segunda-feira, abril 25, 2005

domingo, abril 24, 2005

2 dias para aRevolução

Posted by Hello


clica na aliança POVO / MFA

sexta-feira, abril 22, 2005

3 dias para a Revolução

Posted by Hello

ARTE DE TRANSFORMAR XXX - Rembrandt II

“Betsabé está sentada numa almofada, o rosto inclinado para o chão, a carta do rei David na mão direita [centro da composição]. Ele quer vê-la o mais depressa possível, que vá ter com ele, é uma ordem. Talvez o rei David lhe diga também que a deseja desde que a viu tão bela no banho. Ela leu a carta fatal, o seu olhar está noutro lado. À esquerda, encostada à moldura, curvada sobre os seus pés, a velha criada purifica-a antes do sacrifício. Com os olhos perdidos no futuro, Betsabé não olha para nada.
(…)
O sacrifício de Betsabé ultrapassá-la-á, naquele que ela dará à luz. Digna, a serva judia, purifica-a. Encontraste-a no Hougracht, mesmo em frente da sinagoga. Inclinada para os meus pés já não sorri, é a idade e as costas. Também eu, sem me mexer na pose com o meu ventre pesado, tenho uma dor que me trespassa sob o ombro esquerdo. Viste na minha mão a carta do rei David, linhas escritas sobre um papel branco, e acreditaste no acaso.”
In
Eu, a puta de Rembrandt
Sylvie Matton

“(…) Há algum tempo que ele vive com Hendrickje Stoffels, e essa mulher maravilhosa (tirando os de Titus, só os retratos de Hendrickje estão repletos da própria ternura e do reconhecimento do velho urso sublime) deve satisfazer simultaneamente a sua sensualidade e a sua necessidade de ternura.”
Jean Genet

De entre as várias pinturas que Rembrandt fez representando a sua companheira Hendrickje, destaco três que, aparentemente desligadas, parecem constituir um conjunto particular. O primeiro é o já citado “Susana e os velhos” (1647) – realizado pouco tempo depois de o pintor e a modelo se terem conhecido -, um tema bíblico, o segundo é este “Betsabé com a carta do rei David” (1654), outro tema do antigo testamento, e o terceiro “Hendrickje Banhando-se num Rio” (1654) – estes dois feitos durante a gravidez de Hendrickje - . Os três têm em comum a imagem da mulher no banho que é surpreendida por um homem mais velho. Esse homem é implícita ou explicitamente, o próprio pintor.


Posted by Hello Betsabé com a carta do rei David


terça-feira, abril 19, 2005

ARTE DE TRANSFORMAR XXIX - Rembrandt I

Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606-1669)

A primeira vez que vi o nome Rembrandt foi numa caixa de tintas de óleo na Papelaria da Moda, na Rua do Ouro. Fiquei curiosa. Donde vinha aquele nome tão estranho associado a tintas? Procurei numa enciclopédia (aqueles livros de grande utilidade a que, vulgarmente, nos esquecemos de recorrer, como são aliás quase todas as coisas de grande utilidade. Só nos lembramos delas uma vez. Bom, mas dessa vez dei uso à enciclopédia) e lá encontrei Rembrandt van Rijn, pintor holandês do século XVII (que século tão chato!), identificado com o estilo barroco.

Mais tarde, nas aulas de História da Arte da professora Natalina, lá percebi o que era o barroco. Mas a bota não batia com a perdigota. O Barroco era a arte da contra-reforma: um estilo criado como uma grande operação de propaganda da Igreja (os especialistas do marketing hoje não chegariam aos calcanhares dos promotores do barroco). Jogos de luz e sombra, movimento, monumentalidade. O barroco acentuou o carácter espectacular das igrejas (era preciso fascinar os fiéis): superfícies côncavas e convexas, e volume, cor, brilho, pontos de luz estrategicamente colocados. Tudo com o propósito de subjugar. O aspecto mais dramático do barroco é o urbanismo (sobretudo o do absolutismo). Grandes praças feitas para serem olhadas, eventualmente atravessadas, mas nunca ao serviço das pessoas (a praça como local de encontro desaparecia).

Rembrandt não cabia nesse barroco desumano, de ilusão, de espectáculo. Era a fuga ao estilo, dentro do estilo.

A princípio achava que era um pintor soturno. Muito triste. Pinturas escuras, sem cor, pessoas demasiado reais. Não era, definitivamente, um pintor para uma adolescente imatura e algo pretenciosa como eu era. Só na faculdade voltei a estudar Rembrandt, desta vez com a professora Margarida Calado. Revelou-se então um desses homens que são intemporais porque o seu tempo ainda não chegou (serão o homem novo?), um homem que abraça a dor de todos os homens, que não precisa de regras porque tem princípios, que não se verga, que não se vende. Sem preconceitos e uma grande sede de conhecimento. E não foi um pintor no seio das revoluções sociais e políticas dos séculos XIX e XX, ou da “revolução” sexual, não. Rembrandt viveu a guerra dos 30 anos e a peste negra, num período de moralismo e superstição. Não é coisa pouca.

Ao longo da vida perdeu a alegria e ganhou doçura e sapiência.

A pintura é como o rosto das pessoas, se os conhecermos e olharmos com atenção, dizem tudo. A pintura de Rembrandt é, paradoxalmente, escura, mas translúcida, clara, evidente. Só diz a verdade.

A verdade de Rembrandt e da sua pintura saiu cara. Mas valeu a pena.


Susana e os velhos Posted by Hello

Jorge (PSI20), a pintura mais conhecida é, efectivamente, “A ronda da noite” (querias testar-me, grande safado!), mas eu, como te disse, gosto mais da “Susana e os velhos”.

Voltarei a falar dele, certamente. Talvez amanhã. Agora estou com sono.

domingo, abril 17, 2005


Posted by Hello No Faial também se festeja o 25 de Abril.

*Vermelhices (Comentários Políticos) XV* - 8 dias para a Revolução

Posted by Hello


LEGITIMIDADE REVOLUCIONÁRIA

"Quando derrubada a ditadura, se dera, para além da acção militar dos «capitães» no dia 25, o levantamento militar e o levantamento popular de massas, quem detinha a legitimidade revolucionária? O Presidente do órgão supremo do poder político-militar (a JSN), que decidia e tomava medidas práticas e procurava impor ao povo a continuação da PIDE/DGS, e não queria libertar todos os presos políticos, ou as massas populares e militares revolucionários, que assaltaram as sedes da PIDE, prenderam os pides, ocuparam as instalações, cercaram as prisões e impuseram a libertação dos presos políticos?
Quem detinha a legitimidade revolucionária? O mesmo Presidente da JSN que, citando um artigo (que conseguira impor) do Programa do MFA, pretendia negar a imediata legalidade do PCP (que tinha combatido como nenhum outro a ditadura e lutado pela liberdade) ou o PCP que lhe respondeu que a liberdade tinha sido conquistada, que o PCP não aceitava tal proibição e que já estava a actuar livremente no Portugal libertado da ditadura fascista?
Quem detinha a legitimidade revolucionária? O mesmo Presidente da JSN, que pretendia no imediato por termo ao saneamento de fascistas e impor, a seu mando, uma hierarquia militar contrária à revolução, ou a Comissão Coordenadora do Programa do MFA, reconhecida então pelos "capitães" e pelo MFA, como organismo político-militar do MFA?
Quem detinha a legitimidade revolucionária? Aqueles que defendiam os banqueiros e outros senhores dos grands grupos económicos, na tentativa desenvolvida desde os primeiros dias da revolução de afogar económica e financeiramente a nascente democracia, retiravam e transferiam ilegalmente capitais, anulavam encomendas, paralisavam a produção, ou os trabalhadores, que começaram a vigiar, a denunciar, a contrariar e a controlar e em alguns casos a impedir tais actuações?
Quem detinha a legitimidade revolucionária? Os que protegiam os grandes agrários, que deitavam fogo às searas e levavam de contrabando o gado para Espanha, ou os trabalhadores, que retinham o gado, ocupavam as terras incultas e começavam a cultivá-las?

A liberdade e a democracia não foram concedidas por ninguém, por nenhum órgão de poder. Foram conquistadas pela luta dos trabalhadores, das massas populares, dos militares progressistas, num processo revolucionário, cuja dinâmica própria, com todas as suas contradições e conflitos internos, determinou as características fundamentais da democracia portuguesa conquistada com a revolução, através de transformações e reformas profundas na sociedade portuguesa."

Álvaro Cunhal
in A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril


quarta-feira, abril 13, 2005

Memórias

Posted by Hello


Olá Neninha! Tás bem?

Foi mesmo muito fixe jantarmos todos em Algés no outro dia! Foi
mesmo muito fixe! Temos que fazer mais coisas quando estás cá...

Olha aí em anexo a Nena gira e revolucionária que eu conheci há
uns... 11 anos (será isso?!).

Agora trintinha também andas charmosa, os Açores que se cuidem!...

bjinhos, Miguel.

Sim, foi há 11 anos!
Foi depois de muita coisa e antes de muitas outras.
Foi o ponto de viragem. O mais importante da minha vida até aqui.
Há pouco mais de 11 anos decidi que não podia ficar parada.
Uma semana antes desta foto ser tirada (mais coisa, menos coisa) fui à Rua Sousa Martins fazer-me militante da JCP.
Lembro-me bem deste dia! Tínhamos estado (eu e o Miguel - dois do trio maravilha) na véspera, numa festa de Belas-Artes, a delinear estratégias. Durante alguns meses fizemo-lo várias horas por dia: estabelecemos meticulosamente um plano para ganhar a AE e tudo o que faríamos quando lá chegássemos. Bom, acho que fizemos planos para os cerca de 7 anos em que lá estivemos. Andávamos sempre nisto; de tal maneira que havia quem achasse que éramos namorados. Perdi o último comboi para a Amadora e fui dormir a casa do Miguel em Cascais.
Agora trintinha olho para esta foto e vejo que na minha cara estão marcados esses 11 anos. Com tudo de bom e de mau: os sete anos de AE – as intermináveis reuniões de direcção; as idas às turmas, as RGA, os "bichos" para as manifs, as cartas, o registo de correspondência, o fundo de maneio, os arquivos, as idas à "branquinha", a máquina das fotocópias e a ocupação da reprografia, a ocupação da AR, os AE informa e as idas aos bolos às três da manhã, o Garção Cabrão, a Clara Menéres, as comissões de finalistas, os matraquilhos, os horários, os advogados preguiçosos, a Maria, as corridas para a cantina à última da hora, as reuniões com o reitor, as reuniões do senado, os ENDA, as conversas ao telefone, a compra do primeiro computador para a AE, os relatórios de actividades e contas, os problemas pedagógicos, os bilhetes para o teatro e o esquema de distribuição democrático, a sala de computadores para os estudantes, as discussões sobre o regime de precedências, etc., etc., etc. Os anos de JCP – as distribuições, as vendas de autocolantes, os debates, os plenários, as festas do Avante!, os colectivos, os contactos, as resoluções sobre política educativa, as campanhas de recrutamentos e recolha de fundos, as quotas, a venda do Agit, as DCES, as CNES, os panos, as conversas, etc., etc., etc. Os amigos - as idas à tasca e à cantina de Veterinária, a cantina velha, a cantina nova, a cantina do Técnico, a cantina da Politécnica, a cantina do ISEG, a cantina de Belas-Artes (bolas! ainda hoje, na sala de professores, quando como a sopa na tigela de metal lembro-me das cantinas universitárias), as poucas idas ao cinema, as poucas idas ao teatro, os copos no Bairro Alto, as conversas com a SP em minha casa, as conversas com a SP no tempo em que ainda só eu e ela é que fazíamos jornadas nocturnas na festa!, as conversa no terraço e no pátio das Belas-Artes, ouvir Guantanamera na antiga sala da AE, etc., etc., etc. Os anos que se seguiram ao curso - dar aulas no Cacém, no Monte-de-Caparica, na Voz do Operário, em Sobral de Monte-Agraço, em Sacavém (foram várias centenas de alunos. O que lembro melhor: o Fernando Ginga), os amores que não resultaram, os amores que não aconteceram, o desemprego, a depressão. O trabalho do Partido - a Reboleira e os grandes camaradas que lá conheci, a autarquia, os professores, o trabalho da festa!. A família - o nascimento do David, as idas e vindas da minha mãe, as idas e vindas do meu pai, a presença constante do meu irmão Pedro, os amores e desamores de todos nós, os problemas financeiros e as burocracias, a Rosa e a Piruette e, agora as duas sobrinhas que estão a chegar.
Tudo ficou marcado no meu rosto.
Neste dia apanhava o comboio de Cascais para Lisboa com o Miguel.


domingo, abril 10, 2005

*Vermelhices (Comentários Políticos) XIV*

Posted by Hello


A EP - entrada permanente - já está à venda nas sedes do PCP em todo o país.
Ou podem mandar-me um mail!
Este Título de Solidariedade tem o valor de 17euros.

ARTE DE TRANSFORMAR XXVIII

Posted by Hello


Os Sistemas Económicos, a História do Socialismo Europeu, os presos políticos no regime fascista, Tarrafal, o Granma e a abelhinha CDU

sábado, abril 09, 2005

AZULICES (Curiosidades açoreanas) XV

Caldeira do Faial Posted by Hello


Estás a ver Johnny F.? Assim na foto não dá para perceber bem, mas é como te digo: uma extraordinária paisagem. Mais de 400 metros de profundidade e lá em baixo um diâmetro de mais de 1 km. Os homens nesta imagem seriam pontos pequeninos, quase imperceptíveis.

Kant distingue, quando fala na crítica sobre o juízo estético, o belo do sublime. O primeiro, diz, é a harmonia de todas as faculdades (a imaginação, a razão e o juízo) e o segundo o conflito entre a imaginação e a razão que origina sentimentos mistos de arrebatamento, extâse e impotência.

Na natureza ainda encontramos, felizmente, muitas vezes paisagens belas. Sublimes, só algumas. Esta é uma delas!

Adenda:
Quando, ao fim dos 20-25 minutos de viagem, chegamos ao ponto mais alto da ilha, o frio e a humidade invadem-nos o corpo. É uma sensação estranha, mas agradável (sempre achei que o frio ou o calor inesperados eram sensações agradáveis). Olhamos em volta e, geralmente, vemos um tapete de nuvens e a paisagem em redor vai ficando difusa à medida que aumenta a distância. Os verdes adquirem diversos valores. Se o céu estiver limpo, levamos uma bofetada de mar, imenso mar, em quase todo o campo de visão. Não é como no continente, em que temos a clara noção de estarmos em cima de uma linha e em que atrás de dela tudo é terra e ao nosso lado tudo é terra. Não. Aqui, olhamos para a frente e para os lados e vemos mar. E para além do mar vemos a ilha que se espalha aos nossos pés, num suave declive de verde. Mas esta ilha não está só, à nossa frente ergue-se, brutal, negro, bizarro, o pico. Uma vista a que não posso fugir (vejo-a todo o tempo: quando acordo a primeira coisa que faço é olhar para o pico, quando vou para a escola vejo o pico, ao descer as escadas da escola vejo o pico, quando vou às compras, quando vou beber um copo, quando vou à praia, quando vou até à marina,.... sempre). E quando pensamos que, ao chegar ao topo do Faial, vamos olhar para o pico de frente, enganamo-nos; o pico parece ainda maior, mais imponente - pergunto-me como seriam as pessoas do Faial se não tivessem o pico em frente. Seria como um nevoeiro constante. O sentimento da insularidade seria muito maior (a sensação de estar só no oceano) -. Nesses dias limpos ainda vejo o dragão deitado ao lado do pico, a ilha de S. Jorge. E mais além, bastante mais além, a graciosa, a ilha branca (que parece ser mesmo graciosa, como se tratasse de uma irmã mais nova).
Mas isto ainda não é o sublime.
Atrás de nós apercebemo-nos de um túnel. Um túnel escuro, estreito, de paredes molhadas. Atravessamo-lo. Esta travessia rápida é, sem darmos conta, uma viagem ao centro da terra. Depois da sensação de estar no topo do mundo, levantamos os olhos e perdemos a respiração. Vergamo-nos perante o umbigo da terra. E deve ser esta imensa sensação de respeito pela terra que se apodera de nós que nos faz murmurar. Ninguém fala alto. Todos se calam, alguns sussuram. O silêncio ocupa todo o espaço vazio. Um silêncio que nos enche os ouvidos. Como se fosse a mais bela das melodias. Entrecortado, de vez em quando, pelo barulho dos pássaros; os filhos daquela barriga, os únicos com autorização para se fazerem notar. Queremo-nos lançar naquela grande bacia, fazer parte dela, mas envergonhamo-nos de tal desejo; aquele lugar deve permanecer intocado, em sinal de respeito pela intimidade do nosso planeta. Talvez um dia mereçamos a confiança.
Dali saímos apaziguados.
E é de notar, Johnny F., que esse apaziguamento não nasce da sensação de tomar tudo. Pelo contrário, é fruto da consciência de que há um universo por descobrir dentro de cada coisa. E quando pensamos que o que é grande e majestoso está sempre do lado de fora (seja o que for o lado de fora) estamos redondamente enganados. A caldeira do Faial mostra que há mundos gigantes no lado de dentro (seja o que for o lado de dentro).
Depois de nos sentirmos pequenos, incomodados, envergonhados, sentimo-nos apaziguados. julgo que é porque escutamos um grito da vida: Fazes parte de um todo!

sexta-feira, abril 08, 2005

PARABÉNS JOÃO LOPES!

Conheci o Lopes no ano da tesoura, 1994. Lembro-me muito bem da Guida (camarada responsável por acompanhar o colectivo do Técnico) dizer numa reunião da DOESL que não era necessário continuar a fazer o acompanhamento àqueles camaradas porque havia um potencial quadro que estava em condições de assumir a responsabilidade de ligação à DOESL. Assim, passados uns tempos lá apareceu o Lopes; muito calado e muito atento, constante e responsável. Eu e a SP, que conferenciávamos todo o tempo e mais algum, de vez em quando lá perguntávamos o que pensaria o Lopes. Só viemos a saber quando as coisas complicaram…. O João Lopes revelou-se muito firme, consciente, activo. Como é preciso. Daqueles camaradas que se formou sem nos apercebermos, amadureceu as suas ideias, o seu discurso, realizou um grande trabalho e optou pelos seus companheiros.
Mas antes disso ganhei um lindo lápis feito de um tronco de árvore, que numa troca de prendas veio parar à minha mão. Era do João.
Depois disso os laços de trabalho deram origem a uma sólida amizade: estivemos no Gerês e em Caminha – revelou, no meio da natureza, um profunda paixão pela… tecnologia (“mas qual é que é o papel das pulgas do mar? não podiam inventar umas máquinas para isso?” ou “porque é que aqui fazemos caminhadas de kilómetros que nos recusamos fazer na cidade?” ou a grande discussão sobre como acelerar o processo de cozedura do arroz com ervilhas no fogão camping gás. Pensamentos que lhe deram o merecido cargo de Guru); estivemos no Couço – descobrimos aí que o Lopes sabia tudo sobre fórmula 1 e futebol das décadas de 60, 70 e 80; estivemos em Góis – e não sei bem o que descobri aí porque passei muito tempo com os copos; estivemos em Vila Nova de Mil Fontes – e parece que os calções de banho dele tinham uma magia qualquer; estivemos na casa dele na Lousã (numa aldeola que não me lembro do nome) - e descobrimos que a família dele são os caciques locais, que organizam as festas da aldeia, que há fotografias dos sobrinhos em todas as divisões da casa e que a floresta à volta é um lindo cenário para a irmandade do anel (o Lopes era o Gandalf ou o Sam Wise). Enfim, estivemos em muitos sítios e fui sempre descobrindo coisas fantásticas sobre este grande amigo.
Entretanto o Lopes esteve em Espanha por cerca de uma ano, a fazer um estágio qualquer sobre aviões, e passou a ser o Lopezzzzzzzz! Deu-nos sempre relatórios completíssimos sobre a impressão que tinha dos espanhóis, nomeadamente o facto de nenhum espanhol aceitar que é espanhol. Falou-nos também de um prato estranhíssimo, que serviam no refeitório do sítio onde estava, com ovos a boiar em tomate e que se chamava qualquer coisa como ovos à portuguesa.
Trabalha nas OGMA e tem muito orgulho em trabalhar em oficinas com posters de mulheres nuas (“à operário!”), em berrar nas manifestações das OGMA: “Portas paneleiro! Devolve-nos o nosso dinheiro!”. E até já contou uma anedota ordinária! Aquela do homem que foi às putas… Mas ainda joga futebol com os engenheiros.
O Lopes faz sessões de slides para o povo cada vez que vai viajar.
É o nosso Gerard Depardieu.
É o grande manager das Komunas Flamejantes. O impulsionador da tourneé “Bifana 2003”.
É um grande camarada e um excelente amigo.


»»»Komunas Flamejantes III«««

Posted by Hello


Ei-las!

As grandes...

As maravilhosas...

As fantásticas...

KOMUNAS FLAMEJANTES!!

segunda-feira, abril 04, 2005

Choque tecnológico

Posted by Hello

Almerindinha (a do computador): - olha, diz aqui na página da Segurança Social que a nossa reforma aumentou 3 euros
Estefânia (do lado direito da primeira): - foi?? deixa-me cá pensar... não me lembro... será que o meu homem gastou tudo em vinho?... 3 euros também só dá para 5 litradas...
Firmina (a mais à direita): - cá p'ra mim isso é brincadeira! são muito brincalhões esses senhores do governo lá de Lisboa!
Marianita (a da esquerda): - humpf! disparates! estão é a gozar com as nossas vidas! muda mas é para a página do Avante!

ARTE DE TRANSFORMAR XXVII

Posted by Hello


Esta sim! É a melhor banda do mundo!
(a seguir às Komunas Flamejantes, obviamente)

domingo, abril 03, 2005

auto-retrato

Posted by Hello


"Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste."


ARTE DE TRANSFORMAR XXVI

FAREWELL

Desde el fondo de ti, y arrodillado,
un niño triste, como yo, nos mira.
Por esa vida que arderá en sus venas
tendrían que amarrarse nuestras vidas.
Por esas manos, hijas de tus manos,
tendrían que matar las manos mías.
Por sus ojos abiertos en la tierra
veré en los tuyos lágrimas un día.

Yo no lo quiero, Amada.
Para que nada nos amarre
que no nos una nada.
Ni la palabra que aromó tu boca,
ni lo que no dijeron las palabras.
Ni la fiesta de amor que no tuvimos,
ni tus sollozos junto a la ventana.

(Amo el amor de los marineros
que besan y se van.
Dejan una promesa.
No vuelven nunca más.
En cada puerto una mujer espera:
los marineros besan y se van.
Una noche se acuestan con la muerte
en el lecho del mar.

Amo el amor que se reparte
en besos, lecho y pan.
Amor que puede ser eterno
y puede ser fugaz.
Amor que quiere libertarse
para volver a amar.
Amor divinizado que se acerca
Amor divinizado que se va.)

Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya no se endulzará junto a ti mi dolor.
Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.
Fui tuyo, fuiste mía. Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.
Fui tuyo, fuiste mía. Tu serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.
Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy.
...Desde tu corazón me dice adiós un niño.
Y yo le digo adiós.

Pablo Neruda

terça-feira, março 29, 2005

*Vermelhices (Comentários Políticos) XIII*

O JOGO DA VIDA

A educação por cá apresenta os mais lamentáveis resultados. Estranhamente (ou não) a indignação não se faz sentir. Tenho vergonha, a sério, do modo como o meu país encara a instrução.

Vivendo nas escolas dou-me conta de que tudo não passa de um circo ou de um teatro. Eu finjo que ensino, os alunos fingem que aprendem, os pais fingem que acompanham, e, estupidamente, os órgãos de gestão constroem o cenário para dar um ar realista a esta escola da fantasia. Tudo isto porque o ministério da Educação finge que tutela.

Na realidade, o que se faz no 13º andar da 5 de Outubro é o jogo das cadeiras. São muitas e a sala é grande. Um espaço excepcional e ainda por cima com vista para as torres do Técnico. Ministros (ou ministras), junto com secretários de estado, chefes de gabinete, assessores e mais algum pessoal que esteja disponível, correm à volta das cadeiras que são em igual número de participantes menos um. Escusado explicar, toda a gente conhece o jogo. Aquilo é rir à fartasana. Os nossos governantes gostam, por grande generosidade, de proporcionar igual prazer a toda a dita comunidade educativa. Criaram então divertidas ocupações relacionadas com os mais diversos campos da educação. Eu, por exemplo, sou professora daquela coisa híbrida, a Área Projecto. Uma área curricular não disciplinar: muito giro, sim senhor. É obrigatória, mas não é uma disciplina. Conta para a nota, mas não se pode passar trabalhos de casa. Serve para os alunos adquirem competências ao nível da elaboração de projectos mas não existem meios para trabalhar. Outra coisa gira é aquela da conversa sobre a importância da formação profissional. É também um jogo simpático: consiste em colocar uns indivíduos falar e outros a escrever sobre como é fundamental apostar na qualificação dos trabalhadores e futuros trabalhadores, ao mesmo tempo reduz-se a componente de formação tecnológica das escolas, correm-se com os professores, destrói-se o equipamento antigo ou deixa-se ao abandono (por falta de tempo para trabalhar com ele), e, muito importante, não se pode adquirir novo equipamento ou matérias-primas. Com este jogo, eu e os meus alunos já passámos episódios divertidos: o de procurar armários para guardar coisas, usar água em baldinhos porque não há água na sala de aula, etc., etc., etc.

Mas a mais recente invenção lúdica do ministério é o fim da picada. É o cúmulo da paródia: o novo concurso para docentes! Depois da risada colectiva que foram os anteriores concursos, a edição 2005/2006 é melhor que a última consola da Sony. Fenomenal! É para quem gosta de pistas de obstáculos, de jogos de sorte e esperteza macaca, é para quem gosta de jogar mikado e outros de paciência, é para quem gosta do quarto escuro e da cabra-cega, é para quem gosta da batalha-naval e da armadilha. Enfim, é multifacetado. A Majora não faria melhor.

As regras são as seguintes:

1- É preciso ler 4 resmas de manuais, portarias, avisos de abertura, que se contradizem e que podem mudar a qualquer altura;

2- Só joga quem tem um bom computador, com uma boa ligação à internet (é o choque tecnológico em acção). Ainda assim não é garantido que se consiga jogar:

3- É necessário ultrapassar todas as fases: a pré-inscrição; a inscrição; o preenchimento; a pré-validação; a validação; a confirmação; a verificação das listas graduadas provisórias; a reclamação; as listas graduadas definitivas, as listas de colocações; a reclamação. E, se não se for colocado; mais listas, mais inscrições, mais reclamações, enfim…

4- Todos perdem. Em diferentes graus, mas todos perdem.

5- Objectivo: o défice (esse grande desígnio nacional por todos acarinhado).

O jogo comanda a vida: é o slogan dos novos tempos. Aprender não pode ser sacrifício. Governar é comédia. Pão e circo já era; agora é mesmo só circo.

Até o amor é uma encenação: não pode parecer o que é, não pode ser fácil.

Só há um pequeno problema nesta esfera de fantasia e sorrisos. A fome existe. Todo o tipo de fome; a fome de pão, a fome de casa, a fome de aprender, a fome de amar.

E os esfomeados: esses desmancha-prazeres.

Eu finjo que acho piada, mas começo a ter fome.

domingo, março 13, 2005

Mesa de trabalho, mesa de distracções

Posted by Hello


Onde está a caneta vermelha? Onde está ela? Chiça! Ainda agora aqui estava!

Ah! Ei-la debaixo do jornal.

Epá! Só agora reparo que na capa do Avante! do dia 3 está uma foto do pessoal da Amadora e uma da Gracinda. Olha a Gracinda! Bem despachada esta camarada… a Gracinda da Reboleira. Bom, já não é da Reboleira, agora é de Queluz. Mulher do Reizinho. O Reizinho… há que tempos que não o vejo! O camarada pacato que falava na Revolução Reboleira (não podia ser uma grande revolução com esse nome. Ainda é pior que Patuleia). Este Reizinho, operário da CP, sobreviveu a um acidente com um comboio. Será que ainda trata dos seus bonsai?

Bom, mas avancemos, avancemos que há trabalho para fazer. O que é que eu queria? Sim, é isso, o caderno com a fórmula de cálculo das notas.

Humm, tenho que digitalizar a imagem que está ali! É das minhas preferidas: a miliciana cubana com um bebé ao colo. Sempre me intrigou e apaixonou. Seria a mãe? Fotocopiei esta imagem para que nas aulas (em Sobral de Monte-Agraço) os alunos fizessem a sua interpretação. A maior parte disse que era uma bombeira e que tinha salvo a criança. Junto com esta fotografia estava uma outra; da alfabetização em Cuba no período que se seguiu à revolução. São crianças a ensinar velhos a ler. Os meus alunos adoraram a ideia de serem eles a ensinar aos mais velhos. Tenho a miliciana na Amadora, na parede amarela do escritório. Trouxe esta cópia no meio dos desenhos que uso para as aguarelas (tenho de pintar mais três: uma para o Donaldo, uma para a Graça, uma para o Miguel. Não posso esquecer!).

Bom, mas avancemos, avancemos. O que é isto? … Xiiii, é verdade! O documento do Congresso Regional que o Decq Mota me deu. Tenho que o ler amanhã, sem falta!

Merda, o que é que esta tesoura está aqui a fazer? Já me lembro estava na escola e agora vai directamente para dentro da caneca, fazer companhia às canetas, aos pincéis, aos lápis. Esta tesoura é incrível! Tenho-a há anos! Desde 1994. Levo-a para todo o lado. Esta desgraçada tem uma vida arriscada. Não vai a bailes de gala! Anda sempre nas preparações de manifestações, nas aulas, na construção da Festa do Avante!, nas obras da casa, etc., etc., etc. Já desapareceu várias vezes, mas voltou sempre (como seria a minha vida sem ela?...).

Ai! Merda! Tenho que por aquela carta no correio!

Porra! E isto? A lista de participações para fazer. Eles portam-se mal e eu é que tenho trabalho! Segunda-feira. Pois, na Segunda faço isso enquanto espero pela reunião do Conselho de Turma do 9ºF. Bem, mas se não me despacho não tenho as notas para atribuir. O que é que eu queria? A fórmula.

O melhor é arrumar estes papéis e fazer uma lista de tarefas que não posso esquecer.

Assim está melhor, só a toalha em cima de mesa. Que riscas tão coloridas que tem…


terça-feira, março 08, 2005

Dia Internacional da Mulher

Posted by Hello


1 - Emmeline Pankhurst –

Período: Fim do século XIX e primeiras duas décadas do século XX.

Local: Inglaterra

Porque figura na minha galeria?

Foi uma das fundadoras do movimento britânico do sufragismo. O nome da "Sra. Pankhurst", mais do que qualquer outro, está associado com a luta pelo direito de voto para mulheres no período imediatamente antes da primeira guerra mundial.

“As tácticas da Sra. Pankhurst para atrair a atenção ao movimento tiveram como resultado o emprisionamento por diversas vezes, mas por causa de seu perfil elevado, não passou as mesmos privações como outras colegas sufragistas (embora experimentasse alimentação forçada após greve de fome). Sua liderança da campanha não agradou a todos, e houve separatismo dentro do movimento em consequência”.

Curiosidade: Quem anda pelas manifestações já deve ter ouvido falar em pancartas sem saber de onde vinha o nome. Pois bem as placas que se usam presas ao peito e costas e aquelas outras presas a pauzinhos foram inventadas pelas Pankhurst, daí o nome.

Flores: Rosas

2 – Sylvie Pankhurst –

Período:Primeiras duas décadas do século XX.

Local: Inglaterra

Porque figura na minha galeria?

Filha de Emmiline Pankhurst, Sylvie distinguiu-se e divergiu da mãe porque sendo esta essencialmente uma conservadora (seria deputada pelo Partido Conservador) acedeu à concessão do direito de voto apenas para mulheres da burguesia e aristocracia. Aproximou-se então das posições de Clara Zetkin, que introduziam as questões de classe como as que estão na origem da descriminação das mulheres.

Lenine, embora louvando os esforços e ímpeto dos jovens britânicos, no qual incluía Sylvie, não deixou de os acusar de esquerdismo.

Foi fundadora do Partido Comunista Britânico.

Flores: violetas

3 - Rosa Luxemburg –

Período: Primeiras duas décadas do século XX.

Local: Polónia/Alemanha

Porque figura na minha galeria?

Uma referência incontornável apesar de algumas divergências com Lenine sobre as organizações revolucionárias e papel do partido e sobre questões internacionais.

“Impregnada de ardentes ideais revolucionários construídos na militância política clandestina na sua Polônia natal e no exílio na Suíça, Rosa sofre um choque ao mudar-se para Berlim em 1898, vinda de Zurique, onde concluíra a universidade com um brilhante doutorado sobre “O desenvolvimento industrial da Polônia”. Ela dá-se conta rapidamente de que a social-democracia alemã, a organização que escolhera para fazer carreira política (o maior partido operário do ocidente e modelo da esquerda na época), na realidade não passava de uma grande organização burocrática, adepta de um marxismo de fachada, e que os respeitados líderes social-democratas, pusilânimes e medíocres, eram totalmente carentes de talento e imaginação. Rosa, cuja experiência política num país pobre e atrasado lhe fazia ver com olhos críticos a atmosfera da esquerda alemã, pôs-se como tarefa vencer intelectualmente no interior da social-democracia — o partido da classe operária alemã —, empurrá-la para a esquerda, combater a rotina, “permanecer idealista”, trabalho a que se dedicou incansavelmente até a guerra”.

“Toma por lema o seguinte verso do Fausto de Goethe: No princípio era a acção. “No princípio era a acção” significa que a iniciativa pertence às massas, não ao partido. Mas este também tem um papel a desempenhar, Rosa não é uma anarquista que rejeita por princípio a organização. O partido tem por função esclarecer, explicar, pois ele possui a visão de conjunto do processo de desenvolvimento capitalista e, por conseguinte, do lugar que nele ocupa a classe revolucionária.”

Funda a Liga Spartakus (ala esquerda da social democracia alemã) e depois o Partido Comunista Alemão.

O assassinato de Rosa Luxemburg em 1919 teve o apoio da social-democracia. Os assassinos não foram condenados.

O seu maior desejo sempre foi unir a política à felicidade individual. A 6 de março de 1899 — Rosa tem 29 anos — escreve: “Mantenho minhas pretensões à felicidade pessoal. É um facto, tenho um enorme desejo de ser feliz e estou disposta a negociar, dia após dia, em favor da minha pequena ração de felicidade com a teimosia de uma mula.(...) [Mas] começo a habituar-me ao pensamento de que para mim só existe o dever (...)”.

“Interessa-se por literatura, pintura, música, botânica, tem uma ligação visceral com a natureza, de que fala longamente nas cartas escritas da prisão, recordando os passeios pelo campo, pelas montanhas, na companhia de amigos, sozinha”.

Flores: margaridas

4 - Clara Zetkin

Período: Fim do século XIX e primeiras três décadas do século XX.

Local: Alemanha

Porque figura na minha galeria?

Leva ao debate político sobre a afirmação política das mulheres a questão de classe. Enriquece o marxismo e funda assim o pensamento marxista que ainda hoje vigora sobre as questões das mulheres. O dia 8 de Março como dia internacional da mulher foi proposto por ela no congresso das mulheres socialistas em 1910.

“Não se trata de uma luta de mulheres contra homens, como se costuma pensar. É uma luta de homens e mulheres da classe trabalhadora por uma sociedade mais justa e pelo fim de todo tipo de opressão e exploração”.

“As raízes desta batalha podem ser encontradas nos escritos de Marx e Engels. Obras como A "Origem da Família do Estado e da Propriedade", de Engels, entre outras, apesar de alguns pontos superados, conservam a actualidade ao mostrar que a base real da opressão das mulheres está na existência das classes sociais”.

Flores: Flores de laranjeira

5 - Shere Hite –

Período: últimas três décadas do século XX até à actualidade.

Local: EUA/Alemanha

Porque figura na minha galeria?

“Em 1976, causou escândalo nos Estados Unidos ao lançar seu primeiro livro, Relatório Hite: um Estudo da Sexualidade Feminina, no qual derrubava o mito do orgasmo vaginal, numa época em que a sexualidade feminina era tabu, e dizia que a maioria das mulheres estava insatisfeita em seus casamentos. A parcela conservadora do país reagiu a tal ponto que, como protesto, ela mudou-se para a Alemanha e trocou de nacionalidade”.

Os relatórios publicados por Shere Hite, mostraram que a vagina é um canal com pouquíssimos terminais nervosos e que a estimulação (direta ou indireta) do clitóris é fundamental para que a maioria das mulheres atinja o orgasmo. Derrubava assim o discurso de Freud que acreditava que o “orgasmo vaginal” era fruto do amadurecimento da mulher e que, portanto, o “orgasmo clitoriano” era “infantilizado”.

Flores: amores-perfeitos

6 – Frida Kahlo –

Período: Primeira metade do século XX.

Local: México

Porque figura na minha galeria?

Diego Rivera (que foi seu marido) dizia que não conseguia ilustrar o sentimento como fazia Frida nas suas pinturas.

Esta mulher agarrou-se à pintura depois de um acidente viário que a deixou em estado grave e acabou limitando irremediavelmente a sua mobilidade. A maior parte das suas pinturas são auto-retratos. Neles, Frida revela a sua personalidade, estados de alma, opções. Comunista, profundamente patriótica e amante da cultura mexicana, contra preconceitos de qualquer espécie, introspectiva, deprimida, arrebatada. Tudo isso se lê nas suas pequenas telas.

O mundo das artes plásticas, por estranho que pareça, ainda é essencialmente masculino. Mulheres pintoras, salvo raras excepções, são vistas como artistas de segunda categoria. Não são, como os homens, encaradas como mestres. A explicação está, naturalmente, na ideia e na prática que vigorou durante séculos, de que às mulheres estavam reservadas as tarefas domésticas. A pintura, seria apenas, e para todas elas, um passatempo, não uma opção de vida ou uma actividade a tempo inteiro. Para além disto, mulheres que pintavam eram, quase sempre, oriundas da alta burguesia e aristocracia. Este modo de ver a mulher na arte, apesar das pequenas mudanças que se começaram a verificar no século XX, ainda vigora. Muitas mulheres passaram entretanto a dedicar-se intensamente à arte, mas poucas se afirmaram.

Apesar de ter vivido na sombra do marido, Diego, Frida é hoje reconhecida como um dos grandes artistas do século XX.

Flores: malmequeres

7 – Ilda Figueiredo –

Período: Actualidade

Local: Portugal

Porque figura na minha galeria?

Eurodeputada portuguesa, comunista, que elaborou e apresentou recentemente um polémico relatório sobre a situação laboral das mulheres na União Europeia, nele revela que as mulheres representam mais de metade dos desempregados da União Europeia, ocupam a maioria dos trabalhos precários e ganham menos do que os homens.

Flores: Cravos

8 - Gladys Marín –

Período: Últimas 4 décadas do século XX

Local: Chile

Porque figura na minha galeria?

Secretária Geral do Partido Comunista Chileno, morreu no dia 5 de Março, vítima de um tumor cerebral diagnosticado em 2003.

Toda a vida lutou.

Lutou como estudante

Lutou na Federação das Juventudes Comunistas

Lutou como dirigente del Comando Juvenil de Salvador Allende

Lutou contra a guerra do Vietname

Lutou na clandestinidade e no exílio depois do golpe de Pinochet em 1973

Lutou depois do desaparecimento do seu marido, caído nas mãos da ditadura

Lutou assumindo a direcção do partido

Lutou, pondo Pinochet no banco dos réus, acusando-o pelas masis de 3000 vítimas e motivando assim outras acusações.

Lutou, criando, com outros, a plataforma Pactos Juntos Podemos, “que buscan la unidad de todas las fuerzas que se oponen al terrorismo económico neoliberal y que se está desarrollando como un tercera alternativa política, para producir los cambios que el país necesita en cuanto a la erradicación de los grandes problemas sociales, que generaron las políticas económicas de la dictadura y que muy bien han seguido administrando los gobiernos de la Concertación”.

Flores: papoilas