A nossa festa!
Episódio da implantação da Festa. Tó Calvino discursa para as massas (um pouco bebido, é certo, mas muito certeiro)
"Os maus temem as tuas garras, Os bons alegram-se com a tua graça. Algo assim gostaria de ouvir sobre o meu verso." B. Brecht
Episódio da implantação da Festa. Tó Calvino discursa para as massas (um pouco bebido, é certo, mas muito certeiro)
Publicada por Irene Sá à(s) 8:19 p.m. 2 comentários
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Vou de férias.
Andei a martirizar-me achando que na condição de desempregada é preciso muita lata para ir de férias. Improdutiva! Não fazes nenhum e ainda queres passear! É para passares férias que ganhas o subsídio de desemprego?
Pois bem! A bem da minha saúde mental e porque o país vai mesmo pelo cano e não há perspectivas de vir a obter emprego nos próximos tempos… vou de férias.
Primeiro a Sines rumo ao Festival de Músicas do Mundo e depois a Sendim, para o Intercéltico.
Acampar, ler, desenhar, escrever os contos eróticos que me andam pela cabeça, dormir, passear e apanhar sol. É o que basta.
Quando voltar espero que tenham tomado bem conta da capital.
… E da Internet.
Publicada por Irene Sá à(s) 2:31 a.m. 3 comentários
Publicada por Irene Sá à(s) 1:29 a.m. 1 comentários
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Há cerca de ano e meio mandaram-me uma música. Apaixonei-me.
Ouvia-a vezes sem conta como uma adolescente fechada num quarto saltando ao ritmo de uma música pop ou como um velho bêbado chora o Vítor Espadinha agarrado a uma juke box.
Em Abril tive a oportunidade de os ver em Etxarri (País Basco).
Soube bem, soube a pouco de saber a tanto, como diria o outro.
A caminho de Lisboa suspirava e debatíamos sonhando que era bom virem a Lisboa. e Extraordinário se fosse na Festa do Avante!
A minha alma ficou enebriada! A banda catalã vai estar na Festa do Avante! no dia 3 de Setembro.
Para conhecer: site
Para escutar:
-- sense terra
-- la flama
-- els crits de la terra
-- no tingues por
-- del sud
Publicada por Irene Sá à(s) 12:44 p.m. 0 comentários
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«A poesia deve ter por
fim a verdade prática»
Aos meus amigos exigentes
Se eu vos digo que o sol na floresta
É como um ventre que se entrega num leito
Vós acreditais e aprovais os meus desejos
Se eu vos digo que o cristal dum dia de chuva
Ressoa sempre na languidez do amor
Vós acreditais e aumentais o tempo do amor
Se eu vos digo que entre os ramos do meu leito
Faz ninho um pássaro que nunca diz sim
Vós acreditais ainda mais e depois compreendeis-me
Mas se eu canto sem desvios a minha rua inteira
E o meu país inteiro como uma rua interminável
Vós não me acreditais e partis para o deserto
Porque vós marchais sem fim sem saber que os homens
Precisam de estar unidos de esperar e de lutar
Para explicar o mundo e para o transformar
Ao ritmo do meu coração levar-vos-ei
Estou sem forças vivi e vivo ainda
Mas eu me espanto de falar para vos arrebatar
Quando eu quereria libertar-vos para vos confundir
Tanto com a alga e o junco da aurora
Como com vossos irmãos que constroem a luz.
(in «Poèmes Politiques»,
Trad. de António Ramos Rosa,
«Árvore - folhas de poesia»,
Introdução e índice de Luís Adriano Carlos,
Campo das Letras, 2003)
PAUL ÉLUARD
Publicada por Irene Sá à(s) 1:33 a.m. 0 comentários
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Publicada por Irene Sá à(s) 3:07 p.m. 10 comentários
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Publicada por Irene Sá à(s) 1:48 a.m. 2 comentários
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Publicada por Irene Sá à(s) 1:47 a.m. 0 comentários
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Publicada por Irene Sá à(s) 4:50 p.m. 1 comentários
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Estou seriamente a pensar escrever uma carta aberta ao ministro Sócrates. Qualquer coisa que comece assim:
"Senhor ministro,
Que mal lhe fiz eu? Não sou preguiçosa nem incompetente, quero poder contibuir com o meu trabalho para o desenvolvimento do país, quero ter sustento e estabilidade de vida para a poder gozar. Não tenho grandes ambições de riqueza material, apenos quero o suficiente para poder comer e manter uma modesta casa, para poder ligar aos meus amigos e ir passear com eles, para, de vez em quando, poder ir ao cinema, a um concerto ou outro e a uma exposiçãozita.
Não percebo porque é continuo desempregada; os meus rendimentos a baixarem, as despesas com transportes, comunicações, luz, gás, alimentação, seguros, sempre a aumentarem e a ver a riqueza de uns cada vez maior.
Que mal lhe fiz eu? Foi não ter votado no seu partido? mas e outros que votaram? estão a ser castigados porquê? É por não ser bonita? O Belmiro tamém é feio...
Só encontro uma explicação: o senhor ministro está zangado e quer vingar-se nos portugueses. Não seria melhor retirar-se? procurar um bom psiquiatra e tentar apaziguar-se com o país?"
Bom, a coisa seria mais ou menos assim. Que tal?
Publicada por Irene Sá à(s) 10:46 p.m. 7 comentários
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Publicada por Irene Sá à(s) 1:20 a.m. 9 comentários
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Aquela noite de Dezembro, em clima de festas, foi quase uma prenda de Natal.
Não sabia então que alguém tão cuidadoso com as palavras pudesse não ter pensado no que dizia.
Depois apercebi-me que as pessoas estão dispostas a tudo no limite da possibilidade e que, não raras vezes, esses limites são bastantes estreitos.
Riste-te num momento, quase derradeiro, em que, olhando o céu pensei em voz alta; “tudo é possível, tudo é concebível, nem tudo é executável”.
É estranho como as coisas óbvias são por vezes as mais difíceis de serem paridas.
Publicada por Irene Sá à(s) 2:28 p.m. 0 comentários
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No café discutia-se quem ia ganhar o concurso de dança. Era cedo e os empregados distraíam-se com a televisão. Olhando para eles ninguém pensaria que tinham tanto para dizer sobre danças de salão. Em pouco tempo mudaram de assunto; o futebol ganha sempre sobre qualquer conversa. No entanto, o cliente que entretanto se sentou não parecia estar a par das novidades. Fazia perguntas enquanto enrolava um cigarro e tomava lentamente uma cerveja. À falta de companhia olhava também de relance o concurso de dança que, entretanto, suscitara nova discussão: o local onde decorria. Ela, sentada um pouco mais à frente do que ele, lembrou-se que esse local já fora palco de muitos acontecimentos relevantes para a história do país. Com um pouco de sorte e empenho poderia vir ainda reconquistar essa importância e não se ficar pelos concursos de dança televisivos, imitações medíocres de entrega de Óscares, teatros musicais promovidos pelo statuos quo ou de touradas. Sim, aquele local poderia voltar a trazer ao rubro a vontade popular. Pensava ela nisto e pensava sobre a maneira de reverter o preconceito instalado sobre tudo o que fossem manifestações políticas de cariz revolucionário.
Ele pediu o jornal e perdeu-se na sua leitura.
Ela interrompeu os pensamentos e deteve-se na máquina das bolas surpresa. Depois reparou nele. Apreciou-o. Bebeu mais um gole de cerveja preta. “Não nos conhecemos e, provavelmente, nunca chegaremos a conhecer-nos. Como é esta vida de cidade! Cruzamo-nos vezes sem conta com certas pessoas. Já o tinha visto e morrerei sem falar com ele”.
Publicada por Irene Sá à(s) 2:21 p.m. 0 comentários
* Gosto de coretos, particularmente em dias quentes de verão.
* Tenho projectos até ao fim da vida.
* Se visse o José Socratés acho que lhe cuspia na cara.
* Teho saudades de comer abacate com limão e açucar, como o meu pai preparava quando era pequena.
* Gosto de programas a dois que incluam passear pelas ruas e ver montras.
* Se visse o Cavaco Silva também lhe cuspia a cara.
* Mordo-me de inveja cada vez que vejo uma auto-caravana.
* Choro quando vejo filmes de natal.
* Gravo melodias que invento. mas como não sei música fico-me pelos assobios.
* Gostava de ouvir atrás das portas uma conversa sobre mim.
* Fascinam-me os desenhos animados com casas nas árvores (o David, o gnomo e o vento nos salgueiros encantam-me).
* Tenho medo de escrever uma carta a mim própria no futuro.
Publicada por Irene Sá à(s) 2:15 p.m. 7 comentários
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Este moinho vai desaparecer.
... Já falta pouco.
A rapariga vai continuar.
Publicada por Irene Sá à(s) 7:47 p.m. 5 comentários
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Esta é a gaja de cara redonda, cabelos arruivados, lábios grossos e pele macia que povoava o imaginário dos rapazes nos anos 5o. Hoje em dia está fora de moda, tirando aqui e ali, ali e aqui.
As estrelas verdes servem para fazer contraste com o cabelo. Para quem não sabe, a velha combinação de cabelos ruivos e olhos verdes é muito fascinante por causa da complementaridade cromática. O fundo de padrões é parecer mais anos 50.
E não façam mais perguntas .
Bom, está bem... só mais esta: a estrela é porque ela é comunista (até andou na resistência francesa. Chama-se Charlotte).
Publicada por Irene Sá à(s) 2:04 a.m. 1 comentários
Etiquetas: rasgos visuais
Um grande pedido de desculpas a todos os que esperavam ver neste blog artigos de informação e opinião política. Mas agora só me dá para usar o lado esquerdo do cérebro...
Costuma-se dizer que aos artistas perdoa-se tudo. Gostava mesmo de ser artista... Feitio já tenho, só me falta a obra!
Quando chegará?
Publicada por Irene Sá à(s) 1:13 a.m. 4 comentários
Etiquetas: esclarecimentos bloguísticos
Saudadinha
Ó Tirana saudade
Ó Tirana saudade
Saudade, ó minha saudadinha
Foste nada no Faial
Foste nada no Faial
Foste nada no Faial
No Faial baptizada na Achadinha
Saudade onde tu fores
Saudade onde tu fores
Saudade onde tu fores
Saudade leva-me podendo ser
Que eu quero ir acabar
Que eu quero ir acabar
Que eu quero ir acabar
Saudade onde tu foras morrer
A saudade é um luto
A saudade é um luto
A saudade é um luto
Um amor, um amor, uma paixão
É um cortinado roxo
É um cortinado roxo
É um cortinado roxo
Que me morde, que me morde o coração
popular açoriana (adaptada por Josá Afonso)
Publicada por Irene Sá à(s) 5:56 p.m. 0 comentários
Etiquetas: ARTE DE TRANSFORMAR, musicando
Já cheguei
Já parti
E enquanto não fiquei
Fugi
Publicada por Irene Sá à(s) 10:18 p.m. 0 comentários
Etiquetas: rasgos verbais
Quereres
" (...)
Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és
(...)
O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim"
Cetano Veloso
Publicada por Irene Sá à(s) 11:44 p.m. 2 comentários
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