quinta-feira, março 11, 2010

Actualização dos Relatos de Barcelona

55) Em Barcelona vendem-se mais cuecas do Barça que em Lisboa cuecas do Benfica, do Sporting e Belenenses juntos;
56) Em catalão cuecas diz-se calças (calces). Assim, um catalão sem calças é mais indecente que um português no mesmo estado;
57) Aqui os vendedores de guarda-chuvas não gritam "olh'ó automático p'á chuva!";
58) O que mais me emociona aqui é ouvir os músicos no metro tocarem Victor Jara e Carlos Puebla; 59) Passados 2 meses finalmente percebi alguns sons que escutava no metro: hanlház = enllaç = enlace;
60) Fui a outra manifestação, muito participada, quase silenciosa (há que exportar palavras de ordem) e rapidamente dispersada (aqui não há um Carvalho da Silva que fale durante 3 horas);
61) Festejar em catalão significa cortejar, portanto se disserem a um catalão que festejaram com muita gente, ele pensará: "ganda maluco!";
62) Ainda no mesmo tema: os catalães são tão produtivos que não dão beijos, fazem-nos;
63) Apesar da baixíssima probabilidade de acontecer, nas últimas 4 segundas feiras, à mesma hora e quase no mesmo local, pedem-me indicações;
64) Os catalães têm uma certa tendência para a piromania - um grande número de festejos tradicionais implica brincadeiras com o fogo;
65) Ao fim de 2 meses em Barcelona, e de muitos atrasos, finalmente acertei a hora do computador;
66) Quando os condutores dos autocarros nos reconhecem e cumprimentam é sinal de que já estamos integrados?
67) Conheci uma versão espanhola da Luísa Branquinho;
68) Sobrevivi ao apocalipse de Barcelona - dia 8 isto parecia um filme norte-americano sobre o fim do mundo;
69) Caminhar 5 km como um pinguim sobre gelo e neve provoca dores no cú;
70) Roubaram-me descaradamente um guarda-chuva;
71) Ainda os roubos - a música que acompanha os avisos sonoros no metro para termos cuidado com os carteiristas é fantástica.

domingo, março 07, 2010

Falta de Certezas ≠ Dúvidas

Há alguns dias atrás dei-me conta que, com o passar dos anos vou tendo cada vez menos certezas mas que isso não significa que tenha cada vez mais dúvidas. E também não significa que tenha deixado de reflectir sobre as coisas. É apenas um depurar do pensamento: as certezas que tenho tornam-se cada vez mais estruturais e as ideias passam por uma espécie de teste prévio antes de serem assimiladas. Isto parece muito esquemático mas é a melhor forma que encontrei para explicar o que julgo ser, sem modéstia nem vaidade, o amadurecer.

Nisto, dei-me também conta que essa forma de assimilar as coisas passou para o meu discurso - hoje falo com muito mais pontos de interrogação, escuto mais e respondo directamente às questões, digo mais vezes que as opiniões que tenho são apenas opiniões.

Até que hoje vi este video e, para além de ficar fascinada com a relação tipografia/texto - Signo/significante, detive-me na mensagem para me aperceber que talvez a minha falta de certezas seja interpretada como, diz o poema do video, um convite a que os outros pensem como eu, tenham as mesmas supostas incertezas.

... E o que dizer do ponto de interrogação nesta frase e da palavra talvez na anterior?

Typography from Ronnie Bruce on Vimeo.

sábado, fevereiro 20, 2010

E mais relatos de Barcelona

39) Mudei-me da Brandoa para uma espécie de mistura do Bairro Alto com Algés;

40) Parece que as pessoas aqui começam a dar-se conta do meu feitio soviético;

41) Ah! E dizem que canto bem! (os catalães têm muito bom ouvido);

42) Socorro! Já dou comigo a pensar em castelhano;

43) O purgatório existe e fica numa estação de metro de Barcelona (Passeig de Gràcia);

44) Ontem fiquei a saber que por viver com um cão constituo uma matilha;

45) Comecei a ser elevada à categoria de pica-miolos optimista-leninista,

46) Lavatório e Lava-loiças diz-se Pica em catalão! ...E depois riem-se muito com o apelido do camarada Luís Carapinha;

47) Se perguntarem com pronúncia alentejana "Quantas cadeiras há?" e responderem em pronúncia açoriana "Há cinco cadeiras" estarão a falar um perfeito catalão;

48) Conheci uma pessoa que foi refugiada política no seu próprio país;

49) O cão da casa não gosta de gente do PCF;

50) O frio,os copos e a ausência de uma secretária não me deixam trabalhar;

51) Apesar das adversidades enunciadas no item 50, esbocei 28 ilustrações para um conto muito hippie sobre libelinhas;

52) O carnaval aqui não parece brasileiro;

53) Há um mês e uma semana que não vejo televisão;

54) Pela primeira vez na vida consegui ver mais de 5 minutos de um filme dobrado em castelhano.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Debate em Lisboa

Várias entidades e organizações, entre as quais o Relator da Comissão da ONU contra a Tortura e a Amnistia Internacional, têm denunciado, ao longo dos anos, as sucessivas denúncias de tortura por parte de presos políticos bascos. Simulação de afogamento, asfixia através de saco, choques eléctricos nos genitais, tortura do sono e espancamentos são alguns dos métodos utilizados. Entre os milhares de casos destacamos alguns. Em 2001, Unai Romano saía com a cara irreconhecível de um interrogatório policial. Em 2004, foi publicado o relato chocante de Amaia Urizar, que num interrogatório viu o seu corpo ser violado com uma pistola. Em 2008, após ser detido, Igor Portu dava entrada no Hospital de Donostia com uma perfuração num pulmão.

Um Estado que tortura, proíbe partidos políticos e manifestações, fecha jornais e rádios e ilegaliza organizações juvenis e populares e que mantém os seus detidos durante mais de uma semana sem qualquer acesso a advogados, familiares ou cuidados médicos não pode ser considerado um Estado de Direito.

in paisbasco.blogspot.com

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Vento de Liberdade

Um amigo envio-me uma música. Não o mesmo do Lugar Adequado, e sim, é verdade que os meus amigos são gente dedicada à partilha de gostos musicais... e eu também.
Como estamos em plena Semana Internacional de Solidariedade com Euskal Herria partilho aqui essa canção.



ha llegado una carta a la carcel
una poesia que da alegria y calor
pregonando noticias del exterior
pregonando que una vida comenzó

el preso va loco buscando la carta
la carta le dice que ya es papa
y lloran los ojos, le llora el corazon
aprieta la carta con todo su amor

haizea haizea se llamará
askatasunaren haizea (vento de liberdade)
haizea haizea se llamará

quando el hijo sea mayor
el padre preso le contara
como un dia expoliaron su tierra
los "carceleros de la paz"

como un dia hasta le proibieron
los sueños, la idea y el amor
como un dia encierraron su vida
por amar la libertad

haizea haizea se llamará
askatasunaren haizea (vento de liberdade)
haizea haizea se llamará

domingo, fevereiro 07, 2010

EL PAÍS DE LOS SENTIMIENTOS

conto realizado para o seminário de escrita. Feito em 5 minutos - é favor desculpar as incongruências

“Nada humano me es ajeno” K. Marx

El orgullo queria ser lider en el país de los Sentimientos. Decia que era lo que estaba mejor preparado para dominar. Era altivo y podia garantizar suceso para todos. Envitó la vanidad para ser vicepresidenta.

Casi todos los sentimientos tenian sus opiniones. El entusiasmo apoyaba sin reservas. A algunos les daba igual; como a la indiferencia, por exemplo. En general no habia nada que decir sobre el, parecia un sentimiento positivo. La desconfianza y la vigilancia eran los que tenian más dudas, pero también no sabían como explicar porque no deberia el orgullo ser jefe.

Los resultados electorales no trajeron sorprisas: el orgullo venció, ultrapasando la alegria (que solo aparecia algunas veces y fué boicoteada por la desolación) y ganando al amor (que casi no hizo campaña electoral porque era un sentimiento desinteresado del poder).

La vigilancia, la inquietud y otros sentimientos seguieron diciendo que la lideranza del orgullo representaba un peligro.

Y estaban ciertos. Pasado algún tiempo el orgullo invitó la arrogancia para jefe das fuerzas armadas y instauraran una dictadura.

Fué organizada la resistencia bajo el comando de la coraje y de la vigilancia.

Después de muchas batallas en que guerrilleros como la modestia, la verguenza y la humillación se destacaron, el movimiento de liberación de los sentimientos triunfó.

Fueron realizadas muchas asambleas que tuvieron como fruto una constituición que instituía una amplia democracia y la participación de todos los sentimientos en la gobernación del país de los Sentimientos.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

À MARGEM



Para quem ainda não viu.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Mais relatos de Barcelona (resumidos e publicados no facebook)

25) Estive à chuva a ver as esculturas do Rodin - O pensador parecia que chorava;
26) Ainda não tenho almofada;
27) Estou a aprender catalão com 3 hondurenhos, 3 argentinos, 2 peruanos, 1 sueca, 1 marroquina, 1 andaluz, 2 galegas, 2 madrilenos e 1 catalã regressada à pátria;
28) Depois de muito... explicar numa papelaria que queria comprar cola descobri que em castelhano cola diz-se... cola!
29) Já tenho almofada! (descobri-a no fundo de um armazém chinês. Custou-me 2 euros);
30) Descobri que há milhares de crianças a andar nos autocarros;
31) Conheci o bar da Elsa e os melhores mojitos de Barcelona (estou perdida!);
32) Há obras de arte aqui que parecem obras e obras que parecem obras de arte;
33) Também há muitas crianças no metro;
34) Passei o fim-de-semana no congresso do PCC - nunca fui tão apaparicada na minha vida;
35) Continuo a achar que a palavra mais gira do catalão é lletrejar (soa como lhatrejar e significa soletrar);
36) Conheci uma paraguaia comunista;
37) Ontem tive um momento de epifania;
38) Hoje caiu-me um anjo italiano no colo - uma espécie de Brad Pitt convidou-me para tomar café. Ainda estou encadeada pelas luzes;
39) O meu professor de catalão diz que só num mundo perfeito se conseguem distinguir foneticamente os bês dos vês - ViVa o português! Bisca Catalunya!

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Ainda Moretti



Ainda numa onda de Nanni Moretti

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Já estamos a construí-la!


Faltam 218 dias.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Quero filmes do Moretti



Confesso! Não me apetece escrever um conto sobre um gigante e um anão que são muito amigos e depois se perdem um do outro.
Queria antes ver o filme do Nanni Moretti (viver em Barcelona lembra-me constantemente os filmes dele - hei-de escrever sobre isto!), aquele musical sobre o pasteleriro trotskista na Itália dos anos cinquenta.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

UM LUGAR ADEQUADO

Ando fascinada com esta música. Mostrou-me um amigo que, por sua vez, a descobriu num blog de um espanhol a viver na Roménia.
Começa com uma canção dos pioneiros romenos sobre o "Ano 2000" e depois desenvolve sobre como, volvidos mais de 20 anos de capitalismo, as pessoas sentem-se enganadas e desmobilizadas.


Deixo a letra em castelhano.
UN LUGAR ADECUADO

Intro:

Somos niños pero no lo seremos siempre
Plenos de sorpresas, plenos de amor
Miramos hacia el futuro
Sabemos que nos vais a mostrar el camino
incontables flores y palacios
para que tengamos mañana oro y pan
Vosotros sois nuestros heroes
pero un dia lo seremos nosotros.

Estrofa 1:

Tambien se que ha pasado mucho tiempo
y que pasara mucho mas
presiento que todavia en diez años estare
con los mentirosos y con los que huyen
dejalo asi, el rumano esta hecho para ahogar
su amargura con sangre fria
Cuando encuentra un problema lo deja pasar
con una cerveza fria
Dime por que robas, cuanto tiempo quieres
seguir robando
No ves que somos muchas bocas y todos sabemos
que significa aguantar
Pero cuantas caidas aguantar, cuanto te alegras,
cuanto insultas
Tienes ganas de muchas cosas pero sabes que
nunca tendras suficiente

estribillo:

Pere no pasa nada, soy resignado desde niño
Tu eres consciente de lo que digo
No hemos nacido en el lugar adecuado
No, no, no hemos nacido en el lugar adecuado
No hemos recibido nada, hemos hecho todo
desde cero

Pere no pasa nada, soy resignado desde niño
Tu eres consciente de lo que digo
No hemos nacido en el lugar adecuado
No, no, no hemos nacido en el lugar adecuado
No hemos recibido nada, hemos hecho todo desde cero

Estrofa 2:

Los mios son igual de seguros como los tuyos
Hemos crecido con cardenales
Me han enseñado como no tomar caminos equivocados
Me han explicado que el mundo es malo y la vida dificil
Y tengo que hacer algo
Me han dicho que en algun momento moriran
Y que tengo que estar alerta y tengo que luchar
Que el tiempo se pasa como un disparo
Me llevan de lugar en lugar
Me cambian segun la suerte
Me hacen correr solo para un voto
El mundo siente, quiere hechos y no palabras
Que un hombre normal sea presidente

Pero, pero, pero

Estribillo

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Exercícios deprimentes (segunda parte)

Ainda sobre a raiva... Eis o desenho mais assustador que fiz na vida.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Exercícios deprimentes

Este era o texto que tinha de ilustrar:

Amo a Eustace a pesar de que me lleva cuarenta años, es totalmente mudo y no tiene ningún diente. Me da igual que Eustace esté completamente calvo- excepto los pelos esos que se le ven entre los dedos de los pies-, que cuando ande se le note la joroba y a veces se caiga en medio de la acera. Si cree que tiene que emitir uno de esos cortos sonidos agudos suyos como silbando, o si se le da por mordisquear con su boca sin dientes en el sofá o irse a dormir al jardín, yo lo acepto todo como cosas bastante normales. Porque le amo. A Eustace le amo porque es el único hombre del mundo al que no le importa que yo tenga tres piernas.

“Eustace”. Tanith Lee.

Depois de muito magicar sobre o assunto, cheguei à conclusão que o Eustace e a/o Três Pernas eram um só.

Quis fazer uma ilustração em que se conseguisse ver os dois personagens distintamente mas que ao mesmo tempo nos pudéssemos aperceber que era um só. A coisa não ficou muito conseguida. Saiu-me isto:



domingo, janeiro 17, 2010

Da vinculação à raiva

Foi um daqueles dias em que todas as emoções nos invadem. Maioritariamente as piores. Um dia como os do velho dito: “há dias de manhã em que um tipo à tarde não devia sair à noite”.

Comecei o dia cheia de expectativas – desde que cheguei a Barcelona que quero aprender catalão. Mas as magras economias não me dão para pagar um curso. Vi no site da UAB (Universidade Autónoma de Barcelona) que há cursos gratuitos para os alunos. A minha escola, Eina, apesar de privada, está vinculada à UAB. Tudo e todos indicavam que como aluna teria os mesmos direitos que os restantes alunos da universidade. Lá fui eu, toda lampeira, até à dita cuja universidade.
Bem, não tão lampeira quanto isso… que não paguei o bilhete do comboio e ia borradinha de medo.

Chego à universidade e procuro o acolhimento a estudantes estrangeiros. Sou depois encaminhada ao serviço de línguas. Dizem-me que tenho de passar duas faculdades e tal e coisa. Lá me vi eu a andar num lamaçal e a fazer gincanas. Chego ao sítio e subo as escadas. Dão-me a notícia: “Eina no es UAB. Tines que pagar 527 euros. Los cursos gratuitos son para los estudiantes de la UAB”. “Hijos de puta!” e o resto saiu-me para dentro e em português: “vão mas é roubar p’á estrada!”. Ainda consegui perguntar: “Entonces… que es la vinculación de Eina a UAB?”, “Los estudiantes de Eina no tenien los mismos derechos?”. “Pues, no lo sé. Esto es lo que me han dicho, lo siento”. “Lo siento?…, lo siento?…, e se fosses mas é p’ó c...!”

A raiva tomou conta de mim e em menos que nada instalou-se-me uma dor de cabeça.
Voltei frustrada e comprei a merda do bilhete (mas só comprei uma zona). Cheguei à Praça Catalunha (o centro do universo) e almocei mesmo ali na estação. Saquei do farnel e com pena de mim própria engoli umas sandochas.

A coisa melhorou quando cheguei à escola. Lá me inteirei do funcionamento da sala dos computadores e da biblioteca. Ah! A biblioteca! Lembra-me um livrinho do Umberto Eco, chamado precisamente A Biblioteca. Uma torre de estantes e escadas laterais que nos levam a pequenos passadiços. Que nos permitem ver os livros à medida que subimos a torre. Numa das faces há pequenas janelas em cada “piso”. No último, quase inalcançável, onde estão os livros sobre ilustração e onde quase ninguém vai, sinto-me uma Rapunzel com vista para Barcelona.

Perco a hora e chego uns minutinhos atrasados à aula de escrita criativa. O professor pede que se descreva, primeiro o percurso até chegar ali. O ponto de partido fica ao critério de cada um. Eu começo com o dia a começar. Depois pede-nos que escrevamos o mesmo percurso mas só relatando as emoções. Diz-nos para escolher a emoção mais significativa e que a descrevamos na primeira pessoa. Escolhi obviamente a raiva.

E saiu-me este texto:

Sou vermelha e chego de repente.
Incendeio as pessoas por dentro e debaixo para cima. Reteso-lhes a garganta e faço-as ter consciência dos dentes. Obrigo-as a cerrá-los num desejo de morder até rasgar, até esmagar. Inflamo os olhos e transformo as mãos mais delicadas em garras poderosas.
Alojo-me na cabeça e transformo-me num vazio de fogo.
Aqueles que tomo, faço-os desligarem de si mesmos. Afasto-os da razão ou faço-os tomar consciência de que são impotentes, ou convenço-os que no imediato são impotentes.

O que é curioso, acho eu, é que a sensação negativa que a universidade me provocou serviu depois para fazer um trabalho para ela.

Biblioteca da Eina

Sobre a Tortura



Para quem ainda tenha dúvidas em assinar o abaixo-assinado da ASEH sobre a não extradição dos cidadãos bascos e para quem ainda tenha dúvidas sobre a ilegitimidade, desumanidade e inconsequência da tortura, recomendo vivamente que vejam este video - resume de um debate realizado na ETB2 (TV basca), no início de 2008 (a propósito da hospitalização de Igor Portu depois de ter sido torturado).
Chamo à atenção para as declarações de Martxelo Otamendi, director do jornal Egunkaria, que foi torturado depois do encerramento do jornal, acusado de fazer parte do aparelho propagandístico da ETA.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Relatos de Barcelona (resumidos e publicados no facebook)

1) Barcelona virou uma cidade fantasma. Tem 25 mil habitantes, só há polícias, taxistas e estrangeiros na rua.

2) Estou a viver com um ranhoso piroso. É reaccionário.

3) Encontrámos uma caixa que diz "Roba Amiga". Assustámo-nos.

4) Há escadas rolantes em várias ruas deste bairro. Há falta de passadeiras rolantes no aeroporto.

5) Os habitantes de Barcelona multiplicaram-se hoje;

6) Foi preciso aqui chegar para a temperatura descer;

7) Andamos a fazer coisas estranhas - comprámos vinho clandestinamente, roubámos papel higiénico e fomos ao lixo;

8) Ah! Fomos ao PCC - curiosamente, ao que chamamos Mundo do Trabalho eles dizem Actividade Humana;

9) Os habitantes de Barcelona concentram-se em certas zonas para pareceram mais;

10) Gritei com uma pseudo-pedinte que me queria roubar;

11) Gritei com um exibicionista que resolveu masturbar-se à nossa frente;

12) "Conheci" um chefe dos mossos d'esquadra (bófia);

13) Passámos pela Praça Karl Marx e pelos Jardins Rosa Luxemburgo na viagem de autocarro mais surrealista que fiz na vida.

14) Há uma certa dificuldade em afixarem preços nos supermercados;

15) Recebi uma chamada da RTP a querer saber o que se passava com os bascos à saída de um museu;

16) A ASAE, custa-nos admitir, faz uma certa falta...;

17) Para o André não dizer que só falo mal - Barcelona é fantástica!

18) É muito difícil comprar uma almofada em Barcelona;

19) Descobri que vivo na Brandoa de Barcelona (quando tiver pilhas na máquina coloco aqui fotos);

20) Descobri que os barceloneses adoram deixar cadeiras na rua (qualquer dia tenho o quarto cheio de cadeiras apanhadas no lixo - trouxe uma delas desde a P. Catalunya até à Brandoa cá do sítio).

21) Hoje vi uma mulher a mijar descaradamente na Praça Catalunha;

22) Descobri que aqui há burocracias ainda mais estranhas que em Portugal (para comprar um livro tive de ir a um banco fazer um depósito e voltar ao sítio com o comprovativo para o levantar);

23) Para não dizerem que só falo mal -... Há montanhas de cursos gratuitos de catalão para estrangeiros;

24) Lá estive numa manifestação de solidariedade com a Palestina (aqui fazem-se mais tarde, durante menos tempo, com mais gente desatenta, menos palavras de ordem e mais pessoas - poucas mais).

terça-feira, janeiro 12, 2010

They can´t stop the sunshine



De volta!

terça-feira, setembro 16, 2008

ILEGALIZARAM A ANV!

TEXTO PUBLICADO NO BLOG DA ASEH:

Em tempo recorde, o Supremo Tribunal espanhol ilegalizou a Acção Nacionalista Basca, partido que nos últimos anos assumiu as bandeiras da esquerda independentista e que existia desde 1930. Este partido participou nas célebres eleições de 16 de Fevereiro de 1936 que dariam a vitória à Frente Popular, que incluía a ANV. Durante a guerra civil, este partido organizou batalhões de combatentes antifascistas. Depois, mergulhou durante décadas na clandestinidade. Quando Franco morreu, a ANV regressou à acção política com uma viragem mais à esquerda integrando, em 1978, o Herri Batasuna. Depois da ilegalização deste último, a ANV apresentou-se como representante da esquerda independentista nas eleições municipais. Das 97 localidades em que se pode candidatar, conquistou 31 e conseguiu representação noutras 62. Durante estes últimos anos, por assumir a vanguarda eleitoral da esquerda independentista, foi perseguida e demonizada. Suspenderam-lhe a actividade e depois, através de moções de censura, tentaram dissolver os executivos municipais que detinha. Depois do franquismo, a Acção Nacionalista Basca vê-se perseguida pelo fascismo espanhol.

Como já explicámos aqui, várias vezes, a Associação de Solidariedade com Euskal Herria considera que as ilegalizações de partidos e organizações da esquerda independentista basca não só configuram uma forma de criminalização fascista como também não resolvem a raiz do problema do conflito. Só a autodeterminação do povo basco, o direito a decidir o seu próprio futuro, pode abrir caminho à paz. O caminho não pode ser, portanto, o caminho da criminalização dos direitos cívicos e políticos do povo basco. Esse é o caminho da guerra.

Viva a Acção Nacionalista Basca!
Viva o País Basco livre e socialista!
Borroka da bide bakarra! A luta é o caminho!

Campanha de ajuda humanitária ao povo de Cuba




As Caraíbas, o México o sul dos EUA foram nas últimas semanas
afectados por vários fenómenos naturais extremos que causaram centenas
de vítimas mortais e avultados prejuízos materiais ainda difíceis de
contabilizar.

Em Cuba, afectada no espaço de uma semana e meia por dois furacões e
uma tempestade tropical, e onde o furacão Ike assumiu proporções de
grande gravidade, apenas a notável eficiência dos planos de emergência
cubanos para este tipo de situações evitou que os violentos fenómenos
naturais causassem um drama humano de grandes proporções, existindo
contudo 7 vítimas mortais a lamentar.

Mas a destruição provocada é enorme e sem precedentes: Estima-se que
350.000 casas tenham sido afectadas, 30.000 das quais com capacidade
de reconstrução bastante limitada. Em algumas províncias esses números
significam 80% do total das habitações. Importantes infra-estruturas,
como estradas, rede eléctrica e armazéns de reservas estratégicas,
foram severamente lesadas. Uma primeira estimativa dos prejuízos
causados em Cuba pelos furacões aponta para cerca de 150 milhões de
dólares de prejuízos. Particularmente afectadas pela devastação foram
as culturas agrícolas, o que já obrigou o governo cubano a recorrer a
todas as reservas alimentares para atenuar os efeitos imediatos da
escassez de alimentos.

Cuba é sempre o primeiro país a disponibilizar e a prestar auxílio –
alimentar, médico e técnico - a todos os povos e países vítimas de
catástrofes naturais ou de outras calamidades. Foi o primeiro a
oferecer ajuda aos EUA aquando das terríveis inundações provocadas
pelo Katrina, apenas para referir um exemplo recente e da mesma
natureza. Contudo, mesmo sendo vítima de uma catástrofe natural destas
dimensões, Cuba permanece sujeita ao criminoso bloqueio económico
imposto pelos EUA – o mais longo da história da humanidade.

À semelhança de muitos outros países e organizações por todo o mundo é
tempo de os portugueses furarem o criminoso bloqueio a Cuba e se
mobilizarem para enviar para o País que está sempre na primeira linha
da solidariedade internacional a amizade, o apoio e a ajuda que o povo
de Cuba agora necessita. Cuba está sempre por todos, é altura de todos
estarmos por Cuba.

Assim, por iniciativa da Associação de Amizade Portugal-Cuba, a que se
associam muitas outras organizações sindicais, do movimento da paz, de
variados movimentos sociais e políticos, lança-se em Portugal uma
Campanha de Solidariedade com Cuba "Cuba por Todos, Todos por Cuba",
com o objectivo de fazer chegar ao povo cubano géneros alimentares de
primeira necessidade (conservas, leite em pó, farinhas, massas e
arroz, feijão) e recolher fundos para apoiar a reconstrução em Cuba.

Ao lançar esta campanha a Associação de Amizade Portugal-Cuba e as
organizações subscritoras deste apelo apelam à participação de todas
as organizações, entidades, públicas e privadas e cidadãos, nesta
campanha para apoiar a reconstrução em Cuba.

Brevemente serão disponibilizadas informações sobre outros pontos de
recolha dos alimentos para Cuba e o número da conta bancária para
recepção de toda a solidariedade com que cada um possa contribuir.

Outras iniciativas de solidariedade com o mesmo objectivo serão em
devido tempo comunicadas a todos aqueles que se queiram associar a
esta campanha. Todas as informações podem ser obtidas junto do
Secretariado Permanente da Campanha "Cuba por todos, todos por Cuba"
que funcionará na Casa da Paz, em Lisboa.

As organizações subscritoras:

Associação de Amizade Portugal-Cuba

CGTP/IN

Conselho Português para a Paz e Cooperação

Juventude Comunista Portuguesa

Movimento Democrático das Mulheres

Voz do Operário



CONTACTOS:

Secretariado permanente da Campanha

Casa da Paz

Rua Rodrigo da Fonseca, 56 – 2º – Lisboa (perto do Marquês de Pombal)

Contactos

Telefones: 213 863 375 / 213 863 575

Fax: 213 863 221

Telemóveis: 962 022 207, 962 022 208, 966 342 254, 914 501 963



E-mail: todosporcuba@gmail.com



Centros de Recolha:



Armazém Central de Recolha

Alameda D. Afonso Henriques nº 42 (junto à Fonte Luminosa)

Lisboa

(entrada de viaturas pela Rua do Garrido, lote 748, Lisboa)





Associação de Amizade Portugal-Cuba

Rua Rodrigo da Fonseca 107-r/c-Esq, Lisboa

1070-239 LISBOA

Telefone: 21 385 73 05



Conselho Português para a Paz e Cooperação

Rua Rodrigo da Fonseca, 56 – 2º

1250-193 Lisboa

Telefone: 21 386 33 75 / 21 386 35 75





A Voz do Operário

Rua Voz do Operário, 13

1100-620 LISBOA

Telefone: 21 886 21 55



Movimento Democrático das Mulheres

Avenida Almirante Reis 90,7º-A

1169-161 LISBOA

Telefone: 218 160 980



Junta de Freguesia de São Vicente de Fora

Campo Stª Clara 60

1100-471 LISBOA

Telefone: 21 885 42 60



Juventude Comunista Portuguesa

Av. António Serpa nº 26 – 2º esq

1050-027 Lisboa

Telefone: 21 793 09 73