sábado, fevereiro 16, 2008

PCP da Amadora repudia acórdão que condena dirigente sindical

A Comissão Concelhia da Amadora reunida no dia 12 de Fevereiro de 2008 decidiu por unanimidade repudiar o acórdão do tribunal que condenou um dirigente sindical a pena de prisão, colocando-o ao lado de qualquer criminoso comum, por este ter feito uso de uma prerrogativa do seu estatuto de defensor dos trabalhadores há vários meses sem salários que, por falta de saídas visíveis se manifestaram pacificamente, exigindo os seus direitos.

Estes direitos, por consigne, constam de uma decisão judicial que o patronato pura e simplesmente ignorou, sem que nada lhe tivesse acontecido.

Esta situação põe a nu o que de pior têm estas políticas e este governo PS anti-trabalhadores, que não obriga o patrão devedor a cumprir ordens judiciais e condena os dirigentes sindicais que lutam em defesa do cumprimento da legalidade.


Comissão Concelhia da Amadora do PCP
13 de Janeiro de 2008

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Sempre que respiro... mudo

Há 100 anos mataram o rei

100 anos depois do regicídio ouvem-se vozes bafientas de um saudosismo hipócrita defender e reclamar o regresso à monarquia. Por outro lado, a desinformação, o desespero e a falta de perspectivas levam muita gente a considerar essa hipótese como válida. É necessário recordar que na génese da monarquia está uma sociedade estratificada, hierarquizada, incompatível com a democracia e a igualdade. E é também importante refrescar a memória e lembrar que o penúltimo rei de Portugal, nutria um profundo desprezo pelo seu povo que, esmagadoramente, vivia em condições deploráveis e desesperantes enquanto ele, D. Carlos, esbanjava os dinheiros públicos. É necessário lembrar que esse mesmo rei deu carta branca a um ditador que levou a economia portuguesa ao colapso. E é fundamental sabermos que 101 anos antes outro rei abandonou o seu povo fugindo das invasões francesas. E que a história da monarquia é a história do velho, ultrapassado e obsoleto regime da subjugação. A solução passa por olhar em frente.

A propósito desta data transcrevo aqui excertos de um livro do controverso Miguel Unamuno. Um intelectual que se iludiu e tomou o partido errado, mas que meses antes de morrer proferiu a famosa frase "vencereis mas não convencereis" que lhe custou a expulsão por Franco do seu cargo de reitor da Universidade de Salamanca.

Do livro PORTUGAL, POVO DE SUICIDAS

"O Rei D. Carlos (…) não precisava de João Franco para atrair a si o ódio do seu povo. Nem na outra, assim Era quase unanimemente execrado. Tinha conseguido unir os seus súbditos num sentimento comum a seu respeito; de ódio misturado com desprezo. Está correcto que de todos os lados a imprensa tenha condenado o assassínio; assim o pede a moral que professamos com maior ou menor sinceridade; mas como penso que acima de todos os amores se deve colocar o amor à verdade, tenho de dizer que os tiros sobre o rei partiram das próprias entranhas do povo português. E se a execução do Rei D. Carlos é execrável, é-o como é a execução de qualquer réu. D. Carlos estava julgado e condenado pelo seu povo.

Estive por diversas vezes em Portugal. Convivi com muitos portugueses e a nenhum ouvi alguma vez defender o defunto rei. Não tinha, em rigor, um único partidário. Contavam-se a seu respeito coisas execráveis e horrendas. Ouvi a pessoas que com ele trataram, até a um que foi seu ministro, coisas realmente incontáveis em público. Oliveira Martins (…) deixou o Ministério dizendo que o rei era um monstro de perversidade. Há que ouvir contar as circunstâncias que precederam o suicídio de Mouzinho de Albuquerque, o herói de África, que ao regressar do seu governo colonial, rodeado de um imenso prestígio, foi nomeado preceptor dos filhos do rei e acabou por suicidar-se.

Talvez a história algum dia venha a guardar alguma coisa de tudo isto (…) e a julgar D. Carlos.

Mas de entre as muitas coisas, todas elas vergonhosíssimas, que ouvi acerca do infeliz monarca, a que porventura se me afigura mais grave, se bem que de um ponto de vista moral recorrente possa aos outros não o parecer, é que ele desprezava o seu povo. O pecado mais grave de D. Carlos, o seu pecado imperdoável, é que desprezava Portugal. Costumava dizer, falando da pátria onde reinava: Isto é uma piolheira. E assim como o Evangelho diz que pecados contra o Espírito Santo não têm remissão nem nesta vida nem na outra, assim é pecado irremissível o desprezo de um soberano pelo seu povo. A circunstância de não ser um homem privado de inteligência ou sequer vulgar, agrava a sua culpa a esse respeito. O defunto D. Carlos não era um idiota nem se pode dizer que fosse uma inteligência vulgar. O que ele foi sempre foi um egoísta astuto e um desenfreado gozador da vida.

E este desgraçado monarca fez uma espécie de pacto com João Franco, o ditador (…)

O pacto consistiu em que Franco daria ao rei aquilo que este necessitava, ouro, justificando de uma ou de outra maneira os adiantamentos ou antecipações ilegais do Tesouro Público e aumentando-lhe a lista civil, e o rei daria a Franco o que a este apetecia com frenesi de monomaníaco: o poder.

Porque o apetite de poder que atingira Franco era uma verdadeira loucura. (…) cabe dizer que o lema de Franco era: conserva o poder, honradamente se puderes, mas conserva-o.

(…) Para lograr levar a cabo esses seus supostos bons propósitos havia um grande obstáculo, que era a própria causa do poder: ter transigido com as artimanhas do rei. É difícil cimentar uma administração honrada com um poder que deve a sua origem a uma violação da estrita honradez pública.

Franco cometeu imensos atropelos para reduzir o montante das dívidas do rei. E chamar-lhes dívidas é o menos que se ode dizer…

(…)

E ambos, o rei e o seu ministro, desconheciam o seu povo. O que nada tem de estranho, visto que o desconhecia – e continua talvez a desconhecer – a maior parte dos portugueses europeizantes ou europeizados (…)

O povo português tem, como o galego, fama de ser um povo sofrido e resignado, que tudo suporta sem protestar, a não ser passivamente. E, no entanto, há que ter cuidado com povos como esses. A ira mais terrível é a dos mansos.

Nem me espanta que no complexo sentimento produzido pela notícia do regicídio, na alma dos portugueses aqui imigrados, entre em não pequena medida algo de orgulho nacional. Condenavam a execução, mas pareciam querer dizer: “ vejam do que ainda somos capazes”. Um destes imigrados, ao ler nos jornais que um dos regicidas era espanhol, deixou escapar este desabafo: “não, não, eram todos portugueses, tenho a certeza”.

Sem qualquer cumplicidade no acto, ainda que remota, ao serem surpreendidos pela notícia, orgulhavam-se de que na sua pátria tivesse havido homens com a coragem suficiente para levar a cabo essa execução terrível, da maneira como o fizeram, cara a cara e expondo-se (…)

Portanto, nem o Rei D. Carlos nem João Franco conheciam o seu povo. E aquele demonstrou cabalmente não o conhecer nas suas famosas declarações ao redactor de Le Temps, declarações que constituíam uma verdadeira provocação à mansidão de um povo. Este dormia e rei e ditador despertaram-no.

É muito doloroso mas o certo é que a consciência dos povos adormecidos só desperta com actos de violência. E é ainda mais doloroso porque no comum dos casos não chega um abanão apenas; o dormente volta a adormecer, embora de um sono mais ligeiro e necessita de nova excitação.

Mas pondo de parte o caso concreto, há que reconhecer todo o trágico da escravidão de um monarca.

Um presidente do Conselho de Ministros, um presidente da República, é um homem que se dedicou à política, escolhendo com mais ou menos consciência e determinação essa profissão; é alguém que procurou o lugar, apresentando a sua candidatura ou deixando que outros a apresentassem. Um rei, não. Um rei é um escravo de nascimento que, como quase todos os nascidos em escravidão, não têm força de vontade nem lucidez para se libertar das cadeias com que nasceu.

Não seria terrível obrigar os filhos mais velhos a seguir a profissão de seus pais? Não consideraríamos que era uma tirania intolerável.

(…) Se bem que o regicídio seja considerado um crime, há que reconhecer que a maior parte das vezes é um crime de direito público, não de direito privado.

E neste caso concreto do regicídio de D. Carlos não se deve perder de vista que foi levado a cabo num país com Portugal, onde a pena de morte foi abolida há já algum tempo e onde chegou a haver distúrbios públicos para impedir que se executasse um condenado a ela. É mais uma prova do que é a ira do manso.

Nesse povo brando, pacífico, sofrido e resignado, mas por dentro cheio de paixão, os crimes de sangue são raros, muito raros, raríssimos; mas entre os que ocorrem muitos parece haver que são mais atrozes e violentos do que aqui, em Espanha, onde por desgraça tais crimes são mais frequentes, muito mais frequentes do que lá.

(…)"

Fevereiro de 1908

terça-feira, janeiro 29, 2008

num momento de introspecção

Devo ter propensão para crimes passionais.
... e tenho uma excelente pontaria.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

em estado de conflito

Quando me escondo o que escondo é o conflito.
Não me escondo a mim...
... A não ser que eu seja conflito em estado puro.
Escondida sou conflito em potência.

Dúvida

O que é pior?
Ser-se lírico, pragmático ou esquizofrénico?

quinta-feira, janeiro 24, 2008

nº23 já disponível no


quarta-feira, janeiro 23, 2008

Curso de Jogador de futebol dá equivalência ao 9º ano

Era uma vez o ensino unificado, com uma formação universal, de conteúdos e competências que, em diversas áreas, todos deviam adquirir para estarem melhor apetrechados para responderem às necessidades individuais e da sociedade. Era uma vez uma formação enriquecedora nascida da revolução de Abril.
... Segue-se na imagem o capítulo seguinte desta saga.... Mas a continuação temos todos de a construir para que esta história tenha um fim feliz.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

A falta de espinha de António Avelãs


Têm sido muitos os momentos de decepção na minha vida. Têm sido ainda mais os momentos de frustração. Mas não tenho tido muitas “oportunidades” para de modo cru, imediato, ofuscante e, de certa forma, até “pedagógico” constatar como há supostos seres humanos absolutamente desprovidos de princípios e de palavra. Infelizmente, por poucos que sejam esses episódios, são sempre em demasia.

É um desses episódios que vou contar.

Não se trata propriamente de uma decepção. De há muito que não alimento qualquer expectativa positiva em relação a esta criatura, conheço aliás variadíssimos feitos seus que afastam tal ser da classificação de gente. O sucedido foi mais como uma lição de vida. Como se, por momentos, tivesse espreitado para dentro da caixa de Pandora antes da mesma se ter esvaziado, como se tivesse tido o vislumbre do puro conceito de mentira ou de mentiroso.

É que, por mais que experimentemos na pele e na boca as chicotadas e o sabor da vilania, agarramo-nos sempre à crença de que o nosso semelhante não pode ser assim tão mau. É como questiona Brecht na Difícil Arte de Governar: “será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?”

Faz hoje, segunda-feira, uma semana, fui chamada de urgência ao sindicato (SPGL) para uma reunião de urgência da Comissão Eleitoral. Em causa estava o facto da Lista A (que se apossou ilegitimamente da direcção sindical) querer à força aparecer com um candidato seu a nível regional.

Dias antes tinha estalado a confusão. Provocada pela incompetência e pelo propositado caos processual dos pretensos dirigentes, esclareça-se. O regulamento eleitoral, que não foi aprovado pela Assembleia Geral de Delegados Sindicais (por não ter reunido o quórum necessário) contem inúmeros erros e lacunas – apesar de alguns sócios terem chamado atenção para alguns deles! – O documento resulta do copy-paste de outros regulamentos e está completamente desadequado à presente situação. Não compatibiliza, por exemplo, a existência de candidaturas individuais com a comissão eleitoral, prevê, por outro lado, a possibilidade de poderem votar eleitores (delegados sindicais) depois da publicação dos cadernos eleitorais! É, portanto, um regulamento que não ajuda muito à manutenção da igualdade de oportunidades entre as candidaturas. O dito presidente do sindicato, professor António Avelãs, abordou o colega Luís Filipe Carvalho, propondo-o como candidato regional (de Lisboa) em nome da direcção. Convém aqui esclarecer que são dois os delegados da região de Lisboa a eleger ao congresso da CGTP; um no seio da direcção e outro de entre os delegados sindicais de cada região. O colega aceitou o convite julgando tratar-se do nome a ser eleito pela Direcção Regional de Lisboa. Era mais do que natural que assim fosse: a Lista B foi a eleita para esta direcção regional e o colega Luís Filipe é, para além de um elemento eleito pela Lista B, um dos sindicalistas que assegura a ligação ao movimento sindical unitário através da União dos Sindicatos de Lisboa. Entretanto, e precavendo a “tendência” dos actuais dirigentes de cúpula para a chapelada, o Luís Filipe candidatou-se também a título individual por proposta da Lista B.

A reunião da Direcção Regional de Lisboa fez-se no mesmo dia que a primeira da Comissão Eleitoral. Levianamente, nessa reunião, que não foi convocada para se proceder à referida eleição, fez-se, apressadamente, a “nomeação” ou “indicação” do delegado ao congresso da CGTP e, pasme-se, não foi o colega Luís Filipe.

Na reunião da Comissão Eleitoral constatou-se então a existência de duas declarações de candidatura da mesma pessoa: uma anexa à da Lista B e outra junto com as da Lista A, mas com uma diferença: esta última era diferente das restantes da mesma lista – o que denunciava uma abordagem diferente.

A estratégia dos supostos dirigentes falhara e tornara-se clara – colar este reconhecido activista à Lista A, criando assim a ideia de uma divisão na Lista B, por um lado, e de tolerância e espírito unitário da Lista A, por outro. Falhara porque os sindicalistas da Lista B não propuseram outro candidato a nível regional. Se o tivessem feito o candidato Luís Filipe (que aceitara ser candidato a ser eleito na Direcção Regional) apareceria em oposição a outro candidato proposto, conotado com a Lista B.

A situação ficou pendente e para resolução posterior. Concluiu-se depois que os candidatos, o sendo a título individual, não apareceriam ligados a nenhuma lista.

Mas nesta situação, os pretensos dirigentes tinha de justificar a inexistência de um candidato regional conotado com a Lista A e existência de apenas um reconhecido como sendo da Lista B. Daí a convocação urgente da Comissão Eleitoral.

Como esperáramos, a Lista A, representada por António Avelãs (que não tinha sido indicado para a Comissão Eleitoral e que esteve ali, cumulativamente, representando a direcção), pretendia acrescentar uma explicação sobre a inexistência de um candidato regional seu. A Lista B aceitou na condição de os candidatos regionais poderem, em condições de igualdade, escrever textos de apresentação das suas candidaturas. A resposta dada pelo representante da Lista A e representante da Direcção, o invertebrado António Avelãs, foi também a esperada: havia condições para as listas alterarem os seus textos mas não para os 7 candidatos regionais escreverem os seus. Segundo o duplo representante, no dia seguinte de manhã os textos deveriam ser enviados. Argumentámos que os contactaríamos e se os mesmos tivessem essa possibilidade o fariam, se não, ficariam com os seus textos apenas publicados na página web do sindicato. Não, não e não, responderam, já não apenas Avelãs mas também, os elementos da Mesa da Assembleia Geral. Diziam que assim não seria justo porque não havia tempo útil. Curiosa justificação dada por quem, há cerca de ano e meio, convocou numa sexta-feira à tarde e no sábado de manhã uma tomada de posse para a segunda-feira seguinte às 18 horas (para evitar que a providência cautelar interposta pela Lista B suspendesse os actos). Contra-argumentámos que se havia tempo para as listas alterarem os seus textos também deveria haver para os candidatos regionais se pronunciarem sobre os referidos apoios. A esta exposição a resposta foi mais inesperada: “no plano dos princípios isso é justo, mas não dá!” Dada a inflexibilidade, acabámos por acordar que não seria enviado nenhum texto dos candidatos regionais mas que as listas só poderiam escrever nos seus documentos quem eram os candidatos apoiados, e nada mais. “Nem mais uma linha!”, repeti três vezes e por três vezes António Avelãs concordou: “Nem mais uma linha!

A LISTA A decidiu apoiar Luís Filipe de Carvalho como delegado

a eleger pela Assembleia de Delegados Sindicais da Região de Lisboa.

Esta situação, previamente acordada com o candidato, resulta dos

seguintes factos:

1. O referido dirigente, eleito pela Lista B nas últimas eleições como

membro da Direcção Regional de Lisboa, é o representante do SPGL

na Comissão Executiva da USL.

2-A USL não o indicou como delegado por inerência ao Congresso.

3- Não faz sentido que o representante do SPGL na Comissão

Executiva da USL não seja delegado ao Congresso da CGTP-IN.”

Este é o texto acrescentado pela Lista A ao documento que chegou aos sócios. Como se verifica, não foi mais uma linha, mas sim 10! Para além de “sacudir a água” para cima da União dos Sindicatos de Lisboa (que apenas podia indicar 4 pessoas para o congresso), para além de não assumir que não elegeu o colega Luís Filipe pela Direcção Regional de Lisboa, a Lista A, na pessoa de António Avelãs, demonstrou assim (se dúvidas houvesse) que é um ser escorregadio, algo entre um safio e uma sangue-suga, falta vergonhosamente ao compromisso assumido na Comissão Eleitoral e evita que o mesmo se pronuncie através dos mesmos meios que a Lista que, supostamente, lhe presta o seu apoio.

Paradigma da "modernidade" - o novo modelo de gestão das escolas

terça-feira, janeiro 15, 2008

Em defesa da soberania

Mais uma vez Jerónimo certeiro!


segunda-feira, janeiro 07, 2008

Morrer de desespero

Morrer depois de se esperar 4 horas para se ser atendida nas urgência de um hospital é, literalmente, morrer-se de desespero.

O governo pede sacrifícios, pede que se suporte o encerramento de serviços públicos de saúde como quem pede para abdicar da sobremesa. Pede que se aceite o congestionamento das urgências nos hospitais resultante do fim que deram a muitos centros de saúde e ainda quer que se acredite que estamos perante uma boa decisão para o país e para os portugueses.
O governo pede aos portugueses que morram em nome da obsessão do défice.

O governo tenta convencer o povo que a recusa das baixas prolongadas e das reformas a professoras com doenças graves e em fase terminal de vida é uma boa medida de gestão em favor da pátria.
O governo tenta fazer-nos crer que trabalhar até morrer é sinal de uma boa e moderna governação.

O PSD chora lágrimas de crocodilo e lamenta as mortes, mas ao mesmo tempo acusa o governo de não ter coragem de ir mais adiante nas privatizações e na contenção da despesa pública.

O líder do PP, que esbanjou o dinheiro do estado na compra de submarinos e aprovou os gastos astronómicos na construção de estádios de futebol reitera as críticas do PSD.

Morre-se de desespero em Portugal... Quando chegarem as eleições, em 2009, vais ter medo do papão comunista?

quarta-feira, dezembro 26, 2007

segunda-feira, dezembro 24, 2007

natal...

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Uma sentença que revela a impotência de um Estado perante a existência de Euskal Herria

cartoon do Gara

O processo político sob formato judicial que decorreu durante dezasseis largos meses na madrilena Casa de Campo alcançou ontem a estação prevista com o resultado conhecido de antemão. A circunstância de nenhum agente político e social de Euskal Herria se ter surpreendido com o resultado deste procedimento judicial é o primeiro indício claro do carácter excepcional do ocorrido com o mega-processo 18/98. A partir daí, o facto do tribunal ter condenado a uma pena global que supera os 500 anos de encarceramento a 47 pessoas e as acuse de integrar ou colaborar com a ETA por desenvolverem tarefas de administração de empresas, de direcção de um meio de comunicação, de promoção da desobediência civil ou de difusão, tanto no contexto interno como no internacional, de um projecto político converte-se num elemento que, lamentavelmente, se situa também no âmbito do previsível. É que a sentença lida ontem pela presidente do tribunal, Angela Murillo, não revela nada de fundamental, limita-se apenas a outorgar com selo judicial os mesmos informes policiais que serviram ao juiz instrutor para deter pessoas, encerrar empresas, acabar com meios de comunicação e declarar a ilicitude de entidades que se caracterizam por ter una ampla e reconhecida trajectória pública em Euskal Herria.

Da leitura das mais de mil páginas que tem a sentença pode-se tirar uma primeira conclusão. Não no plano jurídico, pois nesse âmbito há vozes mais doutas para emitir opinião, senão no campo da análise das implicações políticas e sociais que acompanham esta condenação anunciada. Seguramente contra a vontade do tribunal, a sentença destila ignorância e incompreensão sobre o que se passou em Euskal Herria desde a morte na cama do ditador Francisco Franco até aos nossos dias. O tribunal tinha-o demonstrado já no julgamento e corrobora-o nesta sentença de deficiente redacção: não conhece as pessoas que julga, não conhece as entidades que criminaliza e não compreende os motivos dos seus compromissos pessoais e colectivos. O tribunal não oculta a sua estupefacção ante atitudes que não encaixam no modus operandi da democracia vigiada de que se dotou o Estado espanhol no final do franquismo.


A sentença castiga conselheiros e jornalistas do diário «Egin» e aplica-lhes as penas mais elevadas. O tribunal relata-nos, entre balanços contabilísticos que vêm constatar a precária situação económica desse media, que o «Egin» tinha entre as suas prioridades «denunciar sistematicamente a corrupção política e económica» ou defender os «valores culturais autóctones e em especial o euskara». O tribunal condena sem se perguntar porque é que milhares de leitores bascos (e do Estado) buscavam informar-se nesse órgão que o surpreendido tribunal assinala que surgiu com contribuições populares e que procurou aliviar as suas contas com colectas entre os cidadãos e organizava uma festa anual para o mesmo efeito. O tribunal tenta julgar, mas não pode, uma parte da história de Euskal Herria, neste caso do jornalismo basco.


O tribunal escreve que os condenados declaram-se militantes do movimento ecologista, activistas do movimento popular, militantes de KAS, representantes de organizações internacionais com sedes abertas ao público em capitais europeias, membros de Ekin, ... O tribunal, no entanto, não sabe explicar porque é que, sabendo-se que a tese de Garzón passava por vincular todas estas actividades à ETA e de que isso poderia implicar, como aconteceu, largas penas de prisão, estas pessoas fizeram gala perante o tribunal das ditas actividades. O tribunal não entende, seguramente, que estas pessoas tenham dedicado anos da sua vida à promoção de ideias, projectos, organismos, movimentos que são parte indissolúvel da história recente de Euskal Herria.


Porque, efectivamente, é disso que o tribunal trata de condenar, e não importa que para tal caia na incongruência ou no insensato de estender a integração ou colaboração com a ETA a supostos não avalizados por tribunais espanhóis superiores em categoria à Audiência Nacional. Não importa se não se tem armas nem se dá ajuda efectiva para cometer atentados. Tampouco condenar José Luis Elkoro, mesmo que isso implique «condenar» o trabalho de mediação entre a ETA e instâncias de governação do PSOE que a sentença lhe atribui.


As torturas delatam o tribunal

Trinta páginas, nada menos, dedica o tribunal a tratar de safar-se das acusações de torturas que pairaram sobre o processo. O tribunal tampouco aqui recolhe provas, constata apenas a sua incredulidade. E pese o dilacerante do caso permite-se inclusive expressões depreciativas do tipo «entre compungidas frases, xxx relatou...». Não explica o tribunal, e assim o escreve, como podem denunciar-se delitos que não encontram aval nas informações da Guardia Civil, do tribunal, da juíza, dos carcereiros... A resposta é clara para este país, mas não está ao alcance do tribunal que ontem se delatou definitivamente ao esforçar-se em argumentar o carácter não político deste processo na história de Euskal Herria.

Tradução livre do
Gara

quarta-feira, dezembro 19, 2007

TODOS AO PORTO!

segunda-feira, dezembro 17, 2007

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Vida de professor nos dias que correm

Faço projectos, planos, planificações;
Sou membro de assembleias, conselhos, reuniões;
Escrevo actas, relatórios e relações;
Faço inventários, requerimentos e requisições;
Escrevo actas, faço contactos e comunicações;
Consulto ordens de serviço, circulares, normativos e legislações;
Preencho impressos, grelhas, fichas e observações;
Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos, planificações;
Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e encadernações;

Participo em actividades, eventos, festividades e acções;
Faço balanços, balancetes e tiro conclusões;
Apresento, relato, critico e envolvo-me em auto-avaliações;
Defino estratégias, critérios, objectivos e consecuções;
Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas redacções;
Informo-me, investigo, estudo, frequento formações;
Redijo ordens, participações e autorizações;
Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;
E mais actas, planos, projectos e avaliações;
E reuniões e reuniões e mais reuniões!...

E depois ouço,
alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores,
observadores, secretários de estado, a ministra
e, como se não bastasse, outros professores,
e a ministra!...

Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;
Assino, rubrico, sumario, sintetizo, informo;
Averiguo, estudo, consulto, concluo,
Coisas curriculares, disciplinares, departamentais,
Educativas, pedagógicas, comportamentais,
De comunidade, de grupo, de turma, individuais,
Particulares, sigilosas, públicas, gerais,
Internas, externas, locais, nacionais,
Anuais, mensais, semanais, diárias e ainda querem mais?
- Que eu dê aulas!?...

ao que consta, de Ana Manaça Correia

quinta-feira, dezembro 06, 2007

português que atropela e foge não é terrorista

Haverá manifestações de pesar e revolta amanhã em Madrid?
ou este guardia civil não foi vítima do terrorismo?

"Português detido em Espanha

Atropelou agente da Guarda Civil e pôs-se em fuga

Um cidadão português foi detido na fronteira luso-espanhola, depois de ter atropelado um agente da Guarda Civil e fugido, informaram fontes do corpo policial.

Ao início da tarde de ontem, num controlo de tráfego em Ciudad Rodrigo, a cerca de 18 quilómetros da fronteira com Portugal, o condutor português atropelou o agente e pôs-se em fuga, acabando por ser detido já na vila fronteiriça de Fuentes de Oñoro.

Até ao momento desconhece-se a identidade do detido.

O agente da Guarda Civil está hospitalizado num hospital de Salamanca."

in Jornal de Notícias

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Mega-Processo 18/98 ou a dignidade dos bascos



Na passada sexta-feira, dia 30 de Novembro e até hoje, 3 de Dezembro, a polícia espanhola deteve 38 dos 46 cidadãos bascos arguidos no denominado mega-processo 18/98, ainda que a sentença do julgamento só esteja prevista para dentro de semanas.

Depois do aparatoso encarceramento de 23 membros dirigentes do Batasuna no passado mês de Outubro, esta foi a mais mediática das operações levadas a cabo pelo estado espanhol e serve como uma luva a satisfação de uma estratégia política de conquista da direita espanhola. É tempo de se dar provas. As eleições estão próximas.

Mas estas prisões, a somar às centenas que se têm produzido nos últimos tempos (em média duas por dia) são mais do que a demonstração do governo PSOE da sua fidelidade à direita, fazem parte de um continuado processo de censura, perseguição e agressão à esquerda independentista basca.

Importa aqui esclarecer que o mega-processo 18/98 não é uma única peça judicial mas um conjunto de processos que, guiados pela mesma matriz, cumprem os mesmos objectivos. Foi o próprio juiz Baltasar Garzón que entendeu coligir a matéria em questão de forma a tratá-la como um todo. Em todos eles se identificam as seguintes características:

- Uma mesma linha de argumentação e uma tese comum – a de que todas as pessoas, organizações, associações e partidos envolvidos pertencem à ETA.

- Uma tipologia dos presumíveis autores dos “delitos” praticados - Todas elas pertencem a organizações políticas ou organismos populares de diferentes âmbitos: comunicacional, social, político, cultural, em torno da defesa dos direitos humanos.

- A iniciativa ou o impulso da actuação e a responsabilidade da instrução e investigação. Exceptuando o processo sobre Egunkaria todos os casos foram levados ao tribunal pelo Juiz titular do Tribunal Central de Instrução Nº 5 da Audiência Nacional espanhola, Baltasar Garzón.

- Os procedimentos judiciais não encontraram provas incriminatórias sobre os delitos a que se referem, cuja autoria permanece desconhecida. Esses procedimentos são apenas de interpretação policial condicionada e muitas vezes incorrecta dos abundantes documentos.

Desde cedo, devido ao conjunto de atropelos e ultrapassagem de procedimentos normativos, à arbitrariedade, falta de rigor e isenção, ficou evidente que não se estava perante o poder judicial mas antes de uma evidente vontade política, atempadamente denunciada e provada. São de destacar alguns episódios e actuações:

- Em diversos dos casos apresentados ao tribunal, a 4ª Secção da Audiência Nacional Espanhola produziu autos que deram por infundamentadas ou despropositadas as acusações realizadas. No processo referente à associação europeia Xaki o tribunal conclui: “é claro, e assim o reconhece este Tribunal, que nenhuma aparência de ilicitude apresentam, enquanto tais, os fins da Associação Europeia Xaki, sendo uma associação que actua publicamente e que se encontra legalmente constituída”. “Prestar assistência jurídica ou sanitária aos deportados no estrangeiro, realizar acções para evitar que prosperem as petições de extradição, criticar o sistema legal espanhol, promover o reconhecimento internacional do direito de auto-determinação, e inclusive, difundir dentro e fora de Espanha a denominada Alternativa Democrática de Euskal Herria, são condutas que, por si, carecem de significação criminal, independentemente de serem realizadas por uma pessoa individual ou, conjuntamente, por várias pessoas associadas a tal fim.

O governo espanhol (na altura encabeçado por Aznar) declarou publicamente que considerava “ especialmente grave” a decisão deste tribunal e mostrou-se convencido que era “muito difícil de entender por parte da sociedade espanhola”. Estava-se perante uma clara pressão, exercida pelo governo, sobre o poder judicial e assim, o próprio juiz Garzón encarregou-se de contrariar as decisões da referida secção e declarar a suspensão da associação enquanto “estrutura integrada na ETA”.

A continuada pressão dos poderes do estado espanhol sobre o tribunal acaba por sortir efeito e esta começa a produzir autos contraditórios (como o que se refere a Ekin) e mais tarde os seus magistrados acabam por ser destituídos.

- No caso da Fundação Joxemi Zumalabe, a nova secção da Audiência Nacional decide criminalizar a desobediência civil, um método clássico de oposição e resistência pacífica característico de um estado democrático, e integrá-la, uma vez mais, como parte de um aparelho altamente elaborado dirigido pela ETA.

- No que se refere aos jornais, o juiz Baltasar Garzón desenvolve a teoria de que ao tecerem críticas a determinadas pessoas ou entidades os jornalistas estão a assinalá-las como alvo de ataque da ETA, logo integram a organização.

- Ao longo do processo vários arguidos referiram e demonstraram terem sido alvo de tortura durante os períodos de incomunicabilidade. Alguns foram inclusive hospitalizados. O tribunal ignorou estas acusações e considerou os relatórios e as “perícias” produzidas nessas circunstâncias.

- Também o julgamento, propriamente dito, foi repleto de situações que mancham e destroem o próprio conceito de justiça – desde a juíza declarar que não se interessava pelas resoluções do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, passando pelo impedir o uso da palavra aos acusados, o negar aos advogados de defesa o acesso à documentação do processo (5 tomos, cerca de 100.000 folhas), até ao permitir que um polícia prestasse declarações em vez do citado no processo.

Apesar de toda esta informação ser, com relativa facilidade, acessível a qualquer cidadão, a comunicação social portuguesa dita de referência, distraída e acrítica, nas vésperas e no dia em que se assinalam 367 anos da restauração da independência nacional, prestando vassalagem ao poder dominante no estado espanhol, publica sobre os acontecimentos de 30 de Novembro as seguintes notícias:

“(…)envolve investigações a pessoas próximas da organização terrorista basca ETA” SIC Online

É escusado perguntar ao autor da peça se conhece os aspectos particulares do processo para produzir uma afirmação destas. A resposta, obviamente, é não. Contudo não se coíbe de dizer aquilo que não sabe.

A Justiça espanhola emitiu hoje mandados de captura contra 46 membros de organizações separatistas bascas suspeitas de ligações à ETA.”

O Público começa por ser mais cauteloso mas acaba por revelar também falta de rigor e verdade jornalística:

Estes elementos estão entre os arguidos do maior processo organizado em Espanha contra estruturas ligadas à rede da ETA” Publico.pt

As pessoas alvo destes mandatos de detenção fazem parte de um conjunto de 52 arguidos do processo 18/98, que investiga entidades e organismos ligados À ETA.” Correio da Manhã

Ordem para pender etarras

Carlos Roldán Martín, Correspondente em Madrid

A Audiência Nacional de Espanha ordenou, ao meio dia de ontem, a detenção de 46 dos 52 envolvidos no processo 18/98 contra a "Ekin", a estrutura da ETA que sustituiu à Koordinadora Abertzale Socialista (KAS), encarregada da estrutura económica, das relações internacionais, mediáticas e políticas da ETA. Até ao fecho desta edição, a Polícia e a Guarda Civil tinham já detido 20 pessoas, entre as quais se destaca Xavier Alegria, líder da KAS.” Jornal de Notícias

Carlos Roldán Martín adianta pormenores cometendo imprecisões e apresentando como verdade a tese delirante de Garzón.

“Numa ordem emitida ao início da tarde, a Audiência Nacional ordenou a detenção de 46 dos 52 arguidos do processo conhecido como 18/98, que investiga entidades e organismos ligados à organização terrorista ETA.

As detenções foram ordenadas perante «o elevado risco de fuga» depois dos juízes terem finalizado as suas decisões sobre o processo, cuja sentença deverá ser conhecida no próximo dia 10 de Maio.” Diário Digital

O Diário Digital nem se apercebe do erro grosseiro que cometeu. Adia a decisão do tribunal por 6 meses e não questiona o exagero na antecipação da prisão preventiva.

Outros como o Diário Digital dão a mesma “informação”; que “o elevado risco de fuga” determinou a antecipação da prisão.

Nenhum terá lido a declaração que os acusados fizeram em Fevereiro deste ano: “vamos ser condenados pela nossa militância política, e estamos orgulhosos”. Se a tivessem lido e com um pouco de cabeça saberiam que alguém que em Fevereiro tem consciência que vai ser preso e quer fugir não espera por Dezembro.

Poderão responder que apenas reproduziram o que vinha de uma nota de origem provavelmente ligada às autoridades espanholas (mas que nem se dão ao trabalho de identificar). E assim vão fazendo o seu trabalho, o de serem a voz do dono: nada questionando, nada investigando, aceitando tudo o que venha das fontes “oficiais” e vestindo a hipócrita farda da isenção.

Em Junho tive a oportunidade de conhecer muitos destes homens e mulheres bascas agora arguidos num processo que lembra os autos de fé da idade média. Encontravam-se “aquartelados” em Guernica. Aí se concentraram numa chamada de atenção para a sua situação. Não encontrei traços diabólicos, criminosos ou terroristas em nenhum deles. Apenas gente empenhada nas suas causas sociais, culturais, políticas, e revoltada contra a arbitrariedade, contra o abuso e a tirania do poder. Gente comovida com a nossa atenção e que de tanto quererem explicar a sua situação já não encontravam palavras. Gente solidária e patriótica. Ali encontrei um pescador que conhecia todos os portos de pesca portugueses, um jornalista que ao falar parecia declamar poesia, um advogado que era um exímio cozinheiro. Gente simples.

Gente simples esperando uma sentença de 15 anos de prisão.

E não, não fugiriam.

Enquanto escrevo estas linhas já se encheram as ruas de Bilbao com dezenas de milhar de pessoas numa gigantesca manifestação de solidariedade com esta gente simples e de revolta contra esta opressão exercida sobre o povo basco. Notícias sobre isto? nenhumas


sexta-feira, novembro 30, 2007

4ª Feira - A não perder!

construção

"...
la estrella de la esperanza
continuará siendo nuestra."

vientos del pueblo - Victor Jara
(é possível escutar esta linda canção do Victor Jara clicando no "play" referente à mesma na barra do lado direito onde diz MÚZIKAAA)

quarta-feira, novembro 28, 2007


Já me tenho sentido assim...

Isto já só lá vai à chapada!


Já me vai faltando a paciência para a democracite.
Há coisas que não são para tolerar. Da mesma forma que há coisas que não são para experimentar.

fonte da imagem

como é popular a vigança!

Amor com amor se paga.

Olho por olho, dente por dente.

Cá se fazem, cá se pagam.

Quem ri por último, ri melhor.

A vingança é um prato que se serve frio.

nota: sempre fui um pouco vingativa. Infelizmente, nunca consegui satisfazer em pleno um desejo de vingança. Apesar disto fui tomada por um estranho sentimento de diplomacia... mas que ainda não abrange os poderes instituídos.

segunda-feira, novembro 19, 2007

eu, o meu pai, Diógenes, o sono e o sol

Hoje recebi uma mensagem deliciosa, daquelas que são pimbas e cheias de clichés mas que às vezes fazem falta para nos fazer rir. A mensagem contava a história da cigarra e da formiga mas tinha um final inesperado: a cigarra de tanto cantar foi "descoberta" por um grande produtor que celebrou com ela um contrato milionário e levaria para Paris. Moral da história: trabalhar sem parar só faz bem nas fábulas do La Fontaine e aos bolsos dos patrões.

Depois, e mais uma vez, fui bombardeada com aquele anúncio horrível do BES apologista da ideia contrária à mensagem que recebera, "O Cristiano Ronaldo deitado não rende", que é como quem diz: "não durmam, não descansem, trabalhem, trabalhem, trabalhem, para renderem, renderem, renderem, e depois morrerem de esgotamento. "

A seguir fui visitar o meu pai e, pela 74ª vez, ouvi-o contar a sua história favorita. Tendo em conta que anualmente, em média (nos últimos 11 anos), estou com ele duas vezes, qualquer um rapidamente deduz que ele conta a dita sempre que me vê (para além das vezes em que ma contou na minha infância e adolescência). Mas ele não a conta de qualquer maneira, assim só porque se lembra. A história vem sempre no seguimento de uma qualquer pergunta que lhe faço sobre a sua vida*. Ele responde e, como se constatasse o ridículo que é levar a vida demasiado a sério, acaba por contar a história com brilho de inveja nos olhos. E hoje, quando o ouvi falar notei que estou a ficar com uma perspectiva das coisas muito parecida com a dele. Como um dia li algures; somos cada vez mais nós próprios e cada vez mais iguais aos nossos pais.



A história é a seguinte: Diógenes, o filósofo de rua, como o foi o Paulino da Figueira-da- Foz (herói de infância do meu pai) na linha do Albino Forjaz de Sampaio (outro herói do meu pai, este pelo seu "vai para a puta de que te pariu - Albino Forjaz de Sampaio" como resposta a "o sono é a antecâmera da morte - Shakespere") estava deitado no seu barril, apanhando um delicioso e cálido sol quando Alexandre, o Grande, o visitou e colocando-se entre o filósofo e o sol perguntou o que poderia fazer por ele, ao que a resposta do homem foi: "Não me tires o que não me podes dar!"

Segundo reza a lenda, Alexandre terá dito depois: "Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes."
... Também o meu pai... ... Também eu...

... Parece que o Sócrates morreu no dia em que o Diógenes nasceu



*filha: E como vai a fábrica da coca-cola?
pai: preferia trabalhar numa de cerveja, a coca-cola não me sabe nada bem.

na imagem "o reencontro de Diógenes e Alexandre",
Pierre Pujet, 1680, Museu do Louvre

sexta-feira, novembro 09, 2007

30 Nov. GREVE!

quarta-feira, novembro 07, 2007

Viva a Revolução de Outubro!

O futuro nasceu há 90 anos

quinta-feira, novembro 01, 2007


é já amanhã!

quarta-feira, outubro 31, 2007

Pessoas II

A charmosa, distante e bela, ...
mas no fundo ela é emocionalmente um pouco desequilibrada

segunda-feira, outubro 29, 2007

Pessoas I

o entusiasta, sempre alegre, bate com a mão no peito,
... mas pouco activo

sábado, outubro 27, 2007

terça-feira, outubro 23, 2007

domingo, outubro 21, 2007

A MESQUITA DE CÓRDOBA


clicar na imagem para ler


qual causa ambiental?


(imagem de rebelion.org)

quinta-feira, outubro 18, 2007

um aviso a 200.000 vozes

Apesar das 200.000 vozes que se fizeram ouvir pelas ruas dos Olivais e Parque das Nações, os governos europeus insistem em fazer orelhas moucas à manifestação da vontade popular e lá permitiram e promoveram o acordo sobre a flexigurança.
Os amarelos cumprem o seu papel - já não representam nada nem ninguém mas fingem ser defensores dos interesses dos trabalhadores.
Este foi mais um aviso...
Sócrates escuta...
... e tu, Durão, põe-te a pau!


video CGTP

quarta-feira, outubro 17, 2007

segunda-feira, outubro 08, 2007

Repressão à acção sindical docente

Mas a repressão também se vai fazendo sentir noutros pontos da penísula ibérica... (ver post anterior)
Aqui, no nosso paísito "pacato" e de "brandos costumes", vai aparecendo aqui e ali, cada vez com mais intensidade e frequência, a acção e vontade de esmagar a contestação às desastrosas políticas do Governo PS - ver o link abaixo:

FREEBATASUNA

A caminho de Córdoba fomos surpreendidos com a notícia da detenção de 23 dirigentes do Batasuna.
O que mais me chocou foi a forma como as rádios (cujos postos íamos constantemente rodando) relatavam o acontecimento. Exceptuando uma única, nem um pingo de respeito pela esquerda independentista basca e nem uma frase lúcida sobre as causas da detenção. Passavam atestados de estupidez aos ouvintes e o fel daqueles jornalistas vinha pelo ar através das colunas do carro e já sentíamos na boca. Mudámos o posto - preferimos, apesar de tudo, as 300.000 mil músicas que vibram falando do corazón.
Imagino que a cabeça dos espanhóis seja constantemente lavada com coisas destas, a maior parte, apesar de ouvir e tanto falar no corazón, deve tê-lo perfeitamente anestesiado no que toca aos atropelos e atrocidades que são cometidas contra tudo o que cheira a independentista basco. calculo que muitos já achem natural e incontestável considerar ridícula e selvagem a luta basca pela auto-determinação.
... Mas entretanto ela trava-se.
http://free-batasuna.blogspot.com/

sexta-feira, outubro 05, 2007

outra vez anotações

A minha disponibilidade mental para postar tem sido escassa. A minha vida e avida ao meu redor fervilham com acontecimentos dignos de nota e eu sem capacidade de escrever. Ó que inveja daqueles que têm as palavras na ponta da língua ou dos dedos! Resumo-me mais uma vez a breves e frugais notas:

SPUTNIK - 50 anos - algo de estranho se passa. Os jornais internacionais têm referido muito o assunto....

Prenderam Joseba Alvarez
, responsável pelas relações internacionais do Batasuna, por ter participado numa manifestação no passado dia 9 de Setembro em Donostia.
No últimos tempos Joseba estava particularmente empenhado no contacto com agentes e personalidades internacionais na busca da resolução do conflito basco numa base de diálogo. Para ver a detenção clicar aqui. Para consultar artigo do gara clicar aqui.

Na véspera da detenção, na passada segunda-feira, dia 1, o ministro do Interior espanhol, Alfredo Rubacalba, veio a Portugal, assinar com governo português, um acordo para o combate ao "terrorismo"...

gostava de conhecer os termos desse acordo...


Amanhã dia 5 de Outubro, assinalam-se os 97 anos da nossa república - feita traidora à pátria vou rumar à monarquia vizinha.


No mesmo dia comemora-se o dia mundial do professor. A Fenprof vai marcar o dia no coliseu dos recreios e conta com a presença, entre outros, de José Trujillo Campos (FE CCOO, Espanha; Internacional de Educação) . Mais uma vez sou uma traidora - vou passear-me para Espanha enquanto o espanhol vem a Portugal.


A Marta fez anos!


Prosseguem os preparativos para dia 18