segunda-feira, abril 23, 2007

Ir ao médico nos tempos do capitalismo selvagem

Gostei da ideia das histórias de 10/15 palavras. São... como dizer? feitas para os tempos modernos e pessoas como eu. Sobretudo se tiverem títulos muito longos e, ultimamente, se forem sarcásticas.

História 1

O sofá queixou-se de dores nas costas.
O médico prescreveu descanso.
O dono riu e sentou-se.

Agora vamos à luta!


Apresentação da Lista E, candidata ao Conselho Nacional da Fenprof e encabeçada por Mário Nogueira.

domingo, abril 22, 2007

Descanso da guerreira. A luta segue dentro de momentos

Gostava de colocar aqui algumas ideias sobre o Congresso da Fenprof (o nono e não oitavo como dizia o Diário de Notícias - Bestas!), mas estou exausta. Amanhã é outro dia.
Agora temos Abril e temos Maio.
E que Maio!

Deixo-vos com a Resolução do Conselho Nacional da CGTP

O Conselho Nacional da CGTP-IN, reunido na sua sede em Lisboa no dia 17 de Abril de 2007, constatou que:

1. os trabalhadores se deparam com um agravamento contínuo da precariedade no trabalho, tanto no sector privado como no sector público. Esta precariedade está a gerar inseguranças e instabilidades, agravamento do desemprego, redução dos salários e da retribuição do trabalho, perda irreparável de direitos individuais e colectivos, ao mesmo tempo que força à emigração dezenas de milhares de portugueses, em particular jovens;

2. o que se perspectiva com as receitas que estão a ser preparadas contra os trabalhadores – em torno da revisão do Código de Trabalho, da promoção do Livro Verde da UE sobre as Relações Laborais e, sobretudo, com a chamada flexigurança - consubstancia um brutal ataque patronal, visando o despedimento totalmente liberalizado (sem justa causa), a desregulação do trabalho e o aumento dos horários de trabalho, a troco de uma falsa promessa de protecção social;

3. os trabalhadores e a maioria dos portugueses assistem a políticas sociais violentas:

a. o Serviço Nacional de Saúde está a ser destruído a favor dos grandes capitalistas enquanto as pessoas pagam cada vez mais pelos serviços prestados;

b. o ensino e a justiça a degradarem-se, com cortes nas suas estruturas e nos meios disponíveis;

c. a segurança social será pior no futuro, em resultado das alterações ao sistema impostas pelo Governo;

4. nos deparamos com uma cada vez mais injusta distribuição da riqueza e um insuportável agravamento do custo de vida para centenas de milhares de portugueses;

5. os direitos dos trabalhadores são todos os dias violados pela maioria dos patrões, incluindo o patrão-Governo, desvalorizando o trabalho e pondo em causa a dignidade de quem trabalha;

6. as linhas fundamentais das políticas económicas e sociais, que vêm sendo seguidas, submetem-se ao ideário e práticas neoliberais.

Neste contexto, tornou-se imprescindível desenvolver uma forma de luta que, dando continuidade à grande mobilização dos trabalhadores – expressa designadamente na Manifestação de 2 de Março –, constitua um fortíssimo sinal ao patronato de que não nos submeteremos aos seus objectivos de exploração e um cartão vermelho à essência das políticas do Governo, exigindo-lhe mudanças de rumo.

Esta luta, em que confluem todos os processos reivindicativos em curso, será de todos os trabalhadores e concretizar-se-á através de uma Greve Geral a realizar no dia 30 de Maio 2007.

O CN da CGTP-IN apela a todos os dirigentes, delegados e activistas sindicais para que desenvolvam um intenso trabalho de esclarecimento, de mobilização e de organização dos trabalhadores, com vista ao êxito da Greve Geral.

A preparação e concretização de um grande 1º de Maio, a comemorar em todo o País, constituirá um ponto alto da luta que vimos desenvolvendo e um elemento fundamental e decisivo para o êxito da Greve Geral.

Lisboa, 17 de Abril de 2007

quarta-feira, abril 18, 2007

É já amanhã


Para onde vai esta estrada?

segunda-feira, abril 16, 2007

Hipocrisias

Em vésperas de congresso da Fenprof e dado o quadro em que ele se realiza quero aqui deixar um excelente exemplo sobre o que entendo por hipocrisia:

Aqueles comentários, geralmente acompanhados de muita baba, sobre o quão importante foram os comunistas antes do 25 de Abril na luta pela libertação do país seguidos de um dramático “mas depois…”. E a partir daqui há ligeiras variações: uns, mais ribombantes, divagam sobre a tentativa de tomada do poder e instauração de uma tirania vermelha; outros vaticinam a morte do PCP ou a sua descaracterização; alguns crápulas continuam a considerá-lo um partido importante mas não admitem a sua capacidade de influência; muitos indignam-se com o facto de se organizarem para intervir.

Pergunto-me se haverá algum desses comentadores que, depois de pronunciar uma dessas pérolas, se tenha interrogado sobre os métodos de actuação e organização do PCP antes do 25 de Abril. Por ventura acharão que a intervenção nos sindicatos fascistas não era discutida previamente? Considerarão que a participação dos comunistas no MUD e outras estruturas unitárias não era preparada? Pensarão que os militantes nas fábricas e outros locais de trabalho eram uma espécie de Clube Amigos Disney? Tendo a assumir que a resposta é não. Dir-me-ão que os tempos eram outros e que a “democracia” não justifica a manutenção de estruturas organizadas para intervir no movimento unitário. E porque não? Porque são tentativas de influenciar (alguns dirão mesmo: de manipular). É nesta parte que pergunto se o papel dos partidos se esgota nas eleições gerais. Uns dizem sim. Esses tendem a ver a democracia reduzida ao voto ou à participação em lutas parcelares (só sindical, só cultural, só no âmbito dos direitos das mulheres, só na comissão de utentes da saúde, etc). Para esses é proibida a participação em organizações que lutem numa perspectiva política mais ampla. Outros dizem não. Mas são incapazes de admitir que os comunistas o façam respeitando o funcionamento democrático das instituições: se as posições dos comunistas vingam é porque há instrumentalização, se não vingam é porque o PCP já está de pés para a cova.

Ontem como hoje os comunistas lutam pela libertação do povo português, contra o capitalismo e pelo fim da exploração do homem pelo homem.

segunda-feira, abril 09, 2007

História de um PROFESSOR


NOS TOCAN A UNO NOS TOCAN A TODOS
Dizia uma das faixas que os docentes argentinos levaram hoje pelas ruas de Buenos Aires numa manifestação que reuniu mais de 50 mil professores. Também hoje as escolas argentinas estiveram fechadas. 350 Mil professores e educadores fizeram uma greve à qual se solidarizaram outros sectores laborais. Esta foi a resposta de protesto dada pela Central de Trabalhadores Argentinos (CTA) ao assassinato do professor Carlos Fuentealba no passado dia 5.
Fuentealba, 40 anos, nascido em San Martín de los Andes no seio de uma família muito pobre, quis ser professor. Realizou a escola primária e só mais tarde teve oportunidade de prosseguir a escolaridade. Enquanto frequentava o ensino secundário trabalhou como técnico da indústria química. Queria ser professor e fez de tudo para poder o conseguir; trabalhou num laboratório, num supermercado e numa fábrica. Andava de bicicleta para poupar para os estudos. Ganhou consciência política e quando finalmente ingressou na profissão destacou-se como activista sindical.
Na escola os professores elegeram-no delegado e os alunos elegeram-no o "Rey del colegio".
Estava na linha da frente das lutas dos professores da região de Neuquen (a sul de Buenos Aires) por melhores salários e mais justiça.
Foi na qualidade de delegado que manifestou reticências sobre o local escolhido para um corte de estrada. Dizem os colegas que ele não receava os confrontos mas que considerava o local perigoso.
Foi como professor, activista e delegado que morreu, nessa estrada, atingido na cabeça por uma granada de gás lacrimogéneo.

Carlos Fuentealba fazia acordos com a sua mulher, também politicamente engajada, sobre quem ficava com as filhas (de 10 e 14 anos). A ela calhou ficar em casa.

Jorge Sobich, governador da província patagónica de Neuquen, é apontado como o principal responsável pelo sucedido visto ter mantido uma postura de intransigente oposição ao diálogo e ter dado as ordens para a resposta policial. No entanto, a CTA vai avisando que o protesto também é dirigido ao presidente Nestor Kirchner (que neste processo tem procurado lavar as mãos responsabilizando apenas o seu opositor Sobich). É que Fuentealba protestava contra o facto de os salários na Argentina (e particularmente o dos professores) não acompanharem o aumento da inflação, sendo que o governo, que está a cargo dos peronistas ("enanos fascistas"), é por isso responsável.

para ver notícia na TeleSURtv.net

Adriano Presente! ... há 65 anos


Cantar de Emigração num tempo em que se insultam os (i)migrantes...

sexta-feira, abril 06, 2007

É a vida! ... ou é a morte?

O sol intensamente brilhou.
Uma mulher de biquini
na cadeira branca de praia
se recostou.

O sol intensamente brilhou.
E uma folha de árvore
amarelou.

A folha caiu ao chão
e o chão ensombrou.
Uma formiga que ali passava
sob a folha ficou.

Não quis ficar ao frio
e para o sol se encaminhou.

Subiu uma cadeira branca
e numa pinta preta se tornou.

Um dedo de mulher
a esmagou.

segunda-feira, abril 02, 2007

Olhos

Podia falar do que me tem atormentado os dias; do absolutamente ridículo que constitui a argumentação anti-comunista dos que preferiram apoiar Manuela Mendonça em detrimento do apoio a Mário Nogueira para secretário-geral da Fenprof, uma postura que quando desmascarada inspira a típica vergonha da pena. Ou podia partilhar que há jornalistas na TVI cuja incompetência é tanta que extravasa o seu ser e, à primeira análise, consegue semear a dúvida sobre se não teremos sido nós os incompetentes. Passou-se isso hoje comigo quando tentava, com uma colega, explicar a uma "jornalista" que éramos nós as representantes da organização de uma exposição, que era o nosso contacto que constava no "briefing" que recebera e que, portanto, era connosco que deveria falar para organizar a reportagem. A senhora não entendeu a mensagem e, como uma barata tonta, insistia em ouvir e falar com todos menos connosco. Depois avariou-se a câmara.
Podia desenvolver o fascínio que uma tese de Miró sobre a inspiração me provocou e as ideias fantásticas de trabalhos e reflexões que me suscitou.
Mas prefiro repetir uma frase que há dias ecoa em mim e que este fim-de-semana compreendi emocionalmente:
"Os meus olhos não são olhos sem estarem nos teus defronte"

terça-feira, março 27, 2007


AMANHÃ . 28 de Março (Dia da Juventude) .
Manifestação contra a precariedade .
14h30 . ROSSIO

segunda-feira, março 26, 2007

a bem da nação?

Enquanto mudo o aspecto do meu blog a minha mãe diz-me que Salazar ganhou o concurso televisivo de "O melhor português de sempre". Das três uma:
- Eu não sou portuguesa;
- Não foram portugueses que votaram;
- A memória histórica reduz-se à medida que cresce a miséria.

E agora? querem voltar aos tempos do "melhor português de sempre"?
... a bem da nação? Vem aí a bota cardada?

A história não se repete, mas quando a esquecemos ou desconhecemos caímos no risco de fortes aproximações a fenómenos passados.
O golpe militar que instaurou a ditadura em 1926 deu-se na sequência da espiral de crise económica, social, política e financeira em que o país mergulhou fundo por alturas da I Guerra. O povo decepcionara-se com a república na qual depositara fortes esperanças. E logo em 1911 pesadas ofensivas contra os trabalhadores e as populações deram origem a grandes manifestações e greves. A Constituição de 1911 ao nível da estrutura económica do país não trouxe grandes novidades face ao que existia na monarquia e os novos paladinos revelaram-se iguais aos velhos. Os verdadeiros republicanos ficaram esquecidos com os heróis da Rotunda. A fórmula do aumento de impostos e redução de salários para estancar o défice não é novidade, foi usada pelo Afonso Costa (e já nessa altura não era nova). Pediram-se sacrifícios ao povo. Veio a guerra e com ela o país caiu ao lodo. A fome deu origem a visões em Fátima.
Depois veio o primeiro ditador, o Sidónio Pais e o seu integralismo lusitano.
Promessas de resolução e uma completa desorientação.
E o que se passa hoje?
... O sebastianismo deu lugar a um saudoso integralismo lusitano enquanto subiam as taxas de juro, fechavam escolas, hospitais, aumentava o desemprego, o preço dos bens essenciais e serviços.
Votaram no Sócrates na esperança da salvação, votaram no Cavaco na esperança da salvação, votaram no morto na esperança da salvação...
Hitler também foi eleito.

sexta-feira, março 23, 2007


Ai Amadora, Amadora,
Estás entregue à bicharada!

(artigo publicado na revista Focus)


clicar na imagem para aumentar

Dos nossos amigos da Catalunha, Obrint Pas, Esperant ...

sábado, março 17, 2007



A inauguração é às 19 horas do dia 28 de Março.
Apareçam!

quarta-feira, março 14, 2007











Quando os ógãos de comunicação não estão onde as coisas (que importam) acontecem publicam-se artigos como este que, apesar do rigor jornalístico não podem garantir os acontecimentos.
Como é possível ler no artigo, o jornal remete para a boca dos dirigentes sindicais a garantia da carga policial, deixando assim lugar para que o leitor considere o relato da PSP.
A agência LUSA que chegou ao local depois dos acontecimentos relevantes ainda presenciou a chegada do sindicalista detido, mas dadas as declarações da PSP o texto da notícia torna-se estranho, por um lado o Público remete para a LUSA o atestar da detenção, e por outro a garantia da PSP a dizer que não.

Vejam-se então as imagens colhidas por quem lá esteve.
Fonte de imagens 1
Fonte de imagens 2


"14.03.2007 - 11h42 PUBLICO.PT
PSP desmente carga policial contra trabalhadores da Pereira da Costa

O comando metropolitano da PSP garante que não houve qualquer carga policial sobre os trabalhadores da empresa Pereira da Costa, na Amadora, o que contraria a versão dos acontecimentos dos dirigentes sindicais presentes no local.

Arménio Carlos, da CGTP, garantiu hoje, em declarações à rádio TSF, que a polícia carregou sobre os trabalhadores no momento que o gerente da empresa pretendia sair da empresa.

"Aquilo que se verificou foi uma carga policial, quando os trabalhadores, ao fim e ao cabo, e com razão, vaiavam o patrão, que sorrateiramente saiu atrás dos camiões", descreveu Arménio Carlos. "A partir daí, deu-se a detenção de um dirigente sindical, sem nenhuma explicação, para além de agressões múltiplas sobre os trabalhadores que aqui estavam", disse o mesmo dirigente sindical.

Segundo a agência Lusa, a detenção de Pedro Miguel ocorreu quando a oficial de justiça presente na empresa se preparava para dar uma entrevista a um canal de televisão, altura em que os trabalhadores reagiram "com exaltação".

O comando da PSP refere que enviou para o local cerca de 30 agentes, que "se limitaram a manter a ordem e a garantir que ninguém passava os dois anéis de segurança montados em torno da fábrica" enquanto decorria a acção de arresto de bens.

A PSP sublinha que não deteve qualquer dirigente sindical, tendo apenas procedido à sua identificação.

Os trabalhadores, que estão há seis meses sem receber salário e impedidos de entrar nas instalações da empresa, estão em vigília para evitar a saída do material, decretada por tribunal em resposta a uma providência cautelar interposta pela administração da empresa."


terça-feira, março 13, 2007







Mona Lisa é fixe!

sexta-feira, março 09, 2007


Cartaz de Ricardo Levins Morales

Não sou muito adepta desta ideia da superioridade feminina pelo facto de parirem. Mas não deixo de estar convencida que as razões que levam à descriminação das mulheres são também as que fazem delas, muitas vezes, símbolos de persistência, de dedicação, de entrega, de luta. E essas razões, por muitas voltas que dê a analisar o meu baú do conhecimento e experiência, apontam, invariavelmente, para a biologia e, neste âmbito, para a questão da maternidade.

"Nós que nos recusamos a ver no amor uma nódoa e no sofrimento uma necessidade"
Citação feita por Álvaro Cunhal no livro "O aborto, causas e soluções" de uma feminista do início do século XX

Dia da Mulher, 8 de Março de 2007
ver 2006
ver 2005

terça-feira, março 06, 2007



86 anos de luta.
Parabéns PCP!

sexta-feira, março 02, 2007

Quando calçada gosto de pisar o chão de madeira ou da rua, descalça o relvado ou a areia molhada na praia.

Na noite gosto do cheiro do incenso de jasmim, de dia do cheiro a tangerina.

Com amigos bebo rum, se sozinha chá marroquino.

Quando estou triste visto-me de azul, quando alegre de vermelho.

Se estou deitada sonho, se me levanto observo.

E o futuro seduz-me e trai-me, deixa-me tranquila, engana-me e foge.

É como o amor por que espero e nunca chego a saber se sabe a uvas ou a vinho.

Vou sendo o ninho que deseja ser ave até ao dia em que:

Pisarei a rua para me poder calçar, colherei tangerinas para que amanheça, beberei rum para brindar com amigos, vestir-me-ei de vermelho para me alegrar, observarei o mundo para me levantar.

Escolherei o teu sabor e chegarás…

E então: andarei descalça no chão de madeira, acenderei incenso durante o dia, tomarei chá acompanhada, vestir-me-ei de azul e sorrirei.

Serei a ave que deseja o ninho.

Mas o futuro seduz-me e trai-me, deixa-me tranquila, engana-me e foge.

Quem são as aves?