domingo, dezembro 05, 2004
sábado, dezembro 04, 2004
ARTE DE TRANSFORMAR XI
Alarga os teus horizontes
Por que é que combateis? Dir-se-á, ao ver-vos,
Que o Universo acaba aonde chegam
Os muros da cidade, e nem há vida
Além da órbita onde as vossas giram,
E além do Fórum já não há mais mundo!
Tal é o vosso ardor! tão cegos tendes
Os olhos de mirar a própria sombra,
Que dir-se-á, vendo a força, as energias
Da vossa vida toda, acumuladas
Sobre um só ponto, e a ânsia, o ardente vórtice,
Com que girais em torno de vós mesmos,
Que limitais a terra à vossa sombra...
Ou que a sombra vos torna a terra toda!
(...)
Dir-se-á que o mar da vida é gota d'água
Escassa, que nas mãos vos há caído,
De avara nuvem que fugiu, largando-a...
Tamanho é o ódio com que a uns e a outros
A disputais, temendo que não chegue!
Homens! para quem passa, arrebatado
Na corrente da vida, nessas águas
Sem limites, sem fundo - há mais perigo
De se afogar, que de morrer à sede!
De que vale disputar o espaço estreito,
Que cobre a sombra da árvore da pátria,
Quando são vossos cinco continentes?
De que vale apinhar-se junto à fonte
Que - fininha - brotou por entre as urzes,
Quando há sete mil ondas por cada homem?
(...)
De que vale concentrar-se a vida toda
Numa paixão apenas, quando o peito
É tão rico, que basta dar-lhe um toque
Por que brotem, aos mil, os sentimentos?!
Oh! a vida é um abismo! mas fecundo!
Mas imenso! tem luz - e luz que cegue.
Inda a águia de Patmos - e tem sombras
E tem negrumes, como o antigo Caos:
Tem harmonias, que parecem sonhos
De algum anjo dormido; e tem horrores
Que os nem sonha o delírio!
É imensa a vida,
Homens! não disputeis um raio escasso
Que vem daquele sol; a ténue nota,
Que vos chega daquelas harmonias;
a penumbra, que escapa àquelas sombras;
O tremor, que vos vem desses horrores.
Sol e sombras, horror e harmonias
De quem é isto, se não é do homem?!
Não disputeis, curvado o corpo todo,
As migalhas da mesa do banquete:
Erguei-vos! e tomai lugar á mesa...
Que há lugar no banquete para todos:
Que a vida não é átomo tenuíssimo,
Que um feliz apanhou, no ar, voando,
E guardou para si, e os outros, pobres,
Deserdados, invejam - é o ar todo,
Que respiramos; e esse, inda mais livre,
Que nos respira a alma - a terra firma.
Onde pomos os pés, e o céu profundo
Aonde o olhar erguemos - é o imenso,
Que se infiltra do átomo ao colosso;
Que se ocultou aqui, e além se mostra;
Que traz a luz dourada, e leva a treva;
Que dá raiva às paixões, e unge os seios
Com o bálsamo do amor; que ao vício, ao crime,
Agita, impele, anima, e que à virtude
Lá dá consolações - que beija as frontes
De povo e rei, de nobre e de mendigo;
E embala a flor, e eleva as grandes vagas;
Que tem lugar no seio, para todos;
Que está no rir, e está também nas lágrimas,
E está na bacanal como na prece!...
Antero de Quental
Publicada por Irene Sá à(s) 5:16 p.m. 0 comentários
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quinta-feira, dezembro 02, 2004
* Vermelhices (Comentários políticos) V*
A "Quinta das Celebridades" e a liberdade de expressão
É curioso, para não dizer decepcionante, verificar como a Comunicação Social Dominante (CSD), isto é; a Comunicação Social ao serviço do grande capital e, logo, da ideologia dominante (e desculpem lá os que acham que os termos são ultrapassados e demasiado conotados, mas a verdade é que ainda não foram inventadas palavras mais adequadas. E era bom que as almas mais susceptíveis reflectissem se não será a verdade, e não as palavras, que os apoquenta), subverte os factos arranjando interpretações mirabolantes sobre os acontecimentos.
Li num texto sobre teoria da comunicação, da autoria de um sujeito chamado Paul Beaud, que os noticiários televisivos deixaram de o ser. Bom, as palavras não eram bem estas, mas o sentido era. Ele dizia, em 1997!!, que o lúdico tinha substituído o puramente informativo e assim, seguindo uma velha conclusão, já tirada por Antero de Quental - "(...) não lendo ninguém senão o que lhe agrada, o público nunca favorecerá senão o que estiver à sua altura, e por isso o jornal, para durar, será sempre e necessariamente o espelho lisonjeiro do público e não o seu mestre severo. Os jornais só vivem fazendo-se os confidentes de comédia do público, das suas paixões, dos seus erros, das suas ilusões e não os seus apóstolos” -, os "grandes" media optam, em nome do dinheiro, por alimentar as ilusões de um povo que vive profundamente frustrado. Um povo ao qual patrões e governantes cinicamente pedem sacrifícios em prol de uma retoma que não vem (assim como antigamente se dava o castigo na vida em troca do paraíso na morte), ao qual é inflingida a doença, o desemprego, a miséria. E não se trata de um exagero! duzentos mil portugueses, duzentos mil!! vivem abaixo do limiar de pobreza. Não são os pobres! São os miseráveis!! duzentos mil!! Pobres serão muitos mais. Um povo a cujo magro salário se retira cerca de 20%, supostamente, para gerir e construir o país. Mas ao qual se cobram, e se apresentam como lógicas, cada vez mais elevadas taxas pela saúde, pela justiça, pela educação, pela habitação, portagens em quase todas as vias, valores elevadíssimos para a fruição cultural, etc., etc., etc. Um povo ao qual, impunes líderes partidários que reclamam maiorias absolutas em nome de teóricas estabilidades governativas, retiram a estabilidade de vida e a possibilidade de jovens poderem fixar uma casa, uma família, amigos, tudo! porque lhes ofereçem precariedade laboral embrulhada num lindo papel a que chamaram produtividade e com um laçarote baptizado de flexibilidade. Mas a esse mesmo povo mostram os media que ele só será feliz se tiver o carro x, se cheirar a y, se se vestir como z, se tiver o telemóvel w, se pagar a tempo e horas o telefone, a electricidade, o gás, se ouvir as músicas e ver os filmes que vêm empacotados dos Estados Unidos. A esse povo dizem que tudo o que se opõe a esta "belíssima" ordem é terrorista, uma aberração ou está ultrapassado.
Então, esse povo, deleita-se com telenovelas e futebol, e deleita-se com o cúmulo do culto da estupidez; um programa chamado "Quinta das Celebridades"; e com notíciários que não informam porque fornecem dados perfeitamente irrelevantes para um conhecimento alargado e aprofundado da realidade. Notíciários que repetindo um acontecimento até à exaustão e de forma promenorizada, deixam de parte outros acontecimentos e assuntos importantes, notíciários que contam apenas uma versão dos factos, ou pior, que, de forma desonesta, tentam mostrar a imparcialidade que não têm.
A liberdade de informação e de expressão não foi posta em causa porque Marcelo Rebelo de Sousa foi afastado da TVI. Ou porque José Rodrigues dos Santos se demitiu por causa de um concurso para selecção de um correspondente da RTP. A liberdade de expressão acabou no dia em que deixou de existir o direito à informação. Ela ainda existe no papel, é certo, mas também o direito à dignidade está celebrado na lei e eu olho para o lado e vejo cada vez mais gente que a perdeu.A liberdade de expressão não é uma coisa acrítica. Ela existe no quadro de uma democracia, inventada há quase trinta e um anos. Somos livres de dizer, como diz a canção, mas somos livres de poder dizer alto e de poder dizer o que sabemos e pensamos. E para sabermos e pensarmos temos de estar informados e apetrechados com o mais vasto conhecimento.
O povo vive frustrado. No dilema entre aquilo que sente e aquilo que lhe dizem que deve sentir. Entre querer ser livre e querer corresponder à imagem de sucesso que lhe impingem. Entre ouvir dizer que se pode expressar e poder efectivamente expressar-se. Entre querer ser humano e ter que corresponder à máquina que o patrão quer que ele seja. O povo já não sabe se o que está certo é a dor que lhe dilacera o peito ou a vergonha de não ser feliz - "Que força é essa amigo que te põe de bem com os outros e de mal contigo" cantou o Sérgio Godinho - .
A CSD, a propósito da dissolução da Assembleia da República e consequente queda do Governo, ao apontar as causas para o sucedido, pela voz de jornalistas e comentadores, não foi capaz, não quiz, não se atreveu, não deu importância, aos últimos anos de vida deste povo. Sampaio teria chamado Santana Lopes apenas por causa da crise interna no Governo. A história tem sido contada como se fosse o "Big Brother" ou a "Quinta das Celebridades": tudo não passa de um grande conflito que se deu entre os membros que compõem o Conselho de Ministros. Todos, ou quase todos, falam em abstracto: da crise, da estabilidade, da legitimidade, de quem vem, de quem foi. Tudo com muita opinião: a de Durão Barroso na Bélgica, a de Guterres nos EUA, de Paulo Portas (com a sua cara de pau) no Largo do Caldas, de Sampaio algures em visita caritária, de Sócrates no Largo do Rato, de João Soares ao telefone, Louçã na Assembleia da República, de Rui Rio numa reunião do PSD, de Manuel Monteiro não sei de onde, e a destoar, em 10 segundos (num total de 5 horas), Jerónimo de Sousa a lembrar, e bem, que, de futuro não podemos ter mais do memo. Imagens de Ferro Rodrigues em declarações de há quatro meses, de Santana e Cavaco em arrufos de namorados em diversos episódios. Só faltava mesmo fazerem um teledisco. Sobre as verdadeiras causas da queda do Governo? Nada!!!
A verdade é que o Governo cai porque, apesar de tanta demagogia, tanta manipulação, tanta mentira, o povo já não sustentava este governo. Quantos portugueses ficaram tristes?quantos portugueses se reconheciam neste governo? quantos achavam que este era o caminho certo para o país? A verdade é que, apesar de brando, o povo português deitou abaixo o Governo. Ou alguém realmente acredita que se as pessoas andassem satisfeitas com a política do PSD-PP o Governo ia abaixo? se o povo sentisse que, de algum modo, este era o seu governo, teria havido esta "Quinta das Celebridades"?
E a liberdade de expressão só poderá existir quando a CSD nos disser esta e outras verdades.
Publicada por Irene Sá à(s) 2:38 a.m. 0 comentários
terça-feira, novembro 30, 2004
ARTE DE TRANSFORMAR X
A Geração dos Acampamentos
Posso sorrir
Mas terei sempre nos olhos
A sombra das flores caídas,
De um cipreste perdido
Permanecendo de pé entre os escombros das aldeias
Do meu país devastado
Envolto por amargo silêncio.
Nunca a História enjeitou um povo
Do modo como enjeitou o meu,
Oferecendo a outros a sua terra...
Espalhando os habitantes aos quatro ventos.
A minha pátria adormeceu
Para além dos lamentos no horizonte
E eu permaneço aqui
De olhos sombrios,
Não por natureza
Mas por carregarem a sombra das tendas.
Os meus lábios não são mais como os das crianças
Chamando as mães
Tornaram-se como um pão seco
Deixaram de se lamentar.
Ficarei sobre o teu chão, oh pátria
Cantarei a primavera
Gritando no rosto dos derrotistas.
O inverno trás a morte
Não vos deixei abater
Erguei os braços para a luta!
Chama-nos a bandeira
Do combate pela sobrevivência
Do combate pelo regresso.
Glória ao povo martirizado
Que enfrentando os espinhos
Faz a colheita da primavera.
( Poemas para uma pátria ocupada – Palestina)
Publicada por Irene Sá à(s) 12:16 a.m. 0 comentários
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segunda-feira, novembro 29, 2004
domingo, novembro 28, 2004
Viva o PCP!
Elogio do Trabalho Clandestino
É bonito
Usar da palavra na luta de classes
Clamar alto e bom som pela luta das massas
Pisar os opressores libertar os oprimidos.
Árdua e útil é a pequena tarefa de cada dia
Que secreta e tenaz tece
A rede do partido sob
Os fuzis apontados dos capitalistas:
Falar mas
Escondendo o orador.
Vencer mas escondendo o vencedor.
Morrer mas
Dissimulando a morte.
Pela glória, quem não faria grandes coisas?
Mas quem as faz pelo olvido?
No entanto, o pobre que mal come senta a honra à sua mesa;
Das pequenas cabanas em ruínas
Surge a grandeza irresistível.
E a glória busca em vão Os autores do grande feito.
Saí da sombra
Por um momento
Rostos anónimos, dissimulados, e aceitai
O nosso agradecimento.
Publicada por Irene Sá à(s) 2:12 p.m. 0 comentários
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terça-feira, novembro 23, 2004
ARTE DE TRANSFORMAR IX
Ainda no século XIX..., desta vez com William Turner. Creio que esta pintura tenha o título de "vapor a velocidade", ou qualquer coisa do género. E creio também que esteja na National Gallery em Londres.
O Turner foi durante muito tempo o meu pintor preferido (até conhecer o Rivera, o Hundertwasser e aprofundar o meu gosto pelo Rembrandt), sempre achei que fosse um expressionista avant la lettre. É classificado como romântico e, de facto, as primeiras pinturas dele são mesmo paisagens à Constable. Mas depois foi aprofundando o estudo da luz (de modo diferente dos impressionistas franceses - uma pintura só plástica, pretensamente descomprometida na maioria dos casos) e a determinada altura (com maior evidência nas aguarelas) a pintura dele é abstracta (apenas luz e formas sintetizadas). O homem às tantas estava tão fascinado com os jogos de luz e movimento que, ao contrário dos outros românticos ingleses, passou a pintar o smog londrino (fumo e nevoeiro), isto é; os efeitos da poluição industrial, os comboios a vapor e até o incêndio de Londres. Entretanto a maior parte dos pintores românticos ingleses continuavam a fingir que a Inglaterra era uma imensa floresta de cenários belos e os românticos alemães a arrebatarem-se com o mistério e o sublime.
Turner pintava comboios.
Este deve ter sido o primeiro comboio a ser pintado: de fazer inveja a impressionistas, a futuristas e a expressionistas abstractos.
Quem estiver em Lisboa e quiser ver algumas pinturas dele pode ir até ao museu da Gulbenkian! Aproveita e vê o "Espelho de Vénus" de um pintor pré-rafaelita, Edward Burne-Jones (é lindo!)
Publicada por Irene Sá à(s) 8:14 p.m. 0 comentários
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segunda-feira, novembro 22, 2004
ARTE DE TRANSFORMAR VIII
"O homem não é de modo nenhum a soma do que tem, mas a totalidade do que não tem ainda, do que poderia ter. E, se nos banhamos assim no futuro, não ficará atenuada a brutalidade informe do presente? O acontecimento não nos assalta como um ladrão, visto que é, por natureza, um Tendo-sido-Futuro. E, para explicar o próprio passado, não será a primeira tarefa do historiador procurar o futuro?"
Jean-Paul Sartre
Publicada por Irene Sá à(s) 11:57 p.m. 0 comentários
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... Dá que pensar ... I
lei 107/2001 - Lei do Património Cultural:
O Artigo 17º enuncia os critérios de classificação de um bem.
Logo à cabeça: "O carácter matricial do bem".
Para classificar como património (pai) verifica-se o carácter matricial (mãe).O pai dá o nome, mas a mãe é a referência.
Dá que pensar...
Publicada por Irene Sá à(s) 1:55 p.m. 0 comentários
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sábado, novembro 20, 2004
FALIF I
Comunicado (não parece, mas é!)
As FALIF, Forças Armadas de Libertação da Ilha do Faial, criadas no dia 8 de Setembro de 2004, apresentam-se hoje ao mundo. Ainda não descobri muito bem qual deve ser a sua principal missão, mas concerteza haverá qualquer coisa a libertar no Faial. Francamente só me lembro das baratas.Libertemos então o Faial das baratas! Não subestimemos a tarefa. Não é coisa fácil. Sei que esta é uma missão que reúne o acordo de toda a gente, mesmo aqueles que já não se chateiam muito com elas, tendo-se rendido (como no anúncio da TV sobre a assinatura da PT).Para levar adiante semelhante objectivo (deve ser mais fácil acabar com a fome no mundo) há que estudar bem o comportamento das baratas. Um estudo que não deve estar muito aprofundado. Ou talvez esteja; já inventaram coisas fantásticas, como aquelas armadilhas de plástico que têm um iscozinho que atrai as bichas, que comem aquilo e depois espalham no ninho – epá, tenho lido imensos rótulos dessas coisas no supermercado (o corredor dos insecticidas tornou-se no meu local de leitura preferido) -, ou aqueles dispositivos com um frasquinho que se ligam à electricidade e depois repelem as gajas e não prejudicam o resto. Seja como for, acho que se podia desenvolver qualquer coisa melhor. Se se investisse mais nestas coisas em vez de se investir em armas (até já vi na TV que elas resistem às armas nucleares por causa da queratina! Será que os abrigos nucleares são revestidos a queratina?)!. Eu, resolvi dar o meu contributo e vou tentar monitorizar (os cientistas gostam muito desta palavra, monitorizar. Antigamente pensava que tinha a ver com monitores) o comportamento das baratas.No meu quarto só apareceram 2 grandes (uma delas foi ontem), uma de tamanho médio, e várias minúsculas. Só uma delas é que não foi na casa-de-banho. Não admira! A casa-de-banho fica mesmo por cima da zona da cozinha que tem porta para o jardim. A cozinha é a baratolândia, aliás, era. Os simpáticos homens-para-todo-o-serviço do hotel andaram a desbaratizar. Mas infelizmente há sempre umas quantas que sobrevivem.Descobri então que elas têm medo do vento. Quando faz muito vento elas entram mais nas casas. Ontem estava muito vento e lá descobri outra XL na casa-de-banho. Gelei da cabeça aos pés, suores frios, fiquei encarquilhada, com a respiração ofegante. Lembrei-me então que sou a comandante suprema das FALIF e com determinação decidi aniquilá-la sem dó nem piedade. A primeira coisa que nos ocorre é esmagá-la com um sapato, mas estas tipas voam, e quando são XL voam na nossa direcção. O melhor é atordoá-la com uma vassoura (conselho da Luísa Branquinho que mora na Bica em Lisboa e lá também há baratas). Para uma mariquinhas como eu esmagá-las com o pé também é demasiado arrepiante (sentir debaixo do pé a queratina a esmagar-se, blerg!!). Sigo então o conselho da Sara Brás (que tem baratas na ilha da Armona, Algarve): primeiro o spray venenoso (as grandes precisam de muito) e depois é que as esmagamos ou esperamos aí umas duas horas até morrerem. Os meus colegas de casa são muito corajosos, eu dou gritinhos quando as vejo na cozinha, eles, sem alterarem as expressões, dão-lhes pontapés!!Quando morrem ficam com metade ou dois terços do tamanho original, deitam muito líquido escuro (parece óleo) e umas porcarias viscosas verdes e brancas quando são esmagadas: Um nojo!! Se não limpamos logo aquilo seca e já não saí. E até agarra bocadinhos das asas.Parece um exagero não é? Pois, mas a minha amiga Sílvia fartou-se gozar comigo, dizia que me faziam companhia, que os chineses até as comiam, etc., etc. e quando cá veio só viu os cadáveres e ficou horrorizada (e estavam muito mais pequenas!)Ainda só convenci um gajo a integrar as FALIF (nunca mais o vi. Terá sido devorado por baratas?) e tentei convencer uns quantos alunos. Mas tenho a certeza da nobreza dos objectivos e da simpatia geral. As FALIF vencerão!
A Comandante Suprema
Publicada por Irene Sá à(s) 4:54 p.m. 0 comentários
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terça-feira, novembro 16, 2004
ARTE DE TRANSFORMAR VII
A liberdade custa muito caro
e temos ou de nos resignarmos a viver sem ela
ou de nos decidirmos a pagar o seu preço.
Publicada por Irene Sá à(s) 10:45 p.m. 0 comentários
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AZULICES (Curiosidades açoreanas) VII

O Internacional 
Edifício onde fica situado um dos mais conhecidos cafés da cidade: O Internacional. Disseram-me que antes do 25 de Abril só os mais ricos da cidade o podiam frequentar. Se alguém quisesse falar com outra pessoa que estivesse no café tinha de vir para o jardim (o sítio de onde tirei a foto) e o garçon fazia de moço de recados.
À direita fica a marginal (Avª 25 de Abril).
Publicada por Irene Sá à(s) 8:12 p.m. 0 comentários
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AZULICES (Curiosidades açoreanas) VI
Publicada por Irene Sá à(s) 8:08 p.m. 0 comentários
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AZULICES (Curiosidades açoreanas) V - Praia de Porto Pim II
Publicada por Irene Sá à(s) 8:07 p.m. 0 comentários
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AZULICES (Curiosidades açoreanas) IV
Publicada por Irene Sá à(s) 8:04 p.m. 0 comentários
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ARTE DE TRANSFORMAR VI
---Dedicado ao João Lopes (o grande admirador das minhas palestras sobre arte e estética. eheheheh)---
Ford Madox Brown - The Last of England. ----
Também já vi com o nome The Last glance of England. Este pintor fez parte da chamada Confraria Pré-Rafaelita; um grupo de artistas do romantismo inglês do primeiro e segundo quartel do século XIX. Imbuídos no espírito do revivalismo medieval, estes amiguitos advogavam que a arte do período do primeiro renascimento e até Rafael (daí o nome da confraria) era a estética perfeita. E daí que as suas pinturas aludam muito aos temas e ao imaginário do renascimento italiano.
Estes sujeitos eram tão alucinados que achavam que o ideal de vida era mesmo o do medievalismo. E até viviam em comunidade e despojados de luxos como se fizessem parte de uma ordem mendicante.
Estavam associados aos pensadores do socialismo utópico destes anos, sobretudo a William Morris (o pai do chamado socialismo das guildas), o maior chanfrado deles todos (de quem espero vir a falar num próximo post).
As suas posições políticas explicam-se facilmente: estes burguesotes, como aliás os primeiros socialistas de um modo geral, achavam que a intensa exploração dos trabalhadores nos primeiros tempos da industrialização se devia ao desenvolvimento tecnológico e não às relações de produção. Por isso defendiam o retorno à época pré-industrial e ao fabrico artesanal. E também por isso tinham a pancada pela Idade Média.
Mas reacções destas eram, e por vezes ainda são, mato. Salvo erro, foi o Zola, o grande Zola, que escreveu um manifesto contra a construção da Torre Eifell, uma inédita construção em ferro que assinalava, para toda Paris e o mundo verem que a indústria tinha chegado para ficar. Também uns jovens tontos italianos, estudantes de design, nos anos 60 do século XX, acharam que fazer design industrial era venderem-se ao capitalismo. Hoje estão podres de ricos e fazem objectos fabricados em pequenas séries que só capitalistas exploradores é que podem comprar. Enfim!!
Voltemos ao Madox Brown:
Este pintor, embora fizesse parte dos pré-rafaelitas, conseguiu variar a sua temática e pintar assuntos mais próximos do realismo frânces (um movimento que teve o seu apogeu na altura da revolução de 1848). Li algures que chegou a conhecer Marx, e que o admirava. Esta pintura, uma das minhas preferidas (talvez mesmo a minha preferida do século XIX), retrata um dos maiores dramas da Inglaterra destes anos; êxodo para os EUA. A exploração na Inglaterra industrializada era tremenda. A miséria assustadora. Os EUA eram a "terra de todas as oportunidades", onde todos podiam ter um pedaço de terra, achar ouro, enriquecer (acho que vem destes tempos o culto do "self made man", da ilusão da ascenção social por conta própria, o individualismo). Então, navios e navios carregados de gente que perdeu a esperança na sua terra, lançavam-se no desconhecido.
Este quadro mostra mesmo isso. Olho para ele e sinto o frio. Um frio por fora e por dentro. Do despojamento. E ao mesmo tempo, paradoxalmente, o conforto de não ir só (o amor é um porto de abrigo, li recentemente). Os olhos do casal: ele reflecte, volta-se para dentro. Ela tem um olhar vazio, já não pensa, apenas anseia o que virá.
E o promenor que eu mais gosto; a pequena mãozita que ela agarra. Um bebé que quando crescer já não se sentirá inglês. Que não conhecerá a terra de origem, a qual será para ele tão estranha como aquela para qual ruma agora com os pais.Publicada por Irene Sá à(s) 12:40 a.m. 0 comentários
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quinta-feira, novembro 11, 2004
Não iremos embora
Aqui
sobre vossos peitos,
persistimos .
Como uma muralha
Em vossas goelas
como cacos de vidro,
Imperturbáveis.
E em vossos olhos
como tempestades de fogo.
Aqui, sobre vossos peitos,
persistimos.
Como uma muralha.
Lavando pratos nos vossos bares,
enchendo os copos dos senhores,
esfregando negras cozinhas
para vos arrancar dos dentes
o pão dos nossos filhos.
Aqui
sobre vossos peitos,
persistimos .
Como uma muralha
Famintos. Despidos. Altivos.
Cantando versos.
Enchendo as ruas de manifestações
e os cárceres de orgulho.
Bebei o mar
porque aqui permanecemos.
Somos os guardiões
da sombra,
de laranjeiras e de oliveiras.
Semeamos ideais
como fermento.
Temos nervos de gelo,
mas fogo no coração.
Espremeremos pedras
se tivermos sede,
comeremos terra
se tivermos fome.
Mas não partiremos.
E não seremos ávidos do nosso sangue
- Tawfik Az - Zayed -
(poesia palestina de combate)
Publicada por Irene Sá à(s) 1:50 p.m. 0 comentários
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Cá estou eu!


Respondendo a algumas solicitações para colocar mais imagens no blog, e enquanto não digitalizo as fotos que tenho tirado com as máquinas descartáveis, e enquanto não tenho uma máquina digital, e enquanto não tenho dinheiro para enviar as do telemóvel para o e-mail, vai uma pequena amostra: um auto-retrato. O tratamento da imagem também não é dos melhores. Aqui não tenho nenhum programa decente para isso. Foi mesmo no Paint que fiz isto.
Publicada por Irene Sá à(s) 12:38 a.m. 0 comentários
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quarta-feira, novembro 10, 2004
ARTE DE TRANSFORMAR IV
Não me deêm mais desgostos
porque sei raciocinar
Só os burros estão dispostos
a sofrer sem protestar.
António Aleixo
Publicada por Irene Sá à(s) 1:06 a.m. 0 comentários
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domingo, novembro 07, 2004
ARTE DE TRANSFORMAR III
Se eu não me queimo,
Se tu não te queimas,
Se nós não nos queimamos,
Como as trevas se tornarão claridade?
Publicada por Irene Sá à(s) 1:38 a.m. 0 comentários
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