terça-feira, março 29, 2005

*Vermelhices (Comentários Políticos) XIII*

O JOGO DA VIDA

A educação por cá apresenta os mais lamentáveis resultados. Estranhamente (ou não) a indignação não se faz sentir. Tenho vergonha, a sério, do modo como o meu país encara a instrução.

Vivendo nas escolas dou-me conta de que tudo não passa de um circo ou de um teatro. Eu finjo que ensino, os alunos fingem que aprendem, os pais fingem que acompanham, e, estupidamente, os órgãos de gestão constroem o cenário para dar um ar realista a esta escola da fantasia. Tudo isto porque o ministério da Educação finge que tutela.

Na realidade, o que se faz no 13º andar da 5 de Outubro é o jogo das cadeiras. São muitas e a sala é grande. Um espaço excepcional e ainda por cima com vista para as torres do Técnico. Ministros (ou ministras), junto com secretários de estado, chefes de gabinete, assessores e mais algum pessoal que esteja disponível, correm à volta das cadeiras que são em igual número de participantes menos um. Escusado explicar, toda a gente conhece o jogo. Aquilo é rir à fartasana. Os nossos governantes gostam, por grande generosidade, de proporcionar igual prazer a toda a dita comunidade educativa. Criaram então divertidas ocupações relacionadas com os mais diversos campos da educação. Eu, por exemplo, sou professora daquela coisa híbrida, a Área Projecto. Uma área curricular não disciplinar: muito giro, sim senhor. É obrigatória, mas não é uma disciplina. Conta para a nota, mas não se pode passar trabalhos de casa. Serve para os alunos adquirem competências ao nível da elaboração de projectos mas não existem meios para trabalhar. Outra coisa gira é aquela da conversa sobre a importância da formação profissional. É também um jogo simpático: consiste em colocar uns indivíduos falar e outros a escrever sobre como é fundamental apostar na qualificação dos trabalhadores e futuros trabalhadores, ao mesmo tempo reduz-se a componente de formação tecnológica das escolas, correm-se com os professores, destrói-se o equipamento antigo ou deixa-se ao abandono (por falta de tempo para trabalhar com ele), e, muito importante, não se pode adquirir novo equipamento ou matérias-primas. Com este jogo, eu e os meus alunos já passámos episódios divertidos: o de procurar armários para guardar coisas, usar água em baldinhos porque não há água na sala de aula, etc., etc., etc.

Mas a mais recente invenção lúdica do ministério é o fim da picada. É o cúmulo da paródia: o novo concurso para docentes! Depois da risada colectiva que foram os anteriores concursos, a edição 2005/2006 é melhor que a última consola da Sony. Fenomenal! É para quem gosta de pistas de obstáculos, de jogos de sorte e esperteza macaca, é para quem gosta de jogar mikado e outros de paciência, é para quem gosta do quarto escuro e da cabra-cega, é para quem gosta da batalha-naval e da armadilha. Enfim, é multifacetado. A Majora não faria melhor.

As regras são as seguintes:

1- É preciso ler 4 resmas de manuais, portarias, avisos de abertura, que se contradizem e que podem mudar a qualquer altura;

2- Só joga quem tem um bom computador, com uma boa ligação à internet (é o choque tecnológico em acção). Ainda assim não é garantido que se consiga jogar:

3- É necessário ultrapassar todas as fases: a pré-inscrição; a inscrição; o preenchimento; a pré-validação; a validação; a confirmação; a verificação das listas graduadas provisórias; a reclamação; as listas graduadas definitivas, as listas de colocações; a reclamação. E, se não se for colocado; mais listas, mais inscrições, mais reclamações, enfim…

4- Todos perdem. Em diferentes graus, mas todos perdem.

5- Objectivo: o défice (esse grande desígnio nacional por todos acarinhado).

O jogo comanda a vida: é o slogan dos novos tempos. Aprender não pode ser sacrifício. Governar é comédia. Pão e circo já era; agora é mesmo só circo.

Até o amor é uma encenação: não pode parecer o que é, não pode ser fácil.

Só há um pequeno problema nesta esfera de fantasia e sorrisos. A fome existe. Todo o tipo de fome; a fome de pão, a fome de casa, a fome de aprender, a fome de amar.

E os esfomeados: esses desmancha-prazeres.

Eu finjo que acho piada, mas começo a ter fome.

domingo, março 13, 2005

Mesa de trabalho, mesa de distracções

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Onde está a caneta vermelha? Onde está ela? Chiça! Ainda agora aqui estava!

Ah! Ei-la debaixo do jornal.

Epá! Só agora reparo que na capa do Avante! do dia 3 está uma foto do pessoal da Amadora e uma da Gracinda. Olha a Gracinda! Bem despachada esta camarada… a Gracinda da Reboleira. Bom, já não é da Reboleira, agora é de Queluz. Mulher do Reizinho. O Reizinho… há que tempos que não o vejo! O camarada pacato que falava na Revolução Reboleira (não podia ser uma grande revolução com esse nome. Ainda é pior que Patuleia). Este Reizinho, operário da CP, sobreviveu a um acidente com um comboio. Será que ainda trata dos seus bonsai?

Bom, mas avancemos, avancemos que há trabalho para fazer. O que é que eu queria? Sim, é isso, o caderno com a fórmula de cálculo das notas.

Humm, tenho que digitalizar a imagem que está ali! É das minhas preferidas: a miliciana cubana com um bebé ao colo. Sempre me intrigou e apaixonou. Seria a mãe? Fotocopiei esta imagem para que nas aulas (em Sobral de Monte-Agraço) os alunos fizessem a sua interpretação. A maior parte disse que era uma bombeira e que tinha salvo a criança. Junto com esta fotografia estava uma outra; da alfabetização em Cuba no período que se seguiu à revolução. São crianças a ensinar velhos a ler. Os meus alunos adoraram a ideia de serem eles a ensinar aos mais velhos. Tenho a miliciana na Amadora, na parede amarela do escritório. Trouxe esta cópia no meio dos desenhos que uso para as aguarelas (tenho de pintar mais três: uma para o Donaldo, uma para a Graça, uma para o Miguel. Não posso esquecer!).

Bom, mas avancemos, avancemos. O que é isto? … Xiiii, é verdade! O documento do Congresso Regional que o Decq Mota me deu. Tenho que o ler amanhã, sem falta!

Merda, o que é que esta tesoura está aqui a fazer? Já me lembro estava na escola e agora vai directamente para dentro da caneca, fazer companhia às canetas, aos pincéis, aos lápis. Esta tesoura é incrível! Tenho-a há anos! Desde 1994. Levo-a para todo o lado. Esta desgraçada tem uma vida arriscada. Não vai a bailes de gala! Anda sempre nas preparações de manifestações, nas aulas, na construção da Festa do Avante!, nas obras da casa, etc., etc., etc. Já desapareceu várias vezes, mas voltou sempre (como seria a minha vida sem ela?...).

Ai! Merda! Tenho que por aquela carta no correio!

Porra! E isto? A lista de participações para fazer. Eles portam-se mal e eu é que tenho trabalho! Segunda-feira. Pois, na Segunda faço isso enquanto espero pela reunião do Conselho de Turma do 9ºF. Bem, mas se não me despacho não tenho as notas para atribuir. O que é que eu queria? A fórmula.

O melhor é arrumar estes papéis e fazer uma lista de tarefas que não posso esquecer.

Assim está melhor, só a toalha em cima de mesa. Que riscas tão coloridas que tem…


terça-feira, março 08, 2005

Dia Internacional da Mulher

Posted by Hello


1 - Emmeline Pankhurst –

Período: Fim do século XIX e primeiras duas décadas do século XX.

Local: Inglaterra

Porque figura na minha galeria?

Foi uma das fundadoras do movimento britânico do sufragismo. O nome da "Sra. Pankhurst", mais do que qualquer outro, está associado com a luta pelo direito de voto para mulheres no período imediatamente antes da primeira guerra mundial.

“As tácticas da Sra. Pankhurst para atrair a atenção ao movimento tiveram como resultado o emprisionamento por diversas vezes, mas por causa de seu perfil elevado, não passou as mesmos privações como outras colegas sufragistas (embora experimentasse alimentação forçada após greve de fome). Sua liderança da campanha não agradou a todos, e houve separatismo dentro do movimento em consequência”.

Curiosidade: Quem anda pelas manifestações já deve ter ouvido falar em pancartas sem saber de onde vinha o nome. Pois bem as placas que se usam presas ao peito e costas e aquelas outras presas a pauzinhos foram inventadas pelas Pankhurst, daí o nome.

Flores: Rosas

2 – Sylvie Pankhurst –

Período:Primeiras duas décadas do século XX.

Local: Inglaterra

Porque figura na minha galeria?

Filha de Emmiline Pankhurst, Sylvie distinguiu-se e divergiu da mãe porque sendo esta essencialmente uma conservadora (seria deputada pelo Partido Conservador) acedeu à concessão do direito de voto apenas para mulheres da burguesia e aristocracia. Aproximou-se então das posições de Clara Zetkin, que introduziam as questões de classe como as que estão na origem da descriminação das mulheres.

Lenine, embora louvando os esforços e ímpeto dos jovens britânicos, no qual incluía Sylvie, não deixou de os acusar de esquerdismo.

Foi fundadora do Partido Comunista Britânico.

Flores: violetas

3 - Rosa Luxemburg –

Período: Primeiras duas décadas do século XX.

Local: Polónia/Alemanha

Porque figura na minha galeria?

Uma referência incontornável apesar de algumas divergências com Lenine sobre as organizações revolucionárias e papel do partido e sobre questões internacionais.

“Impregnada de ardentes ideais revolucionários construídos na militância política clandestina na sua Polônia natal e no exílio na Suíça, Rosa sofre um choque ao mudar-se para Berlim em 1898, vinda de Zurique, onde concluíra a universidade com um brilhante doutorado sobre “O desenvolvimento industrial da Polônia”. Ela dá-se conta rapidamente de que a social-democracia alemã, a organização que escolhera para fazer carreira política (o maior partido operário do ocidente e modelo da esquerda na época), na realidade não passava de uma grande organização burocrática, adepta de um marxismo de fachada, e que os respeitados líderes social-democratas, pusilânimes e medíocres, eram totalmente carentes de talento e imaginação. Rosa, cuja experiência política num país pobre e atrasado lhe fazia ver com olhos críticos a atmosfera da esquerda alemã, pôs-se como tarefa vencer intelectualmente no interior da social-democracia — o partido da classe operária alemã —, empurrá-la para a esquerda, combater a rotina, “permanecer idealista”, trabalho a que se dedicou incansavelmente até a guerra”.

“Toma por lema o seguinte verso do Fausto de Goethe: No princípio era a acção. “No princípio era a acção” significa que a iniciativa pertence às massas, não ao partido. Mas este também tem um papel a desempenhar, Rosa não é uma anarquista que rejeita por princípio a organização. O partido tem por função esclarecer, explicar, pois ele possui a visão de conjunto do processo de desenvolvimento capitalista e, por conseguinte, do lugar que nele ocupa a classe revolucionária.”

Funda a Liga Spartakus (ala esquerda da social democracia alemã) e depois o Partido Comunista Alemão.

O assassinato de Rosa Luxemburg em 1919 teve o apoio da social-democracia. Os assassinos não foram condenados.

O seu maior desejo sempre foi unir a política à felicidade individual. A 6 de março de 1899 — Rosa tem 29 anos — escreve: “Mantenho minhas pretensões à felicidade pessoal. É um facto, tenho um enorme desejo de ser feliz e estou disposta a negociar, dia após dia, em favor da minha pequena ração de felicidade com a teimosia de uma mula.(...) [Mas] começo a habituar-me ao pensamento de que para mim só existe o dever (...)”.

“Interessa-se por literatura, pintura, música, botânica, tem uma ligação visceral com a natureza, de que fala longamente nas cartas escritas da prisão, recordando os passeios pelo campo, pelas montanhas, na companhia de amigos, sozinha”.

Flores: margaridas

4 - Clara Zetkin

Período: Fim do século XIX e primeiras três décadas do século XX.

Local: Alemanha

Porque figura na minha galeria?

Leva ao debate político sobre a afirmação política das mulheres a questão de classe. Enriquece o marxismo e funda assim o pensamento marxista que ainda hoje vigora sobre as questões das mulheres. O dia 8 de Março como dia internacional da mulher foi proposto por ela no congresso das mulheres socialistas em 1910.

“Não se trata de uma luta de mulheres contra homens, como se costuma pensar. É uma luta de homens e mulheres da classe trabalhadora por uma sociedade mais justa e pelo fim de todo tipo de opressão e exploração”.

“As raízes desta batalha podem ser encontradas nos escritos de Marx e Engels. Obras como A "Origem da Família do Estado e da Propriedade", de Engels, entre outras, apesar de alguns pontos superados, conservam a actualidade ao mostrar que a base real da opressão das mulheres está na existência das classes sociais”.

Flores: Flores de laranjeira

5 - Shere Hite –

Período: últimas três décadas do século XX até à actualidade.

Local: EUA/Alemanha

Porque figura na minha galeria?

“Em 1976, causou escândalo nos Estados Unidos ao lançar seu primeiro livro, Relatório Hite: um Estudo da Sexualidade Feminina, no qual derrubava o mito do orgasmo vaginal, numa época em que a sexualidade feminina era tabu, e dizia que a maioria das mulheres estava insatisfeita em seus casamentos. A parcela conservadora do país reagiu a tal ponto que, como protesto, ela mudou-se para a Alemanha e trocou de nacionalidade”.

Os relatórios publicados por Shere Hite, mostraram que a vagina é um canal com pouquíssimos terminais nervosos e que a estimulação (direta ou indireta) do clitóris é fundamental para que a maioria das mulheres atinja o orgasmo. Derrubava assim o discurso de Freud que acreditava que o “orgasmo vaginal” era fruto do amadurecimento da mulher e que, portanto, o “orgasmo clitoriano” era “infantilizado”.

Flores: amores-perfeitos

6 – Frida Kahlo –

Período: Primeira metade do século XX.

Local: México

Porque figura na minha galeria?

Diego Rivera (que foi seu marido) dizia que não conseguia ilustrar o sentimento como fazia Frida nas suas pinturas.

Esta mulher agarrou-se à pintura depois de um acidente viário que a deixou em estado grave e acabou limitando irremediavelmente a sua mobilidade. A maior parte das suas pinturas são auto-retratos. Neles, Frida revela a sua personalidade, estados de alma, opções. Comunista, profundamente patriótica e amante da cultura mexicana, contra preconceitos de qualquer espécie, introspectiva, deprimida, arrebatada. Tudo isso se lê nas suas pequenas telas.

O mundo das artes plásticas, por estranho que pareça, ainda é essencialmente masculino. Mulheres pintoras, salvo raras excepções, são vistas como artistas de segunda categoria. Não são, como os homens, encaradas como mestres. A explicação está, naturalmente, na ideia e na prática que vigorou durante séculos, de que às mulheres estavam reservadas as tarefas domésticas. A pintura, seria apenas, e para todas elas, um passatempo, não uma opção de vida ou uma actividade a tempo inteiro. Para além disto, mulheres que pintavam eram, quase sempre, oriundas da alta burguesia e aristocracia. Este modo de ver a mulher na arte, apesar das pequenas mudanças que se começaram a verificar no século XX, ainda vigora. Muitas mulheres passaram entretanto a dedicar-se intensamente à arte, mas poucas se afirmaram.

Apesar de ter vivido na sombra do marido, Diego, Frida é hoje reconhecida como um dos grandes artistas do século XX.

Flores: malmequeres

7 – Ilda Figueiredo –

Período: Actualidade

Local: Portugal

Porque figura na minha galeria?

Eurodeputada portuguesa, comunista, que elaborou e apresentou recentemente um polémico relatório sobre a situação laboral das mulheres na União Europeia, nele revela que as mulheres representam mais de metade dos desempregados da União Europeia, ocupam a maioria dos trabalhos precários e ganham menos do que os homens.

Flores: Cravos

8 - Gladys Marín –

Período: Últimas 4 décadas do século XX

Local: Chile

Porque figura na minha galeria?

Secretária Geral do Partido Comunista Chileno, morreu no dia 5 de Março, vítima de um tumor cerebral diagnosticado em 2003.

Toda a vida lutou.

Lutou como estudante

Lutou na Federação das Juventudes Comunistas

Lutou como dirigente del Comando Juvenil de Salvador Allende

Lutou contra a guerra do Vietname

Lutou na clandestinidade e no exílio depois do golpe de Pinochet em 1973

Lutou depois do desaparecimento do seu marido, caído nas mãos da ditadura

Lutou assumindo a direcção do partido

Lutou, pondo Pinochet no banco dos réus, acusando-o pelas masis de 3000 vítimas e motivando assim outras acusações.

Lutou, criando, com outros, a plataforma Pactos Juntos Podemos, “que buscan la unidad de todas las fuerzas que se oponen al terrorismo económico neoliberal y que se está desarrollando como un tercera alternativa política, para producir los cambios que el país necesita en cuanto a la erradicación de los grandes problemas sociales, que generaron las políticas económicas de la dictadura y que muy bien han seguido administrando los gobiernos de la Concertación”.

Flores: papoilas

segunda-feira, março 07, 2005

ARTE DE TRANSFORMAR XXV

Maria Campaniça

Debaixo do lenço azul com sua barra amarela
os lindos olhos que tem!
Mas o rosto macerado
de andar na ceifa e na monda
desde manhã ao sol-posto,
Mas o jeito
das mãos torcendo o xaile nos dedos
é de mágoa e abandono...
Ai Maria Campaniça,
levanta os olhos do chão
que quero ver nascer o sol!

Manuel da Fonseca

sábado, março 05, 2005

O SONHO COMANDA A VIDA

Posted by Hello


"No horizonte da evolução social está o comunismo - sonho milenário da humanidade progressista, sociedade sem classes, sociedade de abundância, de igualdade social, de liberdade e de cultura para todos, de iniciativia e criatividade colectiva e individual, sociedade de trabalhadores livres e conscientes na qual o trabalho será não apenas uma fonte de riqueza mas uma actividade criadora e uma fonte de alegria, de liberdade e de valorização pessoal e na qual a paz, a saúde, a cultura, o repouso, o recreio, um meio ambiente equilibrado, a acção colectiva e o valor do indivíduo serão componentes da felicidade humana."

in Programa do PCP
P
ortugal
Uma Democracia Avançada
no Limiar do Século XXI

84 anos de luta!
Viva o PCP!


domingo, fevereiro 27, 2005

ARTE DE TRANSFORMAR XXIV

estátua de José Afonso
na Amadora
Posted by Hello

Coro da Primavera

Ergue-te canalha
Na mortalha
Hoje o rei vai nu.

Os velhos tiranos
De há mil anos
Morrem como tu.

Abre uma trincheira
Companheira
Deita-te no chão.

Sempre á tua frente
Viste gente
Doutra condição.

Ergue-te ao sol de verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção

Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já tambores

Livra-te do medo
Que bem cedo
Há-de o sol queimar

E tu camarada
Põe-te em guarda
Que te vão matar

Venham lavradeiras
Mondadeiras
Deste campo em flor.

Venham enlaçadas
De mãos dadas
Semear o amor.

Ergue-te ao sol de verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção

Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já tambores

Venha a maré cheia
Duma ideia
P’ra nos empurrar.

Só um pensamento
No momento
P’ra nos despertar.

Eia mais um braço
E outro braço
Nos conduz irmão.

Sempre a nossa fome
Nos consome
Dá-me a tua mão.

Ergue-te ao sol de verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores

Ouvem-se já tambores

José Afonso

ARTE DE TRANSFORMAR XXIII

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Homenagens a José Afonso

Apesar de ir com alguns dias de atraso, fica aqui a minha HOMENAGEM àquele que considero o maior génio da música portuguesa.

Este é um texto apenas sobre as HOMENAGENS póstumas que lhe foram feitas. Não quis fazer mais uma biografia, a minha ideia é apenas mostrar que o esquecimento do Zeca faz parte do pacote de branqueamento do 25 de Abril. E pretendo mostrá-lo lembrando algumas das muitíssimas HOMENAGENS que foram feitas nos dois anos que se seguiram ao seu desaparecimento. Cito também algumas mais recentes (poucas, muito poucas).

Em 1982 foi-lhe diagnosticada uma esclerose lateral amiotrópica

As despesas com a saúde eram avultadíssimas. O Estado não soube ou não quis apoiar o cantor (os governos PS, CDS e PSD, alvos das suas críticas, não tiveram, provavelmente, a coragem de olhá-lo como um precioso artista. A recusa da Ordem da Liberdade também o deixou em “maus lençóis” com a presidência).

Morreu a 23 de Fevereiro de 1987. O seu caixão, a seu pedido, foi coberto de uma bandeira vermelha sem qualquer insígnia.


O seu funeral realizado em Setúbal em 24 Fevereiro de 1987, contou com a presença de dezenas de milhar de pessoas. A sua morte foi profundamente sentida e toda a imprensa a noticiou. Alguns depoimentos são demonstrativos do sentimento de perda e reconhecimento que se instalou:
-
Amália Rodrigues – “Acho que se perdeu um grande poeta e um grande autor da música popular portuguesa”;
-
Bernardo Santareno – “A arte de José Afonso é um jorro de água clara, puríssima, portuguesa sem mácula”;
-
Camilo Mortágua – “Portugal é o Zeca. Não a pessoa do Zeca mas todo o mundo que ele representa”;
-
Carlos do Carmo – “O Zeca é uma pessoa para continuar a ser vivida”;
-
Carlos Paredes – “Uma figura universal”;
-
Fausto – “Ele é, para mim, a grande referência, quer como compositor e cantor, quer quanto a comportamento e atitudes”;
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Isabel do Carmo – “Ele era os olhos do país”;
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Janita Salomé – “Com a morte do Zeca perdi um bocado de mim próprio”;
-
José Cardoso Pires – “Vamos continuar a ouvi-lo, para estarmos vivos e prosseguir”;
-
José Jorge Letria – “Uma humildade que chegava a doer de tão autêntica”;
-
José Mário Branco – “O Zeca é um génio da música portuguesa”;
-
Luís Represas – “A vida dele constitui, ela própria um depoimento – o melhor depoimento”;
-
Otelo Saraiva de Carvalho – “Sinto a morte do Zeca como a de um irmão querido”;
-
Rui Pato – “Depois da morte de Adriano Correia de Oliveira e de José Afonso sinto-me órfão”;
-
Sérgio Godinho – “Nem tu sabes o que nos deixaste”.

E um produzido por conveniência: “É uma perda para a cultura portuguesa” disse Mário Soares.

O jornal Sete dedicou, durante cerca de duas semanas, grande parte das suas páginas à figura de José Afonso, entre estas constavam depoimentos de inúmeros leitores e um deles refere-se precisamente ao que disse Mário Soares: “(...) faria o dr. Mário Soares um grande favor se o esquecesse. E esses senhores que nunca lhe ligaram a mínima importância, a não ser para o olharem de revés, agora não podem dar por especial favor uma rua com o seu nome, a um Homem de quem foram todas as ruas. O Zeca nunca teria o pretenciosismo de querer tal coisa porque foi acima de tudo um simples”[1]. No mesmo jornal, a 25 de Fevereiro de 1987, Amália Rodrigues, António Pinto Vargas, A Emi–Valentim de Carvalho, Janita Salomé, Jorge Palma, Pedro Caldeira Cabral, Rádio Macau, Rui Veloso, os Trovante e Vitorino fazem publicar uma página inteira em que consta apenas: “A música portuguesa não vai esquecer José Afonso”.

Outros órgãos de comunicação social fizeram grande cobertura do acontecimento: El País publicou duas páginas a 1 de Março de 1987; a rádio Globo no Rio de Janeiro, dedicou uma boa parte da sua emissão de 23 de Fevereiro a José Afonso, vários protagonistas da música popular brasileira participaram no programa, Nara Leão cantou pelo telefone, integralmente, “Grândola, vila morena”, na Galiza, em vários jornais publicaram-se notas e artigos sobre o assunto.

Também as associações de estudantes quiseram assinalar o lamento pela perda. A Associação de Estudantes da Faculdade de Letras de Lisboa foi particularmente dinâmica, logo em Março, numa Reunião Geral de Alunos aprovou uma moção de homenagem, e em Dezembro desse ano, com outras associações promoveu um grande espectáculo na Aula Magna. Mas também a Associação Académica de Coimbra se juntou às manifestações de apreço e disponibilizou para o funeral dois autocarros aos estudantes que quiseram ir a Setúbal. No Diário de Notícias, em 25 de Fevereiro de 1987, criticava-se, no entanto, o esquecimento a que José Afonso ficou votado pela sua academia durante muito tempo. Mais tarde a “república” do “Rás-te-parta”, por onde o cantor também passou, promove-lhe uma singela homenagem, e em 1989, no teatro Gil Vicente em Coimbra a Associação Académica apresentou um espectáculo mais elaborado.

Os estudantes do ensino secundário também demonstraram a sua estima através de iniciativas, foi o caso das Escolas D. Duarte de Coimbra em Fevereiro e da Secundária D. Luísa de Gusmão em Março de 1988.

Por parte das autarquias as homenagens mais importantes fizeram-se nos distritos de Lisboa e Setúbal. No Barreiro, a 25 de Fevereiro, na sessão de Câmara fez-se um minuto de silêncio, atribuiu-se o seu nome a uma rua, fez-se a exigência à rádio e RTP para não o calarem, e fez-se a proposta para que todas as câmaras do distrito editassem um disco[2].

A Câmara Municipal de Sesimbra atribuiu igualmente, em Maio de 1988, o seu nome a uma rua. A Câmara de Loures apoiou a edição de uma fanzine sobre o cantor, a Câmara Municipal do Seixal deu o seu nome a um parque e passou a promover anualmente o festival “Cantigas do Maio” conjuntamente com a Associação José Afonso que, entretanto, se criara (Novembro de 1987). Associação essa que acolheu como sócios muitos dos membros do Círculo Cultural de Setúbal de que José Afonso fizera parte e que também não deixou de o homenagear em 1988. A Câmara Municipal da Amadora, por seu turno, ergueu-lhe uma estátua que se encontra no parque central da cidade e um painel de azulejos alusivo à sua música, criou o prémio José Afonso, que ainda hoje se atribui, e que constitui uma distinção importante no seio dos músicos portugueses. É anualmente entregue no festival de música popular portuguesa que a mesma autarquia promove.

O movimento associativo de base local, nomeadamente associações culturais e colectividades, foram prestando, de algum modo, durante os primeiros dez anos após a sua morte, singelas homenagens um pouco por todo o país ao longo da faixa litoral e nos Açores. Das Beiras interiores (Alta e Baixa) não há registo.

Os sindicatos também celebrizaram José Afonso e é de apontar, em particular, a União dos Sindicatos de Setúbal que, no primeiro aniversário da sua morte, apelou para que os trabalhadores fizessem um minuto de silêncio e fossem depositar flores na sua campa. Na empresa Mague – Setúbal, cujos trabalhadores quiseram seguir o repto, a administração não permitiu que à hora de almoço, no refeitório, se transmitissem músicas de José Afonso e só permitiu o minuto de silêncio às 11h59, i.e., um minuto antes de tocar para o almoço.

No mundo da música, naturalmente, as homenagens foram de maior relevo: Charlie Haden (músico de jazz) e a sua Liberation Music Orchestra, em 1989, tocou “Grândola, vila morena”; em 1994 diversos grupos de música e cantores portugueses gravam o disco Filhos da madrugada, interpretando canções de José Afonso; e no mesmo ano 1994, Amélia Muge, João Afonso e José Mário Branco desenvolveram o projecto musical Maio, maduro Maio, pelo qual foi editado um disco também com interpretações do repertório de José Afonso e uma música original em sua homenagem; entretanto muitos outros músicos adoptariam temas de José Afonso que interpretariam, infelizmente, nem sempre referindo a autoria.

Um outro sector procurou manter viva a memória do cantor foi o dos professores, por via sindical, da Fenprof (em 1987 e 1989) e na formação de professores, como foi o caso da Escola Superior de Educação de Setúbal que o homenageou, em 1988, salientanto o seu papel como professor.

Também nesse sentido, a DREL deu o seu nome a uma escola secundária de Loures.

Finalmente, em 1997 (no 10º aniversário da sua morte), a RTP decidiu recordá-lo passando uma parte do concerto do Coliseu de 1983, durante o Festival da Canção, o que provocou a reacção por parte da Associação José Afonso e da viúva Zélia Afonso que lembraram; a animosidade que o cantor sentia por esse evento, lembrando inclusive a sua participação no Contra-Festival da Canção, o facto de o concerto não ter sido transmitido integralmente e de a viúva ter sido convidada por telefone por uma relações-públicas da empresa.

Em torno dos vinte anos do 25 de Abril desenvolveram-se comemorações em que o seu nome foi frequentemente evocado. Mas o mais importante foi a publicação do livro de José António Salvador, O rosto da Utopia, com o apoio da Associação 25 de Abril e da Câmara Municipal de Lisboa.

Mais recentemente, no âmbito da Expo 98, foi-lhe prestada uma homenagem, sob projecto de Adelino Gomes, “sóbria e discreta através do melhor que Zeca Afonso tem: a sua obra poética”[3], que constava na projecção de poemas do cantor, na parede do Pavilhão do Conhecimento, nos últimos quatro dias do evento. Ainda no âmbito da Exposição Universal foram publicados seis discos de Grandes intérpretes, um tema seu estava incluído, por outro lado, músicos como Isabel Silvestre, Filipa Pais, Sérgio Godinho, Janita Salomé e Amélia Muge que actuaram nos palcos da exposição, fizeram questão de lembrar José Afonso cantando-o.

Na revista do quarto Festival da Música Popular Portuguesa, em 1991, Júlio Pereira escreveu o seguinte:

Sempre que assistíamos a um concerto de música erudita, não importa agora de que tipo, Zeca mostrava-me sempre a verdade. Ele sentia, de facto, e por ficar fascinado perante uma outra música da qual era admirador, uma espécie de sensação de frustração, até de inferioridade, do género: «o que é a minha música ao pé de uma música tão grande?». É evidente que eu não tinha resposta. Qualquer resposta era absurda: «não se podem fazer comparações» ou «o popular e o erudito são uma complementaridade». Absurdas, porque o Zeca sabia muito bem tudo isso. Absurdas sim, porque aquele momento é verdadeiro. Porque o fascínio não passava levianamente pela nossa dimensão. O que a Arte nos provoca é isso mesmo: a noção do nosso exacto tamanho. A música não engana ninguém, muito menos um músico. A música é que não deixa um músico mentir. (...)

Falo-te em abstracto de coisas concretas. Falo-te da melhor escola de música ou de outra coisa qualquer. Falo-te de experiências reais, vividas, comuns a todos nós. (...) Falo ainda de tudo o que nasce, ou do que nasce em nós quando nos encontramos perante um outro músico que admiramos. Nesse preciso momento somos pequenos. (...)

Muitas das coisas da vida estão mesmo ao nosso lado. E acredito que muito boa gente ao longo da sua existência, não se tenha apercebido dessa proximidade. É sempre mais fácil esperar o que já se sabe ser, do que o que não se sabe o que é. Venha da Natureza, venha do ser humano. Venha, ainda, da própria música. E que esperas tu da vida, músico? (...)

Tens aí um gravador? Sabe-se lá como, daquela boca saia uma melodia espantosa! E eu, eterno curioso, levava-a comigo e tentava harmonizá-la. (...) Feliz e contente ia ter com ele mostrar-lhe o resultado. O inesperado era inevitável. O Zeca ouvia... – “Mas não é bem isso...” – “Esta canção é uma história” – “Deverá ter uma atmosfera própria”. – “Estás a ver uma fogueira, com pessoas à volta tendo à roda dos tornezelos uns guizos?” (...)

«Quem canta por conta sua, canta sempre com razão».

Percebes colega músico, a verdade irónica desta frase? Os teu ídolos, aqueles que admiras, aqueles sem os quais não passas, os que te põem os pelinhos do braço eriçados, têm na realidade, razão. Toda. Por isso mesmo, sempre que me tocares por conta tua, se és mesmo músico, acompanhar-te-ei sempre que o desejares. É talvez a única matéria que não precisa de escola para ser aprendida. E é desta matéria que se faz a música.

(...)

E tu, outro músico, que julgas que já ouviste o suficiente, quando tocares Zeca, não vás pela facilidade. Deixa-me sentir o Zeca quando tocas. Não o subestimes com esse ritmo «chapa 5», ou essa harmonia complexada cheia de 13ª monopolizando o arranjo. Essa música é uma história. É preciso encontrar a atmosfera própria... Lembraste do que o Zeca dizia?.

Periódicos
Do arquivo da Associação José Afonso, pasta “Homenagens estrangeiras”
- A Nossa Terra, s.d.
-
Jornal de Notícias, s.d.
-
Nossa Terra, 1 de Agosto de 1985
-
Sete Artes, 23 de Agosto de 1985
-
O diário, 24 de Agosto de 1985
-
El País, 27 de Agosto de 1985
-
La voz de Galicia, 28 de Agosto de 1985
-
La voz de Galicia, 29 de Agosto de 1985
-
O jornal, 30 de Agosto de 1985
-
La voz de Galicia, 30 de Agosto de 1985
-
La voz de Galicia, 2 de Setembro de 1985
-
El País, 3 de Setembro de 1985
-
Eligeme. S.d.
-
Sete, 18 de Fevereiro de 1987
-
A Nossa Terra, 26 de Fevereiro de 1987
-
Iñaki Zanata, “La amarga lucidez de José Afonso”, Diario Vasco, 27 de Fevereiro de 1987
-
Faro de Vigo, 11 de Abril de 1987

Do arquivo da Associação José Afonso, pasta “Homenagens nacionais”
- Boletim Municipal do Barreiro, Abril de 1984
-
Viriato Teles e Joaquim Bizarro, Sete, 2 de Maio de 1984
-
Diário de Notícias, 25 de Fevereiro de 1987
-
Sete, 25 de Fevereiro de 1987
-
Izequiel Lino, “Quando quero chorar não posso”, Boletim Municipal de Sesimbra, Fevereiro de 1987
-
Boletim Municipal do Barreiro, Março de 1987
-
Luísa Campos, Sete, 11 de Março de 1987
-
AAVV (Rádio Imprevisto), Zeca Afonso (fanzine), Maio de 1987
-
Boletim Municipal do Seixal, Julho de 1987
-
Sete, 1 de Dezembro de 1987
-
“Estudantes lembram José Afonso”, Jornal de Letras, 6 de Dezembro de 1987
-
(Cooperativa de Animação Cultural de Alhos Vedros), Zeca dois anos depois”, O Esteiro, s.d.
-
Barcelos Popular, 12 de Fevereiro de 1988
-
José Jorge Letria, “Zeca: rigor e partilha”, Fim-de-Semana, 20 de Fevereiro de 1988
-
“Associação José Afonso – Pela divulgação da obra, contra o esquecimento”, Diário de Lisboa, 23 de Fevereiro de 1988
-
José António Salvador, “José Afonso: ano zero”, 23 de Fevereiro de 1988
-
“«anónimos» cantam a «Grândola»”, Diário de Lisboa, 24 de Feveriro de 1988
-
Correio do Minho, 25 de Fevereiro de 1988
-
Diário de Lisboa, 25 de Fevereiro de 1988
-
“Zeca Afonso proibido no refeitório da Mague-2”, Diário, 25 de Fevereiro de 1988
-
Jorge Martins, Gira Loures, Fevereiro de 1988
-
(Centro de Cultura Libertária – Almada), Antítese, nº8, Fevereiro a Abril de 1988
-
Nuno Gomes dos Santos, “Com jovens como estes «eles» nunca mais comem tudo”, Diário, 12 de Março de 1988
-
Maré Viva, 17 de Março de 1988
-
Boletim Agrícola, s.d. (1988)
-
Boletim Municipal de Sesimbra, Maio de 1988
-
O povo de Guimarães, 18 de Novembro de 1988
-
Diário do Açores, 22 de Fevereiro de 1989
-
“Zeca Afonso dois anos depois”, Maré Viva, 2 de Março de 1989
-
“Homenagem municipal ao cantor da liberdade”, Boletim da Câmara Municipal da Amadora, 8 de Março de 1989
-
“Professores homenageiam Lindley Cintra e Zé Afonso”, O diário, 10 de Maio de 1989
-
“«Grândola», versão Charlie Haden”, Jornal de Letras, 25 de Julho de 1989
-
Boletim Municipal do Seixal, Setembro de 1991
-
José Fontão, Referencial, Julho/Setembro de 1995

Do arquivo da Associação José Afonso, pasta “O rosto da utopia”
- “José Afonso... Inquietação devoradora”, Público, 16 de Julho de 1994
-
“Zeca Afonso voleibolista”, A Bola, 17 de Julho de 1994
-
O Independente, 5 de Agosto de 1994
-
Diário de Notícias, 3 de Abril de 1999
-
Diário de Notícias, 4 de Abril de 1999
-
Diário de Notícias, 1 de Maio de 1999
-
Público, 24 de Maio de 1999
-
Jorge P. Pires, “A canção como arma”, Expresso (Cartaz), 7 de Agosto de 1999

Do arquivo da Associação José Afonso, pasta “Expo’98”
- Diário de Notícias, 6 de Agosto de 1998
-
Maria do Céu Lopes, “Mais amigos para Zeca Afonso”, Público, 27 de Setembro de 1998
-
Diário de Notícias, 15 de Agosto de 1998
-
Diário de Notícias, 25 de Agosto de 1998

Do arquivo da Associação José Afonso, pasta “2002”
-
João Manuel Tavares, “O génio abandonado”, Diário de Notícias, 23 de Fevereiro de 2002

Fontes impressas
Do arquivo da Associação José Afonso, pastas “Homenagens estrangeiras” e “Homenagens nacionais”
- Folheto do Centro Cultural do Altominho, “Homenagem a José Afonso – 25 de Fevereiro de 1985”
-
Carta da Associação Cultural de Vigo, 31 de Agosto de 1985
-
Folheto-postal, “Café Uf – Homenaxe José Afonso”, (Abril 87)
-
Talão-recibo de “Bonoaxuda”, “Enquanto há força – Homenaxe a José Afonso – Galicia, (Maio 87)
-
Folheto do Centro Cultural José Afonso, “«Negra sombra blues», Café Placer, 19 Vigo”, (13 de Julho de 1987)
-
Folheto da Associação Cultural de Vigo, “Xornada adicada ao Zeca Afonso – Audicion, Video, Debate – 23/08/87”
-
Cartaz e folheto da Escola Secundária Gil Eanes – Lagos, “Homenagem a José Afonso”, (Fevereiro de 1988)
-
Folheto, “José Afonso – vida e música – serão na biblioteca da Nazaré – 26/2/88”
-
Folheto da Escola Superior de Educação de Setúbal, “Literatura e língua portuguesa - Folhas de Fevereiro – José Afonso”, (1988)
-
Cartaz e folheto da D.G. da Associação Académica de Coimbra, “Homenagem a José Afonso – Teatro Académico Gil Vicente – 12/2/1989”
-
Carta do Núcleo de S. Miguel da Associação 25 de Abril, Março de 1989
-
Folheto, “Macau - Homenagem a José Afonso – 23 de Fevereiro de 1992”
-
Brochura, “Uma noite recordado José Afonso – Salão nobre da Junta de Freguesia de S. Mamede Infesta – 19 de Fevereiro de 1994”
-
Folheto do Clube Recreativo Barroquense, “16º aniversário – Exposição e colóquio «Recordar José Afonso» -Barrocas, 30/9/1998)
-
Folheto do “Ayuntamiento de Madrid”,“Ciclo musical – «recordando la vida y la obra de José Afonso – una homenaje al cantante português próximo el 25 de Abril”


[1] - Luísa Campos no Sete, 11/3/1987
[2] Boletim Municipal do Barreiro, Fevereiro 87
[3]
Público, 27/9/1998