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segunda-feira, junho 04, 2007

PALESTINA (a distância entre o sonho e a realidade)

"Completam-se agora 40 anos desde a “guerra dos seis dias” levada a cabo por Israel contra o Egipto, a Síria e a Jordânia, entre 5 e 11 de Junho de 1967. Dela resultou, então, a ocupação do Sinai, restituído ao Egipto em 1982, e, até hoje, dos Montes sírios do Golan e dos territórios palestinianos da Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental. Desde aí, o Estado de Israel – que já se tinha estabelecido em 1948 em 78% da Palestina, excedendo em um terço o Plano de Partilha da ONU - com a ocupação e colonização dos 22% restantes do território, tem-se recusado a reconhecer e tem impedido pela força o direito à existência do Estado palestiniano"

do apelo do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente





RESISTE

Torturando-me colocaram um papel

E uma caneta à minha frente

E da minha mão arrancaram brutalmente

a chave da minha casa.

Insultaram-me

mas o papel disse:

Resiste…. Resiste…

Queriam desgraçar-me

mas a caneta disse:

Resiste… Resiste…

E a chave da minha casa disse:

Em nome de todas as pedras

Da tua pequena casa

Resiste… Resiste…

Em nome da chuva

caindo da cela de torturas

grita: Resiste… Resiste…


Muen Beseisso

(Poemas para uma pátria ocupada)


mais poemas para uma pátria ocupada: Geração dos Acampamentos e Não partiremos

terça-feira, novembro 30, 2004

ARTE DE TRANSFORMAR X


Posted by Hello

A Geração dos Acampamentos


Posso sorrir
Mas terei sempre nos olhos
A sombra das flores caídas,
De um cipreste perdido
Permanecendo de pé entre os escombros das aldeias
Do meu país devastado
Envolto por amargo silêncio.

Nunca a História enjeitou um povo
Do modo como enjeitou o meu,
Oferecendo a outros a sua terra...
Espalhando os habitantes aos quatro ventos.

A minha pátria adormeceu
Para além dos lamentos no horizonte
E eu permaneço aqui
De olhos sombrios,
Não por natureza
Mas por carregarem a sombra das tendas.

Os meus lábios não são mais como os das crianças
Chamando as mães
Tornaram-se como um pão seco
Deixaram de se lamentar.

Ficarei sobre o teu chão, oh pátria
Cantarei a primavera
Gritando no rosto dos derrotistas.
O inverno trás a morte
Não vos deixei abater
Erguei os braços para a luta!

Chama-nos a bandeira
Do combate pela sobrevivência
Do combate pelo regresso.
Glória ao povo martirizado
Que enfrentando os espinhos
Faz a colheita da primavera.

Salim Jubran
( Poemas para uma pátria ocupada – Palestina)

quinta-feira, novembro 11, 2004

Não iremos embora

Aqui
sobre vossos peitos,
persistimos .
Como uma muralha
Em vossas goelas
como cacos de vidro,
Imperturbáveis.
E em vossos olhos
como tempestades de fogo.
Aqui, sobre vossos peitos,
persistimos.
Como uma muralha.
Lavando pratos nos vossos bares,
enchendo os copos dos senhores,
esfregando negras cozinhas
para vos arrancar dos dentes
o pão dos nossos filhos.

Aqui
sobre vossos peitos,
persistimos .
Como uma muralha
Famintos. Despidos. Altivos.
Cantando versos.
Enchendo as ruas de manifestações
e os cárceres de orgulho.

Bebei o mar
porque aqui permanecemos.

Somos os guardiões
da sombra,
de laranjeiras e de oliveiras.
Semeamos ideais
como fermento.
Temos nervos de gelo,
mas fogo no coração.

Espremeremos pedras
se tivermos sede,
comeremos terra
se tivermos fome.

Mas não partiremos.

E não seremos ávidos do nosso sangue

- Tawfik Az - Zayed -
(poesia palestina de combate)