muita gente, ele pensará: "ganda maluco!";
62) Ainda no mesmo tema: os catalães são tão produtivos que não dão beijos, fazem-nos;
63) Apesar da baixíssima probabilidade de acontecer, nas últimas 4 segundas feiras, à mesma hora e quase no mesmo local, pedem-me indicações;
64) Os catalães têm uma certa tendência para a piromania - um grande número de festejos tradicionais implica brincadeiras com o fogo;
65) Ao fim de 2 meses em Barcelona, e de muitos atrasos, finalmente acertei a hora do computador;
66) Quando os condutores dos autocarros nos reconhecem e cumprimentam é sinal de que já estamos integrados?
67) Conheci uma versão espanhola da Luísa Branquinho;
68) Sobrevivi ao apocalipse de Barcelona - dia 8 isto parecia um filme norte-americano sobre o fim do mundo;
69) Caminhar 5 km como um pinguim sobre gelo e neve provoca dores no cú;
70) Roubaram-me descaradamente um guarda-chuva;
71) Ainda os roubos - a música que acompanha os avisos sonoros no metro para termos cuidado com os carteiristas é fantástica.

sábado, fevereiro 20, 2010

E mais relatos de Barcelona

39) Mudei-me da Brandoa para uma espécie de mistura do Bairro Alto com Algés;

40) Parece que as pessoas aqui começam a dar-se conta do meu feitio soviético;

41) Ah! E dizem que canto bem! (os catalães têm muito bom ouvido);

42) Socorro! Já dou comigo a pensar em castelhano;

43) O purgatório existe e fica numa estação de metro de Barcelona (Passeig de Gràcia);

44) Ontem fiquei a saber que por viver com um cão constituo uma matilha;

45) Comecei a ser elevada à categoria de pica-miolos optimista-leninista,

46) Lavatório e Lava-loiças diz-se Pica em catalão! ...E depois riem-se muito com o apelido do camarada Luís Carapinha;

47) Se perguntarem com pronúncia alentejana "Quantas cadeiras há?" e responderem em pronúncia açoriana "Há cinco cadeiras" estarão a falar um perfeito catalão;

48) Conheci uma pessoa que foi refugiada política no seu próprio país;

49) O cão da casa não gosta de gente do PCF;

50) O frio,os copos e a ausência de uma secretária não me deixam trabalhar;

51) Apesar das adversidades enunciadas no item 50, esbocei 28 ilustrações para um conto muito hippie sobre libelinhas;

52) O carnaval aqui não parece brasileiro;

53) Há um mês e uma semana que não vejo televisão;

54) Pela primeira vez na vida consegui ver mais de 5 minutos de um filme dobrado em castelhano.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Mais relatos de Barcelona (resumidos e publicados no facebook)

25) Estive à chuva a ver as esculturas do Rodin - O pensador parecia que chorava;
26) Ainda não tenho almofada;
27) Estou a aprender catalão com 3 hondurenhos, 3 argentinos, 2 peruanos, 1 sueca, 1 marroquina, 1 andaluz, 2 galegas, 2 madrilenos e 1 catalã regressada à pátria;
28) Depois de muito... explicar numa papelaria que queria comprar cola descobri que em castelhano cola diz-se... cola!
29) Já tenho almofada! (descobri-a no fundo de um armazém chinês. Custou-me 2 euros);
30) Descobri que há milhares de crianças a andar nos autocarros;
31) Conheci o bar da Elsa e os melhores mojitos de Barcelona (estou perdida!);
32) Há obras de arte aqui que parecem obras e obras que parecem obras de arte;
33) Também há muitas crianças no metro;
34) Passei o fim-de-semana no congresso do PCC - nunca fui tão apaparicada na minha vida;
35) Continuo a achar que a palavra mais gira do catalão é lletrejar (soa como lhatrejar e significa soletrar);
36) Conheci uma paraguaia comunista;
37) Ontem tive um momento de epifania;
38) Hoje caiu-me um anjo italiano no colo - uma espécie de Brad Pitt convidou-me para tomar café. Ainda estou encadeada pelas luzes;
39) O meu professor de catalão diz que só num mundo perfeito se conseguem distinguir foneticamente os bês dos vês - ViVa o português! Bisca Catalunya!

domingo, janeiro 17, 2010

Da vinculação à raiva

Foi um daqueles dias em que todas as emoções nos invadem. Maioritariamente as piores. Um dia como os do velho dito: “há dias de manhã em que um tipo à tarde não devia sair à noite”.

Comecei o dia cheia de expectativas – desde que cheguei a Barcelona que quero aprender catalão. Mas as magras economias não me dão para pagar um curso. Vi no site da UAB (Universidade Autónoma de Barcelona) que há cursos gratuitos para os alunos. A minha escola, Eina, apesar de privada, está vinculada à UAB. Tudo e todos indicavam que como aluna teria os mesmos direitos que os restantes alunos da universidade. Lá fui eu, toda lampeira, até à dita cuja universidade.
Bem, não tão lampeira quanto isso… que não paguei o bilhete do comboio e ia borradinha de medo.

Chego à universidade e procuro o acolhimento a estudantes estrangeiros. Sou depois encaminhada ao serviço de línguas. Dizem-me que tenho de passar duas faculdades e tal e coisa. Lá me vi eu a andar num lamaçal e a fazer gincanas. Chego ao sítio e subo as escadas. Dão-me a notícia: “Eina no es UAB. Tines que pagar 527 euros. Los cursos gratuitos son para los estudiantes de la UAB”. “Hijos de puta!” e o resto saiu-me para dentro e em português: “vão mas é roubar p’á estrada!”. Ainda consegui perguntar: “Entonces… que es la vinculación de Eina a UAB?”, “Los estudiantes de Eina no tenien los mismos derechos?”. “Pues, no lo sé. Esto es lo que me han dicho, lo siento”. “Lo siento?…, lo siento?…, e se fosses mas é p’ó c...!”

A raiva tomou conta de mim e em menos que nada instalou-se-me uma dor de cabeça.
Voltei frustrada e comprei a merda do bilhete (mas só comprei uma zona). Cheguei à Praça Catalunha (o centro do universo) e almocei mesmo ali na estação. Saquei do farnel e com pena de mim própria engoli umas sandochas.

A coisa melhorou quando cheguei à escola. Lá me inteirei do funcionamento da sala dos computadores e da biblioteca. Ah! A biblioteca! Lembra-me um livrinho do Umberto Eco, chamado precisamente A Biblioteca. Uma torre de estantes e escadas laterais que nos levam a pequenos passadiços. Que nos permitem ver os livros à medida que subimos a torre. Numa das faces há pequenas janelas em cada “piso”. No último, quase inalcançável, onde estão os livros sobre ilustração e onde quase ninguém vai, sinto-me uma Rapunzel com vista para Barcelona.

Perco a hora e chego uns minutinhos atrasados à aula de escrita criativa. O professor pede que se descreva, primeiro o percurso até chegar ali. O ponto de partido fica ao critério de cada um. Eu começo com o dia a começar. Depois pede-nos que escrevamos o mesmo percurso mas só relatando as emoções. Diz-nos para escolher a emoção mais significativa e que a descrevamos na primeira pessoa. Escolhi obviamente a raiva.

E saiu-me este texto:

Sou vermelha e chego de repente.
Incendeio as pessoas por dentro e debaixo para cima. Reteso-lhes a garganta e faço-as ter consciência dos dentes. Obrigo-as a cerrá-los num desejo de morder até rasgar, até esmagar. Inflamo os olhos e transformo as mãos mais delicadas em garras poderosas.
Alojo-me na cabeça e transformo-me num vazio de fogo.
Aqueles que tomo, faço-os desligarem de si mesmos. Afasto-os da razão ou faço-os tomar consciência de que são impotentes, ou convenço-os que no imediato são impotentes.

O que é curioso, acho eu, é que a sensação negativa que a universidade me provocou serviu depois para fazer um trabalho para ela.

Biblioteca da Eina

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Relatos de Barcelona (resumidos e publicados no facebook)

1) Barcelona virou uma cidade fantasma. Tem 25 mil habitantes, só há polícias, taxistas e estrangeiros na rua.

2) Estou a viver com um ranhoso piroso. É reaccionário.

3) Encontrámos uma caixa que diz "Roba Amiga". Assustámo-nos.

4) Há escadas rolantes em várias ruas deste bairro. Há falta de passadeiras rolantes no aeroporto.

5) Os habitantes de Barcelona multiplicaram-se hoje;

6) Foi preciso aqui chegar para a temperatura descer;

7) Andamos a fazer coisas estranhas - comprámos vinho clandestinamente, roubámos papel higiénico e fomos ao lixo;

8) Ah! Fomos ao PCC - curiosamente, ao que chamamos Mundo do Trabalho eles dizem Actividade Humana;

9) Os habitantes de Barcelona concentram-se em certas zonas para pareceram mais;

10) Gritei com uma pseudo-pedinte que me queria roubar;

11) Gritei com um exibicionista que resolveu masturbar-se à nossa frente;

12) "Conheci" um chefe dos mossos d'esquadra (bófia);

13) Passámos pela Praça Karl Marx e pelos Jardins Rosa Luxemburgo na viagem de autocarro mais surrealista que fiz na vida.

14) Há uma certa dificuldade em afixarem preços nos supermercados;

15) Recebi uma chamada da RTP a querer saber o que se passava com os bascos à saída de um museu;

16) A ASAE, custa-nos admitir, faz uma certa falta...;

17) Para o André não dizer que só falo mal - Barcelona é fantástica!

18) É muito difícil comprar uma almofada em Barcelona;

19) Descobri que vivo na Brandoa de Barcelona (quando tiver pilhas na máquina coloco aqui fotos);

20) Descobri que os barceloneses adoram deixar cadeiras na rua (qualquer dia tenho o quarto cheio de cadeiras apanhadas no lixo - trouxe uma delas desde a P. Catalunya até à Brandoa cá do sítio).

21) Hoje vi uma mulher a mijar descaradamente na Praça Catalunha;

22) Descobri que aqui há burocracias ainda mais estranhas que em Portugal (para comprar um livro tive de ir a um banco fazer um depósito e voltar ao sítio com o comprovativo para o levantar);

23) Para não dizerem que só falo mal -... Há montanhas de cursos gratuitos de catalão para estrangeiros;

24) Lá estive numa manifestação de solidariedade com a Palestina (aqui fazem-se mais tarde, durante menos tempo, com mais gente desatenta, menos palavras de ordem e mais pessoas - poucas mais).

terça-feira, maio 13, 2008

O falso

História 15

Estava convicto que tinha de ser feliz.
Sorria por militância.
Aconteceu-lhe uma desgraça. Sorriu.
Chamaram-lhe falso.

terça-feira, janeiro 29, 2008

num momento de introspecção

Devo ter propensão para crimes passionais.
... e tenho uma excelente pontaria.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

em estado de conflito

Quando me escondo o que escondo é o conflito.
Não me escondo a mim...
... A não ser que eu seja conflito em estado puro.
Escondida sou conflito em potência.

Dúvida

O que é pior?
Ser-se lírico, pragmático ou esquizofrénico?

domingo, outubro 21, 2007

A MESQUITA DE CÓRDOBA


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terça-feira, maio 29, 2007

26, 28, 29 e 30

28 de Maio é um péssimo dia.
30 será bom.
Estamos no limbo, a 29.

1926 foi um mau ano. Mas nesse ano já existia a célula nº 26 do PCP - a célula da Amadora.
Em 2007 continua a combater os 28 e a lutar pelos 30.
Caro SIS, amanhã estarei com a célula nº26.

terça-feira, maio 22, 2007

As incompreensões/compreensões sobre a arte

Do figurativo ao abstracto.
Do abstracto ao figurativo.
Análise e síntese.
Síntese e nova análise.
"Cumprimentamos o homem valente
que se lançou no abismo
a fim de ressuscitar entre os mortos
sob uma forma nova (...)
6, 5, 4, 3, 2, 1, até 0,
no outro extremo uma linha nova
0, 1, 2, 3, 4, 5, ..."
Das caras com rosto
aos rostos sem cara.
Todo o trabalho feito em condições de liberdade é criativo
dizia Marx
por isso, se formos livres nas ideias,
somos/seremos capazes de inventar e inventar e inventar...
Capazes de interpretar e interpretar e interpretar...
Capazes de criar e criar e criar...
E de construir e construir e construir...
...
Já aí vem a cavalaria vermelha


quarta-feira, maio 16, 2007

Autobiografia triste - parte 2

História 7

O refogado só levou alho - é a crise.
Em 1980 passei um mês a comer carapau - era a guerra.