quarta-feira, agosto 01, 2007

hoje sinto-me bucólica

segunda-feira, julho 30, 2007

terça-feira, julho 24, 2007

Notas:

Vou de fériazinhas (alguns diazitos para Sines).

Já me perguntaram se fiz greve aos blogues. A resposta é não. Todos os anos por esta altura tenho uma crise inspiração verbal e fico algum tempo sem "postar" como se pode constatar pelo arquivo. A somar a isto estão os quinhentos mil afazeres do final do ano lectivo (a propósito alguém sabe em que pé está a questão da avaliação do desempenho docente? A diarreia legislativa da ministra dos últimos tempos foi publicada? como raio sei como vou ser avaliada? faço um relatório ao abrigo das normas anteriores? fico à espera das novas? e essa merda da prova para ingresso? Já não é suficientemente estúpido acharem que nem sequer posso fazer uma prova para poder dar aulas e ao mesmo tempo exigirem-me o relatório da actividade docente, ainda tenho de andar a fazer acrobacias e malabarismos para sobreviver na escola sob o tribunal da santa inquisição?), as tarefas para a festa do avante! a batalha com a TerminalA, as mil contas para pagar, e muitas outras coisas que não cabe aqui enumerar.
Assim sendo ando pouco produtiva no que diz respeito à vida cibernética.

Não me esqueci, no entanto, que tenho uma viagem para acabar de contar, uma história e centenas de fotos da ida ao Sardoal para colocar no ververmelha.

Espero brevemente cumprir estes compromissos do mundo virtual e ainda fazer uma apreciação sobre o debate da nação.

As coisas que se ouvem nos programas da tarde da TVI

Júlia Pinheiro: "então porque é que foi expulsa?"
Zita Seabra*: "fui acusada de ter hábitos burgueses, da forma como me vestia e os sítios que frequentava...
...
...
e de ter jantares conspirativos lá em casa com um grupo de amigos... e é verdade, todas as quartas jantavam lá em casa o Magalhães, o Vital Moreira, etc..." respondeu.
...
...
"... e também é verdade que conspirávamos" acrescentou com ligeireza, rindo e com ar de que era apenas um pormenor acessório

"... e também é verdade que conspirávamos"

"... e também é verdade que conspirávamos"

"... e também é verdade que conspirávamos"

"... e também é verdade que conspirávamos"

"... conspirávamos"

"... conspirávamos"

"... conspirávamos"

"... conspirávamos" para que conste.


* Para quem não sabe, Zita Seabra é o exemplo acabado do que é uma não-pessoa: é conhecida por aquilo que não é (comunista) e não pelo que é (uma tiazorra parola frustrada e reaccionária).
Está há quase tantos anos fora do PCP como os que militou nele, diz que contrariamente ao que vaticinou Álvaro Cunhal (que não seria nada depois da expulsão) foi muita coisa. No entanto, só tem tido cargos graças à sua condição de dissidente, ninguém a considera pelo seu mérito próprio.

Numa entrevista recente ao DN afirmou:
"Sobre a minha vida depois de 1989 não quero falar. Não gosto de falar da minha vida privada e só a abordo no livro quando é relevante para a política. Devia ser uma regra dos políticos, embora seja uma fronteira difícil. Se calhar se tivesse entrado em domínios mais privados, quer da minha vida quer da do dr. Cunhal, vendia mais..."

Talvez não queira falar sobre a sua vida depois de 1989 porque nada tem de politicamente relevante (a não ser o oportunismo e o vira-casaquismo mais surpreendente da história portuguesa). E o que se pode dizer então sobre as coisas que diz sobre os gostos pessoais de Álvaro Cunhal, sobre o marido, sobre o seu modo de vida? É relevante para a política dizer que Cunhal gostava de canetas?
... E dizer na televisão que os jantares em sua casa eram conspirativos? trata-se de uma simples adjectivação? é um domínio privado ou, aí sim, um aspecto da sua vida privada relevante para a politica?

Esta ministra gosta de contar piadas

AHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHA! EHEHEHEHEHEHEHEHEHEHEHEH! IHIHIHIHIHIHIHIHIHI! AHAHAHAHAHAHAHAHAH! Tem mesmo piada esta!
... Podiam começar por arranjar as campainhas para chamar os funcionários...
E contratar funcionários!
Lá na escola o pessoal já ficava contente se nas turmas com mais de 28 alunos todos se pudessem sentar...
Eu agradecia não ter de gastar dinheiro meu para comprar cola, guache, lápis de cor,...

"2007-07-23

Discurso da Ministra da Educação na apresentação do Plano Tecnológico da Educação

O Plano pode resumir-se em duas palavras: modernizar e melhorar.

Escola pública como plataforma de acesso universal à informação e ao conhecimento.

O que hoje se anuncia é a abertura de concursos ou de procedimentos administrativos para a aquisição por parte do Ministério da Educação de um conjunto vasto de equipamentos, conteúdos e serviços tecnológicos para dotar as escolas de meios mais modernos para o ensino e para a sua organização.

O plano tecnológico da educação pode resumir-se em duas palavras: modernizar e melhorar.

Modernizar e melhorar a escola, as práticas de ensino e os resultados escolares dos alunos.

Os alvos deste plano são portanto as escolas, os professores e os alunos.

Os objectivos são modernizar a escola e as condições de ensino, melhorar as práticas de ensino e os resultados escolares dos alunos.

Deste plano de intervenção, realço apenas alguns dos equipamentos ou serviços que serão colocados nas escolas:

- sistema de cartão electrónico de aluno a instalar em todas as escolas do 2.º e 3.º ciclo e secundárias;

- sistemas externos de vigilância e alarme a instalar em todas as escolas do 2.º e 3.º ciclo e secundárias. A instalação destes sistemas em todas as escolas deverá estar concluída em Abril de 2008;

- aumentar a velocidade de ligação à Internet em todas as escolas do 2.º e 3.º ciclo e secundárias, bem como nas escolas do 1º ciclo com mais de 100 alunos, para pelo menos 4Mbites e nas restantes escolas do 1º ciclo para pelo menos 1Mbite, já a partir de Setembro. O plano prevê que, com o lançamento do novo concurso internacional, um aumento progressivo da velocidade até pelo menos 48Mbites;

- Internet em todas as salas de aula e em toda a escola, biblioteca, recreio e espaço exterior. Isto é a instalação de redes locais que permitam a melhorar as ligações no interior da escola e entre escolas, já a partir de Abril de 2008;

- kit sala de aula: dotar as salas de aula de um quadro interactivo, um computador, um vídeo projector e uma impressora. Até ao segundo trimestre de 2008, serão instalados cerca de 9000 quadros interactivos e mais de 20 000 computadores, vídeo projectores e impressoras;

- computadores em número suficiente para todos os alunos, nas bibliotecas, nas salas TIC, nos centros de recursos, de forma a atingir, já em 2010, a meta de um computador por cada dois alunos.

A produção de conteúdos e o desenvolvimento de plataformas de acesso à informação e ao conhecimento são também dimensões decisivas deste plano tecnológico.

No seu conjunto, este Plano integrado dotará as escolas dos meios tecnológicos mais modernos, hoje disponíveis no mercado, permitindo a todas as escolas o acesso a equipamento tecnológico que sustente a modernização dos procedimentos administrativos e pedagógicos, desde a entrada da escola até à sala de aula, passando pela secretaria, a biblioteca, e os espaços de convívio.

Modernizar e melhorar a escola, as práticas de ensino, significa:

- desburocratizar e desmaterializar os actos da matrícula, o registo da informação, as compras e aquisição de serviços de cantina, bar e papelaria: substituir o dinheiro e o papel por um clique;

- facilitar a informação e o contacto entre a escola, os professores e as famílias;

- melhorar as condições de vigilância e de segurança nos espaços exteriores da escola, protegendo a escola e aumentando a confiança dos alunos e famílias;

- permitir aos professores efectivas condições de uso dos computadores em sala de aula, nos processos de ensino e de avaliação, na preparação de aulas e no acompanhamento dos alunos;

- criar condições para um ensino mais participado, no qual se valorizem as dimensões associadas ao fazer e saber fazer e portanto mais exigente no envolvimento dos alunos e no trabalho por eles realizado

- criar condições para que as tecnologias, os computadores e a Internet sejam ferramentas de ensino transversais a todas as disciplinas, para que sejam efectivas ferramentas de trabalho de professores e de alunos;

- permitir o acesso de todos os alunos à informação e ao conhecimento através dos computadores e da Internet, em condições de igualdade. Sabemos que a grande maioria dos nossos alunos do ensino básico e secundário (65%) não têm acesso em casa a estes meios, que são hoje indispensáveis para o estudo e o trabalho escolar.

Este programa de modernização e melhoria da escola e das práticas de ensino, que abrange todas as escolas permitirá diminuir a desigualdade entre as nossas escolas, elevando o seu nível médio de qualidade, isto é, nivelando por cima.

A qualidade do ensino e dos equipamentos é essencial.

Diria que a qualidade é a primeira condição para que a escola pública seja efectivamente uma plataforma de acesso universal a recursos de informação e de conhecimento, para que contribua efectivamente para mitigar as desigualdades sociais e económicas dos alunos e, sobretudo, para mitigar os efeitos destas desigualdades nos resultados escolares dos alunos."

terça-feira, julho 17, 2007

As vidas planeadas que poderíamos ter tido



Todos ao lançamento do livro de fotografias do meu amigo Miguel!

quinta-feira, julho 12, 2007

Neruda SEMPRE!


Nos 103 anos do seu nascimento Mais dois poemas dO POETA


LA GRAN ALEGRÍA

La sombra que indagué ya no me pertenece.
Yo tengo la alegría duradera del mástil,
la herencia de los bosques, el viento del camino
y un día decidido bajo la luz terrestre.

No escribo para que otros libros me aprisionen
ni para encarnizados aprendices de lirio,
sino para sencillos habitantes que piden
agua y luna, elementos del orden inmutable,
escuelas, pan y vino, guitarras y herramientas.

Escribo para el pueblo, aunque no pueda
leer mi poesía con sus ojos rurales.
Vendrá el instante en que una línea, el aire
que removió mi vida, llegará a sus orejas,
y entonces el labriego levantará los ojos,
el minero sonreirá rompiendo piedras,
el palanquero se limpiará la frente,
el pescador verá mejor el brillo
de un pez que palpitando le quemará las manos,
el mecánico, limpio, recién lavado, lleno
de aroma de jabón mirará mis poemas,
y ellos dirán talvez: "Fue un camarada".

Eso es bastante, ésa es la corona que quiero.

Quiero que a la salida de fábricas y minas
esté mi poesía adherida a la tierra,
al aire, a la victoria del hombre maltratado.
Quiero que un joven halle en la dureza
que construí, con lentitud y con metales,
como una caja, abriéndola, cara a cara, la vida,
y hundiendo el alma toque las ráfagas que hicieron
mi alegría, en la altura tempestuosa.

(Canto General)

SIEMPRE

Aunque los pasos toquen mil años este sitio,
no borrarán la sangre de los que aquí cayeron.

Y no se extinguirá la hora en que caísteis,
aunque miles de voces crucen este silencio.
La lluvia empapará las piedras de la plaza,
pero no apagará vuestros nombres de fuego.

Mil noches caerán con sus alas oscuras,
sin destruir el día que esperan estos muertos.

El día que esperamos a lo largo del mundo
tantos hombres, el día final del sufrimiento.

Un día de justicia conquistada en la lucha,
y vosotros, hermanos caídos, en silencio,
estaréis con nosotros en ese vasto día
de la lucha final, en ese día inmenso.


(Canto General)

terça-feira, julho 03, 2007

Já amanhã!

Lisboa
vida(s) e culturas(s) urbana(s)

Hotel Sofitel . 18h30

segunda-feira, julho 02, 2007

Viagem a Euskal Herria 3

Gasteiz - as primeiras horas (continuação)


Chegámos rapidamente a casa de A. Na zona do “Casco Viejo”,” Alde Zaharra” ou “Almendra Medieval”. Imediatamente duas gatinhas procederam à operação de identificação das duas estrangeiras. Uma, a mãe, branca, mais calma e desconfiada, outra, a filha, de pelo comprido, curiosa e irrequieta. Não decorei o nome da segunda, a primeira chamava-se Blanqui. Ambas dedicaram-se o resto da noite a morder os pés da M. e a aninharam-se entre as minhas pernas.

Dormimos cerca de 4 horas e de manhã fomos com a A. encontrarmo-nos com o M. e outros companheiros e companheiras. Assim conhecemos a Calle Cuchilleria (de que o B. já nos tinha referido) e, mais em pormenor, o Erdizka (um bar, café, ponto de encontro e restaurante) que constantemente me fazia lembrar a “Gradisca” de Amarcord, no entanto esclareceram-me mais tarde que o nome nada tinha de tão “poético”, que significava “meio” e que assim se chamava porque estava no meio da rua.

Foi bom rever o M. Parecia muito mais descontraído e feliz do que nas vezes que o vi em Portugal. Parecia-me até maior, mais robusto e com um sorriso mais aberto.

Do Erdiska passámos à porta do lado, à sede da Askapena, a primeira impressão que tive é foi a de uma livraria alternativa. Havia livros à venda por todo o lado. Rapidamente mudei de opinião quando começámos, os que estávamos e os que entretanto chegaram, a levar caixas e caixas de comida de um pequeno armazém na sede para o porta-bagagens de um carro. Eram os mantimentos para os próximos dias.

Houve ali um momento em que eu e a M. ficámos desorientadas. Os bascos desataram a discutir em euskera, enfiámo-nos todos em dois carros e fomos…

Afinal, duas ou três ruas abaixo estacionámos e começámos a descarregar. Seria ali o nosso poiso nos próximos dias. Tratava-se de uma espécie de bar privado. Pelo que pude apurar é costume entre os bascos, juntarem grupos de amigos, quotizarem-se e alugarem espaços de convívio comuns.

Depois das descargas alguns dos rapazes desapareceram. Ficaram M, A, A2 (que conhecemos um pouco antes no Erdizka) e nós. O costume, também em Euskal Herria: as mulheres e honrosas excepções masculinas cozinham. O M e a A ficaram a confeccionar o jantar: Bacalhau. O M observou que essa era uma grande semelhança entre os bascos e os portugueses. No tempo que sobrava até partirmos para Gernika fomos dar uma volta pelo “Casco Viejo”. A2 insistiu em ser nossa guia. Eu e a M não queríamos distrair os nossos anfitriões e sublinhámos que poderíamos ir sozinhas. Não sei se por orgulho local ou se por falta de confiança no nosso sentido de orientação (apesar das muitas vezes em que referi ter uma bússola no cérebro) a vontade basca venceu e lá fomos acompanhadas pela simpática e preciosa guia A2.

À medida que íamos andando pelas ruas ela ia-nos explicando os problemas que existiam com a câmara; o clássico: o conluio do poder local com alguns interesses imobiliários e outros sectores, o favorecimento de projectos megalómanos, o desrespeito pelas pessoas, património e instituições populares. Mostrou-nos, a título de exemplo; uma desenquadrada passadeira rolante que subia duas ruas (de ligeira inclinação) para ligar dois museus e apontou-nos outras ruas habitadas por idosos e bastante íngremes, onde as referidas passadeiras faziam mais falta. Vimos também uma micro-manifestação de trabalhadores do “Ayuntamiento”, uma coisa estranha: eram 6 ou 7 pessoas atrás de um pano e aos gritos em frente à Câmara. Passámos também por alguns pontos de interesse turístico. Observámos com estranheza dois blocos enormes de pedra que, segundo a nossa cicerone, serviam para prender touros (pelo menos foi o que entendi). Mais adiante vimos uma estátua em bronze de um sujeito muito cómico, cujo nome não me lembro apesar de A2 o ter referido várias vezes. Essa figura é um tipo de Gasteiz que, todos os anos desce “dos céus” com um chapéu de chuva: uma espécie de Mary Poppins homem, artificial e basca. Passámos também por duas casas ocupadas e visitámos uma (ver foto). Essa que visitámos está ocupada há 19 anos. Funciona numa espécie de auto-gestão permanente, com um conselho de todos os participantes e organizam eventos vários para além da gestão corrente. Em Euskal Herria há muitas casas ocupadas, com mais ou menos longevidade. A2 espantou-se quando lhe disse que em Portugal se contam pelos dedos de uma mão (isto, claro, se não nos referirmos às casas ocupadas para habitação durante o PREC).

Já na volta, e antes de entrarmos no nosso quartel-general, enfiámo-nos numa espécie de claustro adjacente à Catedral gótica de Santa Maria (ver foto), onde decorrem trabalhos de arqueologia. As escavações revelaram vestígios do período paleo-cristão e das invasões bárbaras. Depois de muito teorizarmos acerca das taras dos arqueólogos e de não chegarmos a conclusão nenhuma demos por concluído o passeio.

Já saiu! nº21


Já saiu o número 21 do Pela Educação, boletim da Organização dos Professores do Sector Intelectual de Lisboa do PCP. Também disponível no professorcomunista

Breve pausa

A descrição da viagem a Euskal Herria segue dentro de momentos...

domingo, julho 01, 2007

sexta-feira, junho 29, 2007

Viagem a Euskal Herria 2

O comboio II


Encostámo-nos ao balcão do bar e pedimos duas cervejas. O senhor Manuel (achim che aprejentou), com um grande sorriso, deu-nos logo permissão para nos sentarmos no restaurante. Que maravilha! Desde que iniciara a viagem que não me sentia tão bem: lugares confortáveis, clima agradável e uma luzinha encrustada na mesa que dava um ambiente SPA à coisa. A M. claro, corrosiva como é, observa que aquilo é coisa dos anos 70 – toalhinhas azul cueca e paredes cor-de-laranja, cartazes amarelecidos do tempo da Maria Cachucha e mobiliário antigo. Mas depois rematou: “É giro!”. Pois claro, não seria de esperar outra coisa da miúda que se veste vulgarmente com batas da senhora da limpeza (sem desprimor para as senhoras e para o seu gosto em batas).

Passámos a fronteira a tragar uma super-bock em copos de vinho. Não nos chatearam com perguntas persecutórias como eu, num delírio conspirativo, já estava a imaginar.

Depois juntou-se a nós o Jorge, o revisor.

Como é proibido fumar nas cabines e no bar-restaurante, fomos até ao corredor para um cigarrinho. Com ar de espanto e gozo dizem-nos que é proibido fumar em qualquer parte do comboio dentro do estado espanhol, piscam-nos o olho e acrescentam que vão fingir que não viram. Mas depois mudam de ideias e convidam-nos para ir fumar para a cozinha do comboio. E lá fomos! Conhecemos assim o senhor João, o cozinheiro (ver foto): um homem que anda há décadas nesta vida. Um dos melhores cozinheiros do mundo, exagera o Jorge, um verdadeiro pai, o homem que impõe a ordem naquela casa sobre carris. Confesso que nunca imaginei que o cozinheiro fosse a pessoa mais importante dentro de um comboio. Mas pudemos observar que, efectivamente, era ele quem orientava o rumo das coisas (se é que é possível orientar mais ainda o rumo de um veículo que anda sobre carris). O senhor João, de Mem-Martins, nascido no Fundão, terra das cerejas, marido de uma senhora que tem uma boutique num centro comercial, pai de dois filhos que estão no ramo bancário, avô de uma data de gente, deu um avental à M. e um pano a mim e disse-nos que podíamos lavar a loiça. Eu estava pronta para a tarefa, mas entretanto o trio das criaturas do comboio observou que a loiça tinha de ficar a repousar num banho de água quente e lixívia. Em alternativa obrigaram-nos a comer. Começaram por propor peixe e arroz, Acabamos por comer apenas a torta (caseira) e o suminho.

Passámos depois a um ambiente mais repousado: fomos conhecer os compartimentos de cama destinados ao pessoal. Sentadas em confortáveis poltronas e eu fascinada com as maravilhas do design de equipamento (que consegue meter num espaço de 2cx1,5lx3a três camas, um sofá, um lavatório disfarçado, um banco, armários vários e cabides) tragámos vinho do Porto e por pouco não éramos cobertas de tabletes de chocolate e amendoins.

Tamanha hospitalidade estava a assustar-nos e pouco depois de Ciudad Rodrigo voltámos para a nossa cabine.

Tentámos dormir o melhor que conseguimos. Eu, encostada à janela, adoptei a estratégia de esticar a perna esquerda sobre o aquecedor do comboio até quase à cara do miúdo, abrir as pernas e esticar a direita contornando um saco enorme que a mãe da criança pousara no chão, inclinar um pouco o rabo para a direita e encostar a cara ao cortinado: uma maravilha! Quando me cansava encostava a perna direita à esquerda e inclinava a cabeça para o outro lado ficando com a cara voltada para a M. A M. que estranhamente conseguia dormir de costas direitas e pernas encolhidas.

Gasteiz - as primeiras horas

Chegámos ao nosso destino dois minutos antes da hora, às 4h22. Saímos na expectativa de vermos correspondido o nosso desejo de uma ampla comissão de boas-vindas apetrechada de passadeira vermelha, bailarinas e homens cantando vestidos de branco, iguarias e vinho. Sabíamos, no entanto, que os nossos sonhos não seriam atendidos e que tinha calhado a uma rapariga a sorte acordar a meio da noite para nos ir buscar. Para nosso grande espanto não havia ninguém à nossa espera. Eu e a M. começámos a ponderar ir andando a pé até à sede da Askapena (ver foto) (percurso que eu havia decorado olhando o mapa para a eventualidade de ninguém nos vir buscar à estação). Não tínhamos ainda terminado esta precipitada exposição de ideias e vimos uma rapariga vir na nossa direcção em passo ofegante e a acenar-nos. Era ela: a A.

Chegou pontualmente, às 4h24.

Feitas as apresentações, a A. explicou-nos que iríamos passar o resto da noite na sua casa que ficava nas proximidades. Já a caminho encontrámos grupos de pessoas que andavam a queimar os últimos cartuchos da noite animada das festas de Judimendi (um bairro de Gasteiz). O primeiro bêbado que vimos, e isto há-de ficar-nos gravado na memória, gritou: “Viva Franco!”.

quarta-feira, junho 27, 2007

Viagem a Euskal Herria 1

O comboio I

Mal entrámos na carruagem verificámos que aquela viagem não seria apenas no espaço, mas também no tempo. A composição dividida em cabines com oito lugares cada, bancos muito direitos e a falta de espaço para esticar as pernas já era antiga quando nela fiz o mesmo percurso há 16 anos atrás. Parece-me uma espécie de requinte de malvadez por parte da CP. Com uma serra e uns bancos do intercidades soldados ao chão e viajaríamos todos melhor. Mas não. Entrámos para o exíguo espaço onde já se encontrava uma família de casal, avó e neto. A avó, devo dizer, ocupava quase dois lugares e, até ao Entroncamento, não parou de nos fitar com um ar hipnotizador (tenho até a impressão que vi duas espirais a girar dentro dos seus olhos).

Minutos depois de nos sentarmos entra mais uma mãe e uma criança.

Estávamos bem arranjadas. Mas enfim, tínhamo-nos preparado mentalmente para a guerra e esta era apenas uma contingência.

No Entroncamento tivemos a grande alegria de nos livrar da numerosa família. Mas, duas estações mais à frente, recebemos a visita de um casal do Quebéc carregado de mochilas.

Resolvemo-nos dedicar à bandeira portuguesa que nos tinha sido solicitada e que, não sendo ano de campeonato europeu ou mundial de futebol, não se encontrou com facilidade. Para além do mais não queríamos bandeiras com pagodes chineses em vez de castelos. Fiz então um belo desenho com base no meu Bilhete de Identidade e no Cartão de Eleitor da M. (ver foto) Demo-nos conta da nossa profunda ignorância e se não fosse passarmos na estação de Fátima teríamos ficado sem saber qual era a cor de fundo do rebordo do escudo.

Fui entretanto à casa-de-banho e antes de voltar resolvi verificar se a carruagem bar também fazia parte do comboio-museu ou se já apresentava sinais de aproximação ao século XXI. Constatei que não, e, perdida nestes pensamentos, o homem do bar pergunta-me o que ia tomar. Disse-lhe que naquele momento nada, que só tinha ido ver com era o bar e perguntei-lhe se mais tarde nos poderíamos sentar na parte do restaurante. Ele disse que sim, se não houvesse muita gente para jantar, obviamente. Trocámos mais umas palavras e ele insistiu para que voltasse.

Depois o B. telefonou-nos a avisar que tinha sido encontrado um carro carregado de explosivos, provavelmente da ETA, na fronteira de Espanha com Portugal, em Ayamonte. Pronto! Estamos f*****s! Pensei eu. Com o azar que tenho ainda nos vão chatear.

Um pouco mais tarde o casal do Quebéc iniciou um ritual estranho de abrir embalagens de frutos secos e os despejar para um saco. Misturaram-nos. Parecia ser um belo cocktail. Só faltavam as bebidas. Sussurrei isto à M. e começou a crescer-nos água na boca (não tanto pelos frutos secos como pela ideia de uma bebida fresca). Levantámo-nos e fomos então visitar o amigo do bar. Aqui começou a nossa viagem ao mundo da vida dos trabalhadores dos comboios.

quinta-feira, junho 21, 2007

O fim do cessar-fogo da ETA V

A algumas horas de visitar a casa de Vasco. ..

Se tudo correr bem, passaremos em Gasteiz, Gernika, Bilbao e Iruña. Trarei notícias da solidariedade internacionalista.

Agur!


História 14

Julia, a sogra derretia-se com Pepe mas Jon, o filho estava sempre ao lado do pai.

terça-feira, junho 19, 2007

Carlos Fuentealba, presente!

No dia 9 de Abril do corrente ano, relatei aqui a história de Carlos Fuentealba, professor, que dias antes fora atingido fatalmente por uma granada de gás lacrimogéneo. Nesse mesmo dia a Argentina mobilizou-se contra a repressão e pelos direitos do trabalho e de quem trabalha. Uma poderosa demonstração de homenagem e de revolta popular.
Há dias encontrei este video, realizado por um brasileiro que quis prestar o seu tributo. A música é a "Elegia a Che Guevara" dos Quilapayun e é de destacar o impressionante testemunho da mulher do professor, agora viúva, e igualmente activista. É também de sublinhar uma das frases iniciais: "se não se cumprem os direitos dos educadores, não se garante o direito à educação"

sexta-feira, junho 15, 2007

Fim das aulas


Animação da Filipa, 7º4ª (clicar na imagem para ver a animação)

Horas e horas seguidas frente ao computador para ultimar as últimas avaliações e trabalhos de animação dos meus pupilos. Estou quase pronta a deixar os alunos (todos: os simpáticos, os antipáticos, os distraídos, os refilões, os convencidos, os indisciplinados, os atentos, os divertidos e os tristes). As aulas do ensino regular acabam amanhã. As do recorrente daqui a algumas semanas. Vêm aí reuniões intermináveis e vigilâncias de exame. Seguir-se-ão as arrumações e o inventário. Inscrições e formação de turmas. Sei lá o que me vão impingir mais! Só sei que depois disto vem o terrível desemprego.

quarta-feira, junho 13, 2007

ÁLVARO, SEMPRE!

"(...)
Pero,

portugués de la calle,
entre nosotros,
nadie nos escucha,
sabes
dónde
está Álvaro Cunhal?
(...)"

Pablo Neruda

(clicar para ler todo o poema)



Video publicado pela SIP/DORL, realizado a 24 de Maio de 1995, no bar do Centro de Trabalho do PCP em Vila Franca de Xira, com Álvaro Cunhal

terça-feira, junho 12, 2007

artistas de todo país, uni-vos!



Uma jantarada à moda antiga para dar novas esperanças também a pintores, escultores e designers

O fim do cessar-fogo da ETA IV

História 13

Txikita, mulher de Vasco, achava o marido violento mas concordava que Pepe era um usurpador.

sexta-feira, junho 08, 2007

O fim do cessar-fogo da ETA III

História 12

Mas Pepe continuou a ocupar a casa de Vasco apesar de ter a sua.

O fim do cessar-fogo da ETA II

História 11

Pepe (o vizinho) disse ao bairro inteiro que Vasco era um terrorista.

O fim do cessar-fogo da ETA I

História 10

Vasco um dia chateou-se e foi às trombas do vizinho que lhe andava a ocupar a casa.

quarta-feira, junho 06, 2007

à D. SPGL

SPGL e SPN marcaram greve dos professores de técnicas especiais para amanhã, 4ª feira

Depois do circo que foi a mobilização tardia para a Greve Geral por parte do SPGL, depois de o mesmo, logo no dia a seguir à mesma, se ter remetido para o mais absoluto silêncio sobre ela, depois de ter convocado (ou tornado pública a convocatória) para uma AGD descentralizada (dando cumprimento à proposta que a AGS chumbou - com os votos contra e abstenções de quase todos os membros da direcção sindical) que entre outros pontos pretendia fazer o balanço da greve, resolvem marcar esta greve dos professores de técnicas especiais.
Ao que consta, nem os próprios professores parecem ser favoráveis à mesma, pelo menos no que respeita à sua data.
Colocam-se as seguintes questões:
Não teria sido mais lógico e mobilizador marcar acções de luta dos professores de técnicas especiais para antes da Greve Geral e unir as suas reivindicações específicas às mais gerais dos restantes professores e trabalhadores? Que espécie de concepção táctica é esta que marca acções particulares (e falamos de uma greve!) para uma semana depois da acção mais geral?
Não estavam nos objectivos da Greve Geral reflectidos os problemas dos professores de técnicas especiais (que com a alteração do ECD passarão, maioritariamente, para uma situação altamente precária)?
Se era absolutamente necessário fazer uma acção para chamar a a atenção para o problema destes professores não teria mais impacto (quer pela adesão - muitos fizeram já a greve de dia 30 - , quer pela visibilidade), nesta altura do ano, marcar outro tipo de acção?
É que ainda por cima, parte significativa destes professores, tomou conhecimento da marcação desta greve só depois da Greve Geral (o pré-aviso data de 30 de Maio).

DENÚNCIA E PROTESTO


Embaixada de Israel impõe posto de controlo (check-point) em Lisboa

"Hoje, dia 5 de Junho de 2007, uma delegação de representantes de 55 Organizações Não Governamentais Portuguesas viu recusado um encontro previamente aceite pela Embaixada de Israel. O encontro destinava-se a entregar uma Carta-Apelo contra a ocupação, por Israel, dos territórios palestinos, por ocasião da data em se completam 40 anos do início da Guerra dos Seis Dias.

O encontro com uma delegação de duas personalidades representando as 55 ONG's – a quem a Embaixada solicitou previamente os números e data de emissão dos bilhetes de identidade, e que seria recebida pelo Primeiro Conselheiro da Embaixada – não se chegou a efectuar.

Alegando que "a presença de mais de 5 pessoas" na rua da Embaixada constituía uma "manifestação provocatória", a Embaixada utilizou como pretexto para recusar o encontro, o facto de haver uma dezena de representantes das 55 ONG's no passeio fronteiro à Embaixada (mesmo que sem qualquer pano ou palavra de ordem acompanhar).

Para além de se recusar a receber os dois representantes das ONG's Portuguesas, a Embaixada de Israel – provavelmente deturpando a realidade da situação e alegando perigos inexistentes – levou a PSP a mobilizar dispositivos policiais consideráveis (três carros-patrulha e uma carrinha do Corpo de Intervenção) e totalmente desproporcionados, dada a inexistência de qualquer alteração da ordem pública, ou sequer de uma manifestação que nunca chegou a estar prevista.

A Embaixada de Israel procura assim impor a "lei" de Israel nas ruas portuguesas.

Tal como em numerosas outras ocasiões recentes, a PSP pediu a identificação dos dois representantes das ONG's que tinham o encontro marcado na Embaixada, numa acção que confirma as tendências incriminatórias e repressivas crescentes que o Governo e o seu Ministério da Administração Interna têm vindo a generalizar.

Não é Governo de Israel que dita as leis em Portugal.

Portugal é um país soberano e não é admissível que as liberdades democráticas aqui sejam questionadas, por quem quer que seja.

O movimento de solidariedade com a luta do povo palestino prosseguirá no nosso país, não se deixando intimidar por semelhantes atitudes."

segunda-feira, junho 04, 2007

PALESTINA (a distância entre o sonho e a realidade)

"Completam-se agora 40 anos desde a “guerra dos seis dias” levada a cabo por Israel contra o Egipto, a Síria e a Jordânia, entre 5 e 11 de Junho de 1967. Dela resultou, então, a ocupação do Sinai, restituído ao Egipto em 1982, e, até hoje, dos Montes sírios do Golan e dos territórios palestinianos da Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental. Desde aí, o Estado de Israel – que já se tinha estabelecido em 1948 em 78% da Palestina, excedendo em um terço o Plano de Partilha da ONU - com a ocupação e colonização dos 22% restantes do território, tem-se recusado a reconhecer e tem impedido pela força o direito à existência do Estado palestiniano"

do apelo do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente





RESISTE

Torturando-me colocaram um papel

E uma caneta à minha frente

E da minha mão arrancaram brutalmente

a chave da minha casa.

Insultaram-me

mas o papel disse:

Resiste…. Resiste…

Queriam desgraçar-me

mas a caneta disse:

Resiste… Resiste…

E a chave da minha casa disse:

Em nome de todas as pedras

Da tua pequena casa

Resiste… Resiste…

Em nome da chuva

caindo da cela de torturas

grita: Resiste… Resiste…


Muen Beseisso

(Poemas para uma pátria ocupada)


mais poemas para uma pátria ocupada: Geração dos Acampamentos e Não partiremos

domingo, junho 03, 2007

Mais um espasmo artístico!

Há muito tempo que não fazia uma destas

A minha vizinha camarada Marta, na sua nova posição favorita, num campo de morangos com pin&pons operários de várias cores a voar e com uma flor de lótus no cabelo.

...
o blog continua a florir

sábado, junho 02, 2007

Finalmente o bom tempo!

O MEU BLOG ESTÁ A FLORIR!

Para ver o efeito
CLICAR AQUI

sexta-feira, junho 01, 2007

O sentir da Greve Geral

A dada altura, na Sotancro, tive necessidade de partilhar com os restantes camaradas o que me ia na alma. Acho que não me levaram muito a sério, provavelmente acharam que era do cansaço. Disse-lhes que me sentia emocionada, que naqueles momentos em que vivíamos verdadeiramente a luta de classes, crua, desmascarada, a pulsar e a doer, é que conhecíamos plenamente o sentido da palavra camarada. Disse-lhes que quando me achava assim, acompanhada nos mesmos objectivos, na mesma acção, enfrentando os mesmos obstáculos e dificuldades, considerava-me inabalável, indestrutível. Enfim, disse isto, não exactamente com estas palavras, mas foi isto. Não me ligaram muito. Ainda bem, sabe-se lá no que ia dar este rasgo poético: numa cantoria, numa choradeira, num rol de declarações político-sentimentais, sei lá…

Horas antes, na Vimeca senti uma outra coisa, vergonha, pena, raiva. Os capatazes da empresa, cães de fila, vieram à porta coagir os motoristas, contrariando assim a acção dos piquetes. Saiu um primeiro autocarro, antes de tempo, e que me apanhou de surpresa. Quase me atropelou. Quando vinha a sair o segundo já com um terceiro e um quarto atrás, pusemo-nos em frente ao veículo, que parou. Um camarada dirigiu-se ao motorista e pediu-lhe que abrisse a janela. Falou com ele, tentou fazê-lo ver que era necessário parar, que era importante parar, explicou-lhe as razões da greve, mostrou-lhe que a única saída para o que o país está a viver era a luta e que nesta luta cada um tem de a tomar como sua. Mas o esgar do capataz, sempre presente, sempre à escuta, soltando frases contra os piquetes, referindo “o direito a não fazer greve”, como quem diz o “direito a ser explorado”, o “direito a ser enganado”, o “direito a sujeitar-se ao aumento do custo de vida e à precariedade”, punham-no nervoso. Fumava incessantemente. Dizia apenas que partiria quando saíssemos dali, que foi como quem diz, ficaria enquanto nos mantivéssemos ali. A administração mandou vir a GNR, claro! Veio a GNR. Muita discussão. Mas também naqueles agentes se via que “apenas cumpriam ordens” que se pudessem não estariam ali, provavelmente alguns viriam para o nosso lado. Chegam entretanto mais geenérres, e depois mais ainda. O administrador, decide trocar o motorista, o novo motorista, mostrando-se fiel ao dono, arranca sobre os piquetes e é obrigado a parar porque ninguém saiu da frente. Gera-se uma enorme confusão, discussão. O Sargento diz que vai identificar toda a gente, uma camarada responde dizendo que ele deve é identificar o trabalhador que substituiu o outro, explica que isso vai contra a lei da greve. O sargento, é claro, serve os interesses da administração. Está mais preocupado em travar os piquetes do que no cumprimento da lei da Greve. Vou buscar a lei ao carro e quando regresso está tudo a desmobilizar. Sai o autocarro e saem os seguintes. Por muito tempo vai ecoar-lhes nos ouvidos a palavra traidores (que é das piores coisas que se pode ouvir e das piores que se pode ser).

Por outro lado, nos estaleiros da câmara, senti-me em família. Risos, conversas, confiança.

De manhã, andando pela cidade, deparei-me com sítios abertos e outros tantos fechados, mais gente pelas ruas e um respirar de luta.

À tarde pus-me a par do que se passava noutros sítios: renovei a confiança ao saber que um callcenter da TMN teve 100% de adesão à greve, que 1000 escolas estiveram encerradas, hospitais, tribunais, loja do cidadão, repositores de supermercado (!), que em Évora até panificadoras pararam (horas antes a R disse-me que a greve ia ser mais sentida quando as padarias fizessem greve).

À noite a voz do Governo (com os seus números ridículos a admitir, como li num blog, que não é árbitro de nada, que está com o patronato, veste a camisola da direita e está do lado da desvalorização do trabalho), procurando mascarar o efeito e os resultados da greve. Não esperava nada de diferente: fizeram de tudo para a esconder antes, fazem tudo para a esconder depois.

Já no dia 31; ver nas imagens dos piquetes o meu velho e querido amigo João Lopes ou o Bruno no seu papel de pivot nos vídeos do Partido, fez-me pensar que devia partilhar convosco o que partilhei em frente à Sotancro e concluir que não era do cansaço.

quarta-feira, maio 30, 2007

Fotos da Greve Geral

Nas fotos

Piquetes:
nos estaleiros da Câmara Municipal da Amadora às 22h00 e às 6h30 (Recolha do Lixo - adesão a cerca de 95%);
na Sotancro às 23h00 e às 07h00;
na Vimeca às 03h00 (a administração presente chamou a GNR e substituiu o primeiro motorista - o que levou à saída dos autocarros);

Visita à Pereira da Costa (onde se encontram acampados trabalhadores com salários em atraso há 7 meses);

Escolas fechadas:
EB 2,3 Pedro D'Orey da Cunha (Damaia);
ES Padre Alberto Neto (Queluz)
ES Fernando Namora (Brandoa)
EB1/JI Sacadura Cabral (Brandoa)
EB 2,3 Sophia de Mello Breyner (Brandoa)
EB 2,3 de Alfornelos
JI nº2 de Queluz

Autarquias fechadas:
JF Venteira;
JF S. Brás
Gabinete Técnico do Casal de S. Brás (Alfornelos);
JF Alfornelos;
Biblioteca Municipal da Amadora;
Biblioteca Infantil (Venteira);

Outros fechados:
ABCD (Brandoa)

Termino por aqui a minha ronda.
A LUTA CONTINUA!



terça-feira, maio 29, 2007

ESTOU EM GREVE! ATÉ QUINTA!



26, 28, 29 e 30

28 de Maio é um péssimo dia.
30 será bom.
Estamos no limbo, a 29.

1926 foi um mau ano. Mas nesse ano já existia a célula nº 26 do PCP - a célula da Amadora.
Em 2007 continua a combater os 28 e a lutar pelos 30.
Caro SIS, amanhã estarei com a célula nº26.

segunda-feira, maio 28, 2007

Zizurkil

Imagine que você vivia numa terra chamada Zizurkil. Imagine que nas eleições autárquicas o partido em quem votou (um partido legal) saia vencedor. Imagine que o seu voto e o de todos os que votaram como você apareciam no edital dos resultados como... nulos (sem que a lista tivesse desistido ou apresentado irregularidades processuais mas, tão só, porque defendia ideias diferentes).


Isto passa-se a cerca de 800 km de Portugal, no País Basco. Decorreram hoje eleições locais no estado espanhol. A ANV (Acção Nacionalista Basca), um pequeno e antigo partido de esquerda, que até agora tem sido considerado na legalidade pelas autoridades espanholas, recebeu os votos da esquerda independentista basca depois do apelo feito pelo ilegalizado Batasuna. No entanto, metade das suas listas foram anuladas. Não sem antes terem sido anuladas todas as listas apresentadas por uma outra organização criada no âmbito destas eleições. O resultado para esquerda independentista é bastante positivo se somarmos, como fez o Gara, todos os votos expressos na ANV (os considerados e os anulados).
Imagine agora como será a vida em Zizurkil (ou outras terras no País Basco) onde 5 dos 11 eleitos não têm qualquer legitimidade para assumirem estes cargos do poder local.



sábado, maio 26, 2007

Encontro Nacional de Cultura, Greve Geral e Loucura quase-artística

Estava eu no Encontro Nacional de Cultura do PCP - uma excelente iniciativa, um debate enriquecedor, um espírito de grande combatividade e fraternidade - e zás, os meus dedos ganharam vida própria e puseram-se a falar uns com os outros.

INFORMAÇÃO ALTERNATIVA

Como já se advinha, os órgãos de comunicação social ditos de referência não desempenharão o seu papel (e obrigação constitucional) de informar devidamente os portugueses sobre o que se vai passar no dia 30 de Maio. Assim sendo, o PCP através dos seu meios (claramente limitados) procurará colmatar essa falta e vai colocar, neste dia, o seu o site e o site da organização de Lisboa, inteiramente ao serviço desta jornada de luta, transmitindo com actualizações regulares, informações sobre a greve. Também a rádio comunic vai manter uma emissão continua entre 00h00 e as 19h00 do dia 30.





quarta-feira, maio 23, 2007

Piruette SEMPRE!


09/01 - 05/07 - ... e sempre.
video

terça-feira, maio 22, 2007

As incompreensões/compreensões sobre a arte

Do figurativo ao abstracto.
Do abstracto ao figurativo.
Análise e síntese.
Síntese e nova análise.
"Cumprimentamos o homem valente
que se lançou no abismo
a fim de ressuscitar entre os mortos
sob uma forma nova (...)
6, 5, 4, 3, 2, 1, até 0,
no outro extremo uma linha nova
0, 1, 2, 3, 4, 5, ..."
Das caras com rosto
aos rostos sem cara.
Todo o trabalho feito em condições de liberdade é criativo
dizia Marx
por isso, se formos livres nas ideias,
somos/seremos capazes de inventar e inventar e inventar...
Capazes de interpretar e interpretar e interpretar...
Capazes de criar e criar e criar...
E de construir e construir e construir...
...
Já aí vem a cavalaria vermelha


sábado, maio 19, 2007

António Afósforos - a tristeza do ditador que se achava democrata

História 9

Ele chumbava o que os outros propunham. Depois dizia que punha em prática o que chumbara.

Nota: A falta de democracia não estava no votar contra as propostas dos outros, mas no dizer que punha em prática o que fora reprovado.

A tristeza, essa sim, residia na hipocrisia do discurso da unidade e da mobilização e na prática do preconceito e da divisão.

Sugestão do António - O sindicalismo pós-moderno do SPGL

História 8

A unidade era verde. Veio um burro e comeu-a.

sexta-feira, maio 18, 2007

quarta-feira, maio 16, 2007

Pronto!
Porque non in solo pane vivit homo pedi dinheiro emprestado para rumar ao sul (pago assim que receber o salário).



Um festival que será um grande prazer para os olhos e ouvidos. A contenção do défice obriga a que não seja muito mais do que isso, eventualmente talvez para os cheiros. Mas pouco me importa. O prazer estético e a companhia dos amigos satisfazem-me em grande medida. Dormir no carro, banho de fonte, comer e beber o mínimo serão sacrifícios compensados.

Trarei fotografias para partilhar essas visões no ververmelha.

Depois entramos na recta final da mobilização para a Greve Geral. A escola está coberta de panfletos e cartazes. Par a semana reuniões de mobilização. Amanhã a AGS do SPGL.

... Oiço entretanto alguns sonzinhos para me ambientar ao clima do fim-de-semana


Autobiografia triste - parte 2

História 7

O refogado só levou alho - é a crise.
Em 1980 passei um mês a comer carapau - era a guerra.

segunda-feira, maio 14, 2007

Autobiografia triste

História 6

Hoje a sopa estava demasiado líquida.
Falta-nos dinheiro para comprar as batatas.
Onde vamos parar?

sábado, maio 12, 2007

Meias liberdades

Finalmente o calor!

Na quarta estive nas Azenhas do Mar: escutei as ondas, senti o sabor da maresia nos lábios e quase molhei os pés.
… - Mas as vertigens invertidas perante a visão das paredes rochosas que à minha volta se elevam provocam-me um misto de insegurança e sublimidade.






Na quinta andei por Lisboa: subi e desci ruas perfumadas de rio e animadas de lojas sob uma ampla e viva luz.
… - Chegada ao destino procuro explicar a um ser insensível que não tenho dinheiro para pagar a conta do telefone e até tive de fazer uns kilómetros a pé para lhe explicar o sucedido.



Na sexta a noite foi de pichagens: entre latas, trinchas, cigarros e telemóveis, iluminados pela luz municipal que resiste apesar da queda do executivo camarário, rindo e pintando as paredes dessa cidade dentro da cidade e que dizem universitária. Com preto e vermelho gritam agora, a quem passa e olha, o apelo à greve geral.
… – Concluo que a polícia pauta a sua acção segundo opiniões estéticas mais do que pelo cumprimento da lei.

quinta-feira, maio 10, 2007






CONDIÇÃO DO ARTISTA: A HIGIENE

História 5

Um pintor provocador não foi reconhecido.

Morreu na sargeta.

Hoje está nos melhores museus.

Mas antes lavaram-no!

terça-feira, maio 08, 2007

Contra a Censura!



É uma vergonha! A televisão pública, 33 anos depois do 25 de Abril, procura calar a voz mais consequente do panorama político português.
É uma vergonha não só porque atenta contra a liberdade de informar e o direito de ser informado mas, sobretudo, porque já deviam saber que contra a força da razão não há mordaça que resista.


Os tempos modernos não começam de uma vez por todas.
Meu avô já vivia numa época nova.
Meu neto talvez ainda viva na antiga.

A carne nova come-se com velhos garfos.

Época nova não a fizeram os automóveis
Nem os tanques
Nem os aviões sobre os telhados
Nem os bombardeiros.

As novas antenas continuaram a difundir as velhas asneiras.

A sabedoria continuou a passar de boca em boca.


Bertolt Brecht