Era preciso um grupo catalão para que em 2007 se fizesse uma música sobre o 25 de Abril (bem sei que é um outro, mais remoto, de 1707. Mas a assenta que nem uma luva no nosso 25 - até melhor do que no deles)
Ara que estic trist
Agora que estou triste intente recordar
tento recordar per les carreteres
pelas ruas de la meua soledat
da minha solidão I em torna aquella olor
E vem-me aquele odor de pólvora cremant
de pólvora queimada i el roig de les fogueres
E o vermelho das fogueiras de les nits de Sant Joan!
das noites de São João La festa als carrers
A festa nas ruas la pluja d´estels
A chuva de estrelas el 25 d´abril
O 25 de Abril amb un nus als sentiments
e um nó nos sentimentos L´esperança als ulls
A esperança nos olhos les banderes al vent
As bandeiras ao vento i les ganes de viure
E a vontade de viver de la meua gent
da minha gente
Lluitar, crear
Lutar, criar construir poder popular!
Construir o poder popular!
Ara que he tornat
Agora que voltei refaig els caminars
refaço os caminhos pels carrers i les places
pelas ruas e pelas praças del lloc on em vaig criar
Este professores que votaram no PS, chatearam-se com o Governo, fizeram um movimento dos professores arrependidos, foram à manifestação, não obtiveram a vitória ao virar da esquina, desesperaram, quando surge um entendimento táctico revoltam-se contra os sindicatos, baixam os braços, culpam o PCP e quando chega Fevereiro votam PSD, irritam-me.
Nas últimas semanas a minha paciência, destreza e conhecimentos do mundo informático tem sido postos à prova. Num piscar de olhos entraram-me pelo computador a dentro nove vírus. Os malditos banquetearam-se com meu dispositivo de som e transformaram-me numa surda cibernética. Vi-me profundamente limitada e resolvi dar luta. Fui obrigada a formatar o disco e foi como se me tivessem feito uma lobotomia. Para além de ter de correr meio mundo à procura dos programas que tinha instalados descobri que a drive dos cds deve ter servido de pista de dança para o festim dos quatrocentos e tal problemas detectados e que, misteriosamente, a placa de rede do computador despareceu (ou está muito bem escondinha dentro do paralelepípedo de 32 x 26 x 2 cm). Neste preciso momento estou a realizar uma acrobacia fantástica: estou na escola a tentar passar os programas que estão nos cds para a pendrive num computador. Depois vou tentar instalá-los na minha desgraçada máquina. Tudo isto tentando escapar à vigilância do senhor delegado do ministério que ciranda pelos corredores desta escola. Não que esteja a fazer nada de ilegal ou perigoso, mas nos dias que correm se estas criaturas vislumbram uma professora a postar um cartaz como este que aqui mostro com os recursos da escola é bem capaz de levar um processo disciplinar. Felizmente o senhor está distraído a ver a página do jornal A Bola. No entretanto, e porque não sei quando voltarei a ter uma oportunidade de me ligar ao mundo como rapariga vermelha, deixo este cartaz do Ricardo Levins Morales sobre a defesa da educação pública.
Pedro Jorge, Electricista e dirigente sindical, interveio no Programa Prós e Contras de 28/1/2008. Motivo invocado esta semana pelo patronato para lhe mover um processo disciplinar para despedimento: dizer a verdade em público! No vídeo anexo reproduzimos as 4 intervenções de Pedro Jorge no programa. São um libelo à liberdade que nos têm destinada as classes dominantes: a liberdade dos escravos. Por Abril, a luta continua! As liberdades defendem-se exercendo-as! em www.dorl.pcp.pt
Hoje recebi por mail um manifesto sobre uma frase, cínica ao mais alto grau, que aparece na página de abertura do site da Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação (agora que se aproximam os concursos para professores) , e que aqui transcrevo integralmente:
"Uma vida, uma carreira"
- Nós, eternos contratados/desempregados com 6,10, 20 e mais anos de serviço, recebendo menos de metade dos efectivos, apanhando as escolas, os horários e as turmas que mais ninguém quer e gastando muitas vezes a vida olhando a carreira por um canudo
- Nós, com uma vida de sacrifícios infra-humanos, ao serviço de um Estado-patrão que exige para os privados o que não cumpre na própria casa - 3 anos de serviço + 3 = efectivação em lugar de quadro (Dec-Lei 99/2003)
- Nós, pelo amor à profissão docente e aos alunos, abdicando de direitos constitucionais tão elementares como o direito à família e casa própria
- Nós, que nos sujeitamos até 26 de Abril de 2000 (data da saída do DL 67/2000) a cada 31 de Agosto ser atirados pelo patrão (ME) para um desemprego involuntário tão ignóbil como totalmente desprotegido
- Nós que até há escassos anos, perdíamos a ADSE logo após o termo do contrato,e se caíssemos doentes, nem apoio na doença nem subsídio de desemprego...
Nós não sabemos qual o significado dessa frase.... e só entendemos a sua introdução no site da DGRHE como uma brincadeira de mau gosto. De muito mau gosto, mesmo. Um provocação de um cinismo ao mais alto grau, feita a várias gerações de colegas eventuais, provisórios e contratados, que não estamos de todo dispostos a tolerar!
“Os professores ainda não compreenderam”, dizia Maria de Lurdes Rodrigues com a sua máscara cândida e de quem parece transportar às costas uma cruz de sacrifício e abnegado labor em prol da nação. Ou a “bem da nação”, como se dizia noutros tempos. Cerca de 100.000 docentes, de acordo com as afirmações ministeriais, não terão ainda atingido a genialidade política que consiste em transformar a educação portuguesa na melhor do mundo através do encerramento e privatização de escolas, da diminuição dos apoios sociais aos estudantes, da liquidação do conceito de escola inclusiva, do arrasar da gestão democrática e a instauração (ou restauração) do Senhor Reitor todo-poderoso e centralizador, mão do poder nas escolas para tornar tudo e todos em máquinas de servir os desígnios e interesses de uns poucos, da subjugação dos conteúdos científicos e das estratégias pedagógicas ao financismo, ao mercantilismo e à lógica de que todo o investimento que não vise o lucro imediato e privado é um despesismo, da divisão da classe dos professores, do desrespeito pelo papel do professor – retirando-lhes a sua autoridade e atribuindo-lhes tarefas cada vez mais distantes do seu conteúdo funcional -. Uma genialidade tão profunda que só raras mentes iluminadas são capazes de vislumbrar os resultados, uma genialidade que dispensa o património de experiência e vivência directa da realidade de milhares e milhares de professores e educadores, uma genialidade capaz de ignorar a insatisfação generalizada nas escolas.
Sim, os professores não são capazes de almejar tamanha sabedoria e por isso também se justifica o amarrotar da democracia.
A seráfica Marilú, qual virgem no altar, presta-se mais uma vez ao papel de mártir e assume, em conjunto com o seu santo governo, todas as decisões que a imensa, ignorante e mal-agradecida turba docente não tem grandeza para assumir.
A divina ministra é tão generosa que até compreende a insatisfação dos professores e educadores. Estes, tão miseravelmente mundanos, agarram-se a pormenores como o aumento da carga horária, o desempenho de funções estranhas à sua profissão, o desenvolvimento crescente de tarefas burocráticas em detrimento das pedagógicas e a falta de condições físicas e materiais.
A voz mais grossa, e menos chorosa, do ministro Santos Silva revela, por seu turno, o cavaleiro da democracia. Esclarece que nada se deve a Álvaro Cunhal ou a Mário Nogueira, e, por arrasto, ao partido em que um militou toda a vida e em que outro milita, alerta-nos para o perigo da “ditadura vermelha”, essa que os bravos socialistas impediram de ser instaurada. Santos Silva não necessita provar o que diz e só mentes muito pequenas e mesquinhas podem levantar questões como: a inexistência ministros com pasta comunistas nos sucessivos governos provisórios que se seguiram ao 25 de Abril; a forma como o PS mudou radicalmente de discurso entre Março e Maio de 1975 – da defesa de uma aliança de esquerda à defesa de uma “esquerda democrática”, a associação desta mudança e discurso às relações que se estabeleceram entre Carlucci e Mário Soares; a defesa que o PS (e o MES onde então militava Santos Silva) fazia, na altura, de muitos dos princípios e medidas que hoje associa à “ditadura comunista”; a confrontação com provas de que o 25 de Novembro de 1975 não foi um bem sucedido golpe de direita mas uma tentativa falhada de um golpe comunista.
Santos Silva, o anjo Gabriel da democracia, previne-nos contra o perigo que é o exercício da pressão popular sobre um ministro. Não adianta nada sobre a pressão dos grandes capitalistas sobre o governo. Essa não é perigosa, enquadra-se no âmbito da “democracia” que defende. Regista que é antidemocrático haver manifestações contra si enquanto ministro quando vai a uma reunião do PS mas quanto à obrigatoriedade de entrega dos ficheiros partidários no Tribunal Constitucional não manifesta a mesma opinião.
Também Emídio Rangel, menos compreensivo de Maria de Lurdes Rodrigues, esclarece que estes professores “transformaram-se em soldados do Partido Comunista, para todo o serviço”, um perigo, já se vê. E acrescenta sem papas na língua, revelando um “profundíssimo” conhecimento sobre a realidade da Educação em Portugal: “– Portugal não pode continuar a pôr cá fora jovens analfabetos, incultos e impreparados, como acontecia até aqui. – Os professores colaboraram com um sistema iníquo que permitia faltas sem limites, baixas prolongadas sem justificação e incumprimento dos programas escolares. – Os professores não são todos iguais. Quero referir-me àqueles que sem nenhuma vocação (com ou sem curso Superior) instalaram um culto madraceirão que ninguém punha em causa nem responsabilizava, mas que estava a matar o ensino.”
Rangel é o paradigma da verdade quando refere “estes pseudoprofessores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações” e um fiel escudeiro que enaltece a sua dama: “Maria de Lurdes Rodrigues é uma ministra determinada. Bem haja pela sua coragem. Por ter introduzido um sistema de avaliação dos professores, por ter chamado os pais a intervir, por ter fechado escolas sem alunos, por ter prolongado os horários e criado as aulas de substituição, por ter resolvido o problema da colocação dos professores, por ter introduzido o Inglês, por levar a informática aos lugares mais recônditos do País. Estas entre outras medidas já deram frutos. Diminuiu o abandono escolar, os métodos escolares estão a criar alunos mais preparados, os graus de exigência aumentaram.”
Rangel só não explica que já existia um sistema de avaliação, que os pais cada vez menos participam nas actividades escolares dos filhos, que já foram encerradas escolas com 20 ou mais alunos e que a desertificação do interior do país se acentuou comestes encerramentos, que o prolongamento dos horários está a ser feito de forma anti-pedagógica, que as aulas de substituição não resolveram absolutamente nada, que há cada vez mais desemprego docente e é crescente o número de denúncias sobre irregularidades nas colocações, que as necessidades de ensino de Português estão a ser preteridas, assim como o Inglês nos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico, e que no 1º ciclo só estão a servir para encher os bolsos de alguns amigos de autarcas. Tudo questões menores.
Carta Aberta ao Senhor Ministro dos Assuntos Parlamentares
Exmº Senhor Ministro Augusto Santos Silva,
Venho por este meio informá-lo que me sinto insultado pelas suas afirmações proferidas ontem à noite, em Chaves e dadas hoje à estampa na comunicação social escrita.
Foi o comunista do meu pai, Sérgio Vilarigues, que esteve preso 7 anos (dos 19 aos 26) no Aljube, em Peniche, em Angra e no campo de concentração do Tarrafal para onde foi enviado já com a pena terminada. Que foi libertado por «amnistia» em 1940, quatro anos depois de ter terminado a pena. Que passou 32 anos na clandestinidade no interior do país, o que constitui um recorde europeu. Não foi ao seu pai, e ainda bem, que tal sucedeu.
Foi a comunista da minha mãe, Maria Alda Nogueira, que, estando literalmente de malas feitas para ir trabalhar em França com a equipa de Irène Joliot-Curie, pegou nas mesmas malas e passou à clandestinidade em 1949. Que presa em 1958 passou 9 anos e 2 meses nos calabouços fascistas. Que durante todo esse período o único contacto físico próximo que teve com o filho (dos 5 aos 15 anos) foi de 3 horas por ano (!!!). Que, sublinhe-se, foi condecorada pelo Presidente da República Mário Soares com a Ordem da Liberdade em 1988. Não foi à sua mãe, e ainda bem, que tal sucedeu.
Foi a mãe das minhas filhas, Lígia Calapez Gomes, quem, em 1965, com 18 anos, foi a primeira jovem legal, menor (na altura a maioridade era aos 21 anos), a ser condenada a prisão maior por motivos políticos – 3 anos em Caxias. Não foi à sua esposa, e ainda bem, que tal sucedeu.
Foi a minha filha mais velha, Sofia Gomes Vilarigues, quem até aos 2 anos e meio não soube nem o nome, nem a profissão dos pais, na clandestinidade de 1971 a 1974. Não foi à sua filha, e ainda bem, que tal sucedeu.
Fui eu, António Vilarigues, quem aos 17 anos, em Junho de 1971, passou à clandestinidade. Não foi a si, e ainda bem, que tal sucedeu.
Foi o caso do primeiro Comité Central do Partido Comunista Português eleito depois do 25 de Abril de 1974. Dos 36 membros efectivos e suplentes eleitos no VII Congresso (Extraordinário) do PCP em 20 de Outubro de 1974, apenas 4 não tinham estado presos nas masmorras fascistas. Dois tinham mais de 21 anos de prisão. Com mais de 10 anos de prisão eram 15, entre eles Álvaro Cunhal (13 anos).
São casos entre milhares de outros (Haja Memória) presos, torturados e até assassinados pelo fascismo. Para que houvesse paz, democracia e liberdade no nosso país.
Para que o senhor ministro pudesse insultar em liberdade. Falta-lhe a verticalidade destes homens e mulheres. Por isso sei que não se retratará, nem muito menos pedirá desculpas. As atitudes ficam com quem as praticam.
ROGÉRIO RIBEIRODo painel das Descobertas . Mão Aberta - Intervenção na Estação de Metro de Santa Lucia em Santiago do Chile
Partir é ir. É concluir um desejo. É começá-lo. Partir é pois um acto de boaventurança. Barcos novos carregados dos precisos, de homens que se vão conhecendo, de mapas, garantias e esperanças. Partir é enterrar as más chegadas e acreditar que o destino não é coisa que se repita.
Painel da Viagem. A Boaventura da Partida - na mesma intervenção
... de 1801: a Espanha declara guerra a Portugal, no âmbito da aliança com a França. Entre os dois estados estabeleceu-se um acordo secreto de partilha de Portugal.
A Comissão Concelhia da Amadora reunida no dia 12 de Fevereiro de 2008 decidiu por unanimidade repudiar o acórdão do tribunal que condenou um dirigente sindical a pena de prisão, colocando-o ao lado de qualquer criminoso comum, por este ter feito uso de uma prerrogativa do seu estatuto de defensor dos trabalhadores há vários meses sem salários que, por falta de saídas visíveis se manifestaram pacificamente, exigindo os seus direitos.
Estes direitos, por consigne, constam de uma decisão judicial que o patronato pura e simplesmente ignorou, sem que nada lhe tivesse acontecido.
Esta situação põe a nu o que de pior têm estas políticas e este governo PS anti-trabalhadores, que não obriga o patrão devedor a cumprir ordens judiciais e condena os dirigentes sindicais que lutam em defesa do cumprimento da legalidade.
Comissão Concelhia da Amadora do PCP 13 de Janeiro de 2008