Todos os anos, por esta altura, instala-se a crise bloguística. Este, no entanto, tem sido um ano inteiro de crise bloguística. Por isso, e para não deitar por terra os megabytes que já por aqui deixei, prometo que nos próximos dias, entre os banhos de praia e os concertos, vou pensar em detalhe sobre o que fazer com este espaço. E, para satisfazer os meus 6 neurónios anarquistas, vou deixar as velas deste moinho, que têm andado ao sabor do vento, paradas ou girando ocasionalmente, soltas por mais alguns dia e do caos, espero, nascerá a ordem. Agora VENHA A MÚSICA!
Quando iniciaram a privatização da galp diziam que esse era o modo dos portugueses se apossarem da empresa. Diziam que assim é que seria verdadeiramente pública porque as pessoas podiam comprar acções e obter desse modo um bocadinho da empresa. Os 7 membros da comissão executiva da GalpEnergia recebem individualmente e por dia 1314 euros, o que lhes dá para comprar 81 das suas acções ou 995 litros de gasolina. Acredito que se todos tivéssemos esses rendimentos e pudéssemos comprar acções da galp a empresa seria pública. Mas a verdade é que à conta destes senhores receberem tanto é que nós recebemos tão pouco. A verdade é que o joguinho da bolsa é a materialização mais eficaz da expressão "brincar com a vida dos outros". E se cada português fosse executivo da galp por um dia? Em menos de 4 anos todos teriam a sua quota da empresa - as suas 81 acções... Nãaaaaa... ainda assim o povo português ficaria apenas com menos de 10% da galp. Caraças! é precisa muita alienação para se ter deixado passar a negociata da privatização. Melhor seria então juntarmos o dinheirinho todo (13140000000 euros) para mandarmos todo o governo e a administração da galp para o espaço, pagar o combustível e ainda nos sobrava uma boa maquia. Que tal?
O número de vítimas mortais do sismo que afectou a China na semana passada cifra-se já em 55 239. Contam-se também 281 066 feridos e 24 949 pessoas estão ainda desaparecidas.
Ontem, ou anteontem (não me recordo bem), fazendo a minha habitual mudança de postos de rádio enquanto conduzo (este país está a precisar de umas boas rádios pirata) tropecei num em que se debatia a China. A jornalista perguntava, a uma sumidade qualquer, se o governo chinês não teria aproveitado a catástrofe que se abateu sobre o país para desviar as atenções que estavam voltadas para a questão do Tibete e dos direitos humanos e acrescentava outra pergunta - se a aceitação da ajuda internacional não traria também consigo a tentativa de mostrar que afinal os governantes chineses até colocavam as vidas à frente dos interesses políticos. Quando o "comentador" se preparava para responder, e começava a frase com um "Sim..." mudei de posto, creio que para uma dessas missas em que pastores brasileiros falam do céu como quem vende lençóis na feira. Ainda pensei em voltar atrás e verificar se aquele programa de rádio permitia comentários dos ouvintes. Desejei perguntar àquela jornalista se tinha no lugar do cérebro dejectos de porco e recordar àquela gente que foi o "nosso" ministro da Economia que nos quis vender aos chineses como uma mercadoria barata e não o contrário. Mas enfim, a minha viagem estava a chegar ao fim e não valia a pena, naquele momento, prejudicar a condução por causa de mais uma barbaridade dita em directo para milhares de pessoas.
Enquanto por aqui há gente que se comporta como fuínhas, chega a notícia de Cuba:
Uma equipa de médicos chegou na sexta feira à província de Sichuan, para ajudar nas operações de resgate e socorros. A equipa é constituída por 35 membros, cirurgiões e ortopedistas, e levou consigo 3,5 toneladas de medicamentos.
Foi a 19 de Maio de 1954, fazem hoje 54 anos, que Catarina Eufémia foi assassinada em terras de Baleizão pelas forças do regime fascista, com um filho pela mão e outro na barriga (este morreu com ela).
Lutava por pão e trabalho e, rapidamente, tornou-se um símbolo da resistência do proletariado rural alentejano à repressão e à exploração do salazarismo e, ao mesmo tempo, um símbolo do combate pela liberdade e da emancipação da mulher portuguesa.
Nos tempos que correm, o exemplo de Catarina Eufémia continua a inspirar homens e mulheres que lutam, ainda, pelo fim da exploração, por uma sociedade mais justa e fraterna.
Era preciso um grupo catalão para que em 2007 se fizesse uma música sobre o 25 de Abril (bem sei que é um outro, mais remoto, de 1707. Mas a assenta que nem uma luva no nosso 25 - até melhor do que no deles)
Ara que estic trist
Agora que estou triste intente recordar
tento recordar per les carreteres
pelas ruas de la meua soledat
da minha solidão I em torna aquella olor
E vem-me aquele odor de pólvora cremant
de pólvora queimada i el roig de les fogueres
E o vermelho das fogueiras de les nits de Sant Joan!
das noites de São João La festa als carrers
A festa nas ruas la pluja d´estels
A chuva de estrelas el 25 d´abril
O 25 de Abril amb un nus als sentiments
e um nó nos sentimentos L´esperança als ulls
A esperança nos olhos les banderes al vent
As bandeiras ao vento i les ganes de viure
E a vontade de viver de la meua gent
da minha gente
Lluitar, crear
Lutar, criar construir poder popular!
Construir o poder popular!
Ara que he tornat
Agora que voltei refaig els caminars
refaço os caminhos pels carrers i les places
pelas ruas e pelas praças del lloc on em vaig criar
Este professores que votaram no PS, chatearam-se com o Governo, fizeram um movimento dos professores arrependidos, foram à manifestação, não obtiveram a vitória ao virar da esquina, desesperaram, quando surge um entendimento táctico revoltam-se contra os sindicatos, baixam os braços, culpam o PCP e quando chega Fevereiro votam PSD, irritam-me.
Nas últimas semanas a minha paciência, destreza e conhecimentos do mundo informático tem sido postos à prova. Num piscar de olhos entraram-me pelo computador a dentro nove vírus. Os malditos banquetearam-se com meu dispositivo de som e transformaram-me numa surda cibernética. Vi-me profundamente limitada e resolvi dar luta. Fui obrigada a formatar o disco e foi como se me tivessem feito uma lobotomia. Para além de ter de correr meio mundo à procura dos programas que tinha instalados descobri que a drive dos cds deve ter servido de pista de dança para o festim dos quatrocentos e tal problemas detectados e que, misteriosamente, a placa de rede do computador despareceu (ou está muito bem escondinha dentro do paralelepípedo de 32 x 26 x 2 cm). Neste preciso momento estou a realizar uma acrobacia fantástica: estou na escola a tentar passar os programas que estão nos cds para a pendrive num computador. Depois vou tentar instalá-los na minha desgraçada máquina. Tudo isto tentando escapar à vigilância do senhor delegado do ministério que ciranda pelos corredores desta escola. Não que esteja a fazer nada de ilegal ou perigoso, mas nos dias que correm se estas criaturas vislumbram uma professora a postar um cartaz como este que aqui mostro com os recursos da escola é bem capaz de levar um processo disciplinar. Felizmente o senhor está distraído a ver a página do jornal A Bola. No entretanto, e porque não sei quando voltarei a ter uma oportunidade de me ligar ao mundo como rapariga vermelha, deixo este cartaz do Ricardo Levins Morales sobre a defesa da educação pública.
Pedro Jorge, Electricista e dirigente sindical, interveio no Programa Prós e Contras de 28/1/2008. Motivo invocado esta semana pelo patronato para lhe mover um processo disciplinar para despedimento: dizer a verdade em público! No vídeo anexo reproduzimos as 4 intervenções de Pedro Jorge no programa. São um libelo à liberdade que nos têm destinada as classes dominantes: a liberdade dos escravos. Por Abril, a luta continua! As liberdades defendem-se exercendo-as! em www.dorl.pcp.pt