quinta-feira, julho 13, 2006

a trabalhar para a festa - os desalojados

terça-feira, julho 11, 2006

A rapariga das cerejas e das estrelas
(a treinar o Illustrator)

segunda-feira, julho 10, 2006

*Vermelhices (Comentários Políticos) XL*

Estou seriamente a pensar escrever uma carta aberta ao ministro Sócrates. Qualquer coisa que comece assim:

"Senhor ministro,

Que mal lhe fiz eu? Não sou preguiçosa nem incompetente, quero poder contibuir com o meu trabalho para o desenvolvimento do país, quero ter sustento e estabilidade de vida para a poder gozar. Não tenho grandes ambições de riqueza material, apenos quero o suficiente para poder comer e manter uma modesta casa, para poder ligar aos meus amigos e ir passear com eles, para, de vez em quando, poder ir ao cinema, a um concerto ou outro e a uma exposiçãozita.
Não percebo porque é continuo desempregada; os meus rendimentos a baixarem, as despesas com transportes, comunicações, luz, gás, alimentação, seguros, sempre a aumentarem e a ver a riqueza de uns cada vez maior.
Que mal lhe fiz eu? Foi não ter votado no seu partido? mas e outros que votaram? estão a ser castigados porquê? É por não ser bonita? O Belmiro tamém é feio...
Só encontro uma explicação: o senhor ministro está zangado e quer vingar-se nos portugueses. Não seria melhor retirar-se? procurar um bom psiquiatra e tentar apaziguar-se com o país?"

Bom, a coisa seria mais ou menos assim. Que tal?

sexta-feira, julho 07, 2006

Todos à Comuna para ver o André

terça-feira, julho 04, 2006

Aquela noite de Dezembro, em clima de festas, foi quase uma prenda de Natal.

Não sabia então que alguém tão cuidadoso com as palavras pudesse não ter pensado no que dizia.

Depois apercebi-me que as pessoas estão dispostas a tudo no limite da possibilidade e que, não raras vezes, esses limites são bastantes estreitos.

Riste-te num momento, quase derradeiro, em que, olhando o céu pensei em voz alta; “tudo é possível, tudo é concebível, nem tudo é executável”.

É estranho como as coisas óbvias são por vezes as mais difíceis de serem paridas.

quinta-feira, junho 29, 2006

Reflexões

No café discutia-se quem ia ganhar o concurso de dança. Era cedo e os empregados distraíam-se com a televisão. Olhando para eles ninguém pensaria que tinham tanto para dizer sobre danças de salão. Em pouco tempo mudaram de assunto; o futebol ganha sempre sobre qualquer conversa. No entanto, o cliente que entretanto se sentou não parecia estar a par das novidades. Fazia perguntas enquanto enrolava um cigarro e tomava lentamente uma cerveja. À falta de companhia olhava também de relance o concurso de dança que, entretanto, suscitara nova discussão: o local onde decorria. Ela, sentada um pouco mais à frente do que ele, lembrou-se que esse local já fora palco de muitos acontecimentos relevantes para a história do país. Com um pouco de sorte e empenho poderia vir ainda reconquistar essa importância e não se ficar pelos concursos de dança televisivos, imitações medíocres de entrega de Óscares, teatros musicais promovidos pelo statuos quo ou de touradas. Sim, aquele local poderia voltar a trazer ao rubro a vontade popular. Pensava ela nisto e pensava sobre a maneira de reverter o preconceito instalado sobre tudo o que fossem manifestações políticas de cariz revolucionário.

Ele pediu o jornal e perdeu-se na sua leitura.

Ela interrompeu os pensamentos e deteve-se na máquina das bolas surpresa. Depois reparou nele. Apreciou-o. Bebeu mais um gole de cerveja preta. “Não nos conhecemos e, provavelmente, nunca chegaremos a conhecer-nos. Como é esta vida de cidade! Cruzamo-nos vezes sem conta com certas pessoas. Já o tinha visto e morrerei sem falar com ele”.

terça-feira, junho 27, 2006

Mais um auto-retrato

* Gosto de coretos, particularmente em dias quentes de verão.
* Tenho projectos até ao fim da vida.
* Se visse o José Socratés acho que lhe cuspia na cara.
*
Teho saudades de comer abacate com limão e açucar, como o meu pai preparava quando era pequena.

*
Gosto de programas a dois que incluam passear pelas ruas e ver montras.

*
Se visse o Cavaco Silva também lhe cuspia a cara.

*
Mordo-me de inveja cada vez que vejo uma auto-caravana.

*
Choro quando vejo filmes de natal.

*
Gravo melodias que invento. mas como não sei música fico-me pelos assobios.

*
Gostava de ouvir atrás das portas uma conversa sobre mim.

* Fascinam-me os desenhos animados com casas nas árvores (o David, o gnomo e o vento nos salgueiros encantam-me).
*
Tenho medo de escrever uma carta a mim própria no futuro.

quinta-feira, junho 08, 2006

quase no fim

Este moinho vai desaparecer.
... Já falta pouco.

A rapariga vai continuar.

terça-feira, maio 30, 2006

Esta é a gaja de cara redonda, cabelos arruivados, lábios grossos e pele macia que povoava o imaginário dos rapazes nos anos 5o. Hoje em dia está fora de moda, tirando aqui e ali, ali e aqui.
As estrelas verdes servem para fazer contraste com o cabelo. Para quem não sabe, a velha combinação de cabelos ruivos e olhos verdes é muito fascinante por causa da complementaridade cromática. O fundo de padrões é parecer mais anos 50.
E não façam mais perguntas .
Bom, está bem... só mais esta: a estrela é porque ela é comunista (até andou na resistência francesa. Chama-se Charlotte).

sexta-feira, maio 19, 2006

Um grande pedido de desculpas a todos os que esperavam ver neste blog artigos de informação e opinião política. Mas agora só me dá para usar o lado esquerdo do cérebro...
Costuma-se dizer que aos artistas perdoa-se tudo. Gostava mesmo de ser artista... Feitio já tenho, só me falta a obra!

Quando chegará?

sábado, maio 13, 2006

Saudades da ilha azul

Saudadinha

Ó Tirana saudade
Ó Tirana saudade
Saudade, ó minha saudadinha
Foste nada no Faial
Foste nada no Faial
Foste nada no Faial
No Faial baptizada na Achadinha

Saudade onde tu fores
Saudade onde tu fores
Saudade onde tu fores
Saudade leva-me podendo ser
Que eu quero ir acabar
Que eu quero ir acabar
Que eu quero ir acabar
Saudade onde tu foras morrer

A saudade é um luto
A saudade é um luto
A saudade é um luto
Um amor, um amor, uma paixão
É um cortinado roxo
É um cortinado roxo
É um cortinado roxo
Que me morde, que me morde o coração

popular açoriana (adaptada por Josá Afonso)

sexta-feira, maio 12, 2006

Inconsistente

Já cheguei

Já parti

E enquanto não fiquei

Fugi

sexta-feira, maio 05, 2006

Quereres

" (...)

Eu queria querer-te e amar o amor, construír
mos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és

(...)

O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim"


Cetano Veloso

sexta-feira, abril 28, 2006

ARTE DE TRANSFORMAR XLI I

COMO SERÁ ESTAR CONTENTE?

Como será estar contente?
Lançar os olhos em volta,
moderado e complacente,
e tratar com toda a gente
sem tristeza nem revolta?
Sentir-se um homem feliz,
satisfeito com o que sente,
com o que pensa e com o que diz?
Como será estar contente?

Deve haver qualquer mecânica,
qualquer retesada mola
que se solta e desenrola
no próprio instante preciso,
para que um homemde carne,
de olhos pregados no rosto,
possa olhar e rir com gosto
sem estranhar o som do riso.

Na minha tosca engrenagem,
de ferrugenta sucata,
há qualquer mola de lata
que não se distende bem,
qualquer dessorada glândula
ou nervo que não se enfeixa,
qualquer coisa que não deixa
deflagrar essa girândola
de timbres que o riso tem.

Não ter riso e não ter casa,
nem dinheiro nem saúde,
não se conta por virtude
que a miséria é ferro em brasa.

Mas ter casa, ter dinheiro,
ter saúde e nao ter riso,
flagelar-se o dia inteiro
como se o sangrar primeiro
fosse um tormento preciso,
tê-lo sempre forte e vivo,
espantado a todo o momento,
isso sim, será motivo
de grande contentamento.

ANTÓNIO GEDEÃO

terça-feira, abril 25, 2006


"E só nos faltava agora que este Abril não se cumprisse"

quarta-feira, abril 12, 2006

ARTE DE TRANSFORMAR XLI

A vida não é uma brincadeira.
Leva-a- a sério
como faz o esquilo, por exemplo,
sem nada esperares
de fora ou no além.
Tens apenas que viver.

A vida não é uma brincadeira.
Leva-a a sério,
mas tão a sério
que, posto contra a parede, por exemplo, de mãos atadas,
ou dentro de um laboratório
de bata branca e óculos grandes,
morras para que outros vivam,
outros de quem nunca verás o rosto,
e morras sabendo
que nada é mais belo, nada é mais verdadeiro do que a vida

Leva-a- a sério,
mas tão a sério
que aos setenta anos, por exemplo, plantarás oliveiras
não para as deixares aos teus filhos
mas porque embora a temas
não acreditas na morte
e sabes que a vida tem mais peso.

- Nazim Hikmet -

terça-feira, abril 11, 2006

orquídeas, gravitações e cicatrizações

"...
and when she sees his words and reads
she thinks of him"


... E ele? Calou-se depois de as escrever?
E só as teria dito? ou também as teria pensado?
E só as teria pensado? ou também as teria sentido?

Tudo foi maior do que esse sopro de uma noite.
As gravitações em torno dela deram lugar aos empurrões na concha dele.

Ele disse que cicatrizava. E ela?

"Dicen que no tengo duelo Llorona

porque no me ven llorar.

Hay muertos que no hacen ruido, llorona
y es más grande su penar."

As orquídeas continuam a florir

quarta-feira, abril 05, 2006

informação de última hora

sexta-feira, março 10, 2006

*Vermelhices (Comentários Políticos) XXXIX*

Dizia Zita Seabra, esse paradigma da coerência, da assertividade e da lealdade, na sua página quinzenal na revista, também ela maravilhosa, Vidas (para quem não sabe, é a que sai aos domingos com o Correio da Manhã) – e que eu só leio porque o meu avô a compra e a minha mãe traz para casa - , que: 1 - a “coisa” era atacada por todos os candidatos; 2 - os candidatos que não tinham hipótese de chegar a Belém tinham a vida facilitada porque podiam extravasar no seu discurso as competências do PR; 3 – falar do deficit era extravasar as competências do PR; 4 – aceitava que a “coisa” só percebia de finanças e acrescentava que “ (…) no entanto, lamentavelmente, o país está cansado de promessas, de belos discursos sem conteúdo, e quer que se acabe com este pesadelo de vermos a situação nacional agravar-se até chegarmos à insustentabilidade onde nos encontramos presentemente.”; 5 – se concebia o país e os candidatos “como se tratasse de uma espécie de luta entre o verbo e a verba, em que se considera analfabeto quem sabe de verbas e culto quem domina o verbo!”; 6 – achava que não devia ser presidente quem não lesse todos os dias o Financial Times ou o Spectator uma vez por semana, ou quem não tivesse um computador portátil e, acrescentava, não o usasse nas viagens (e eu a achar que era perigoso ligar os computadores nos aviões). Isto dizia ela a propósito da cultura sob o seu ponto vista (“tem muito que se lhe diga”); 7 – tinha um genro que ia trabalhar todas as semanas para a Suécia e voltava para trabalhar em Portugal. Finalizava lembrando que se ia eleger um Presidente para os próximos cinco anos.

Demorei algum tempo a perceber que aquilo era um texto de apoio à “coisa”. Sobretudo devido a esta questão da importância não extravasar as competências trazendo para o debate as questões financeiras, coisa que os outros candidatos que não percebiam de finanças andavam a fazer, enquanto que o candidato que só percebia de finanças e tinha a cultura do Financial Times e do Google não o fazia. E para além de não falar de finanças, o candidato não falava de praticamente nada (e estava no seu direito pois então! Agora um candidato tem que andar para aí a dizer o que vai fazer se for eleito, não?) o que, por revanchismo, teria levado a este problema da cultura (ou da falta dela).

E assim arrumava ela o problema. Um candidato assim é o que se quer. Podia ser presidente daqui ou do Japão. Podia até mesmo, ser presidente de Portugal e viver na Jamaica. Tudo passa pela banda larga. Ler o Financial Times, O Spectator e ter um computador portátil é o que se espera. Nem precisava de ser português (que limitação tão estúpida essa!). Podia ser o Bush, porque não? Será que lê o Financial Times todos os dias? Em última análise até podia mesmo ser um robot (programado para tratar de finanças, mas que não seria usado porque não seria essa a sua competência). Constituição da República Portuguesa? Defesa da soberania nacional? Valorização da nossa riquíssima cultura, tão ameaçada pela “globalização”? Profundo conhecimento dos problemas dos que mais afligem os portugueses? Se vem no Google muito bem, se não, é coisa “muito datada”.

Tudo parecia bater certo. No entanto, só para experimentar este cibernético modelo de presidente, fui ver se no Google havia alguma coisa sobre Os Lusíadas. E não é que havia mesmo! Mais do que uma edição electrónica! Bom, fiquei então de pé atrás: se vem no Google como é que a “coisa” não sabe quantos cantos tem?

Acalmei-me. A leitura do Financial Times e do Spectator, mais o nervosismo de ligar e desligar computadores nas viagens de avião, não deve libertar tempo para essas coisas tão “datadas”.

Pensava eu que a “coisa” ia tomar posse por e-mail, que só quem estive ligado à net é que seria convidado a participar na cerimónia e que essa seria transmitida em vídeo-conferência, quando vejo passar pelo portão escancarado do “velhinho” palácio de Belém o eleito, de mão dada com toda a sua família. Tudo com um ar tão tradicional, tão “boas famílias” portuguesa, tão comovente que certamente terá provocado lágrimas nos olhos de muitas velhinhas que nunca viram o ecrã de um computador. Um espectáculo que me lembrou aqueles cartazes da Lição de Salazar, do “orgulhosamente sós”, “pobrezinhos mas honrados”, “respeitadores dos bons costumes”, e “a bem da nação”, claro está.

Ó Zita! Olha que a bota não bate com a perdigota!

Se a “coisa” só sabe de finanças e vai para a presidência; se durante a campanha andava reservado e agora faz espectáculo; se balbucia que vai cumprir a Constituição e chega à presidência da república com tanta pompa como se fosse ser coroado; é bom que, quem não abriu o olho se mexa antes que seja tarde.

A mim irrita-me ter que levar com as consequências da estupidez eleitoral dos outros. Pior ainda é ter que ouvir o povinho a queixar-se e depois a comprar a revista Caras para ver a tomada de posse desta “coisa”.

Depois não digam que não avisei.

quarta-feira, março 08, 2006

ARTE DE TRANSFORMAR XL - a propósito do Dia da mulher


video

Victor Manuel
El club de las mujeres muertas


A las que se rebelan, no se callan
las humildes y las mansas
las que imaginan cosas imposibles
el derecho a ser felices
 
A las que viven solas pisoteadas
las que ya no esperan nada
a las desamparadas olvidadas
a las que caen y se levantan
 
Cuantas vidas humilladas
cuantas lágrimas calladas
lo más triste es la
 tristeza
en el club de las mujeres muertas
 
A veces porque miran, porque callan
porque piensan se delatan
a veces porque cuentan, por que lloran
o porque no entienden nada
 
Hay quien perdona todo a quien las mata
por un beso, una mirada
hay quien lo espera todo, de quien aman
y no pierden la esperanza
 
Cuantas vidas humilladas...
 
Quemadas, arrastradas por los pelos
torturadas, devastadas
violadas legalmente, apuñaladas
algún juez las mira y pasa
 
Dicen que tienen celos y se nublan
que no saben lo que hicieron
y cuando beben dicen no ser ellos
yo soy yo más este
 infierno
 
Cuantas vidas humilladas...